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  • ODS 4 – Educação de qualidade: por que a ONU fez da aprendizagem um pilar da Agenda 2030

    ODS 4 – Educação de qualidade: por que a ONU fez da aprendizagem um pilar da Agenda 2030

    ONU fixou o ODS ao constatar que acesso à escola não basta: é preciso garantir aprendizagem ao longo da vida, com professores valorizados e sistemas resilientes diante de crises

    Ao aprovar a Agenda 2030, diversos países reconheceram a educação como direito humano e fundamental do desenvolvimento sustentável, estabelecendo o compromisso de “assegurar educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. A formulação do ODS 4 é resultado direto das lacunas deixadas pelos antigos Objetivos do Milênio: a expansão de matrículas foi importante, mas milhões seguiram fora da escola e muitos que frequentavam não aprendiam o básico. Assim, a nova meta deslocou o foco de “acesso” para “qualidade” e “equidade”, do infantil à educação de adultos, com metas específicas para aprendizagem e professores.  

    A estagnação do acesso e a crise de aprendizagem explicam essa urgência. Em 2023, dados da UNESCO mostraram 250 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, seis milhões a mais que em 2021, sinalizando que o mundo não está no ritmo necessário para 2030. Mesmo entre os que estão na escola, a aprendizagem é insuficiente: o Banco Mundial e seus parceiros estimaram que 70% das crianças de 10 anos em países de baixa e média renda não conseguem ler e compreender um texto simples, a chamada “pobreza de aprendizagem”, um indicador que piorou com a pandemia.  

    Há ainda um gargalo estrutural: segundo a UNESCO, o mundo precisará recrutar cerca de 44 milhões de docentes adicionais para universalizar o ensino primário e secundário até 2030, com déficit mais agudo na África Subsaariana. Nos resultados de aprendizagem, o PISA 2022 (programa da OCDE que avalia o desempenho educacional de alunos com 15 anos de idade) confirmou uma queda global inédita em matemática e leitura em muitos países após a pandemia, reforçando a dimensão internacional do problema.  

    Reações – A ONU e suas agências orientam os países a transformar os sistemas educacionais, com ênfase em alfabetização na idade certa, formação e carreira docente, proteção e inclusão (educação especial, igualdade de gênero), conectividade pedagógica e mecanismos de recuperação de aprendizagem pós-pandemia. Projeções do Relatório de Monitoramento Global da Educação apontam que, mesmo com benchmarks nacionais, milhões ainda podem ficar fora da escola até 2030 se não houver aceleração e financiamento estável.  

    No âmbito do financiamento público, o FUNDEB (Fundo Nacional para a Educação Básica) é permanente e sua regulamentação consolida a principal engrenagem de equidade no país, ampliando a complementação da União e reservando 70% dos recursos para remuneração dos profissionais da educação. É a base material para políticas de qualidade e redução de desigualdades territoriais. Na aprendizagem, o CNCA (Compromisso Nacional Criança Alfabetizada) busca garantir alfabetização até o 2º ano e recuperar perdas do 3º ao 5º ano. Em 2024, o Indicador Criança Alfabetizada chegou a 59,2% nas redes públicas (contra 56% em 2023), sinalizando melhora, embora distante do patamar desejado para 2030.  

    Nos resultados sistêmicos, o IDEB 2023 mostrou recuperação nos anos iniciais (média 6,0), mas desempenho ainda aquém do pré-pandemia nos anos finais e no ensino médio — evidência de que qualidade e equidade seguem como tarefa pendente. Por outro lado, os dados do PISA 2022 indicam que cerca de 27% dos estudantes brasileiros alcançam ao menos o nível 2 em matemática (contra 69% nos países da OCDE), evidenciando a necessidade de foco em habilidades fundamentais e formação docente.  

    A escolha da educação como um dos ODS decorre de uma evidência simples: sem aprender, não há desenvolvimento. Cada ponto perdido em alfabetização e matemática repercute em produtividade, saúde, participação cívica e coesão social. O mundo terá de acelerar políticas já testadas como alfabetização na idade certa, valorização e atratividade da carreira docente, expansão da educação infantil, recuperação de aprendizagem e conectividade pedagógica, para que o ODS 4 deixe de ser promessa e se converta em resultado mensurável, no Brasil e principalmente, no mundo.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • COP30 chega ao fim em Belém com apelos por ação imediata e negociações difíceis sobre o texto final

    COP30 chega ao fim em Belém com apelos por ação imediata e negociações difíceis sobre o texto final

    Documento aprovado após dias de impasses reafirma metas do Acordo de Paris, amplia compromissos de financiamento climático e destaca papel dos povos amazônicos, mas mantém controvérsias sobre combustíveis fósseis e responsabilidades globais

     

    A COP30 encerrou suas atividades em Belém com um misto de avanços diplomáticos, tensões políticas e expectativas sobre a capacidade dos países de transformar compromissos em ações concretas. O evento, considerado histórico por ocorrer na Amazônia, reuniu chefes de Estado, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil que, ao longo de duas semanas, debateram caminhos para conter o aumento da temperatura global e fortalecer a proteção dos ecossistemas tropicais. O texto final, aprovado após intensas rodadas de negociação, reflete tanto consensos importantes quanto a persistência das divergências que marcam a governança climática internacional. 

    As discussões mais delicadas ocorreram em torno da transição energética global. Países desenvolvidos e nações insulares pressionaram por linguagem mais firme em relação à eliminação gradual dos combustíveis fósseis, vistos como principal motor da crise climática. Já grandes economias emergentes defenderam um texto equilibrado, que reconhecesse suas necessidades de desenvolvimento, as desigualdades históricas nas emissões e a importância de financiamento previsível para apoiar transformações estruturais. O resultado foi uma formulação intermediária que reafirma a trajetória de redução das emissões, menciona a necessidade de acelerar a transição para fontes limpas e convoca os países a atualizarem suas metas nacionais com mais ambição até 2026. 

    Outro eixo decisivo das negociações envolveu o financiamento climático. O documento final consolidou o compromisso de ampliar recursos destinados à adaptação, especialmente para países tropicais afetados por secas, enchentes e degradação ambiental. A COP30 também trouxe avanços na operacionalização do Fundo de Perdas e Danos criado na COP anterior, com novas promessas de aporte feitas por nações desenvolvidas. Apesar disso, o montante ainda é considerado insuficiente por especialistas e representantes dos países mais vulneráveis, que destacam a urgência de garantir previsibilidade financeira para lidar com impactos já irreversíveis da mudança do clima. 

    Brasil – O Brasil teve papel de destaque como anfitrião e articulador. Além de apresentar o Plano de Transformação Ecológica, que envolve incentivos à bioeconomia, expansão das energias renováveis e controle do desmatamento, o país atuou na mediação de posições entre países desenvolvidos e Sul Global. Representantes de povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais tiveram espaço ampliado nos debates e influenciaram a redação do texto final ao reforçar a importância da proteção da Amazônia, da segurança hídrica e da justiça climática. Esse protagonismo local foi apontado como marca distintiva desta edição da COP. 

    A construção do documento final, no entanto, não foi simples. Durante vários momentos, grupos de negociação expressaram preocupação com trechos considerados pouco ambiciosos ou vagos. Delegações de pequenos Estados insulares insistiram que cada ano perdido aumenta o risco existencial de desaparecimento físico de seus territórios. Organizações ambientais criticaram o ritmo lento da eliminação dos combustíveis fósseis e alertaram para a necessidade de mais clareza sobre metas de curto prazo. Por outro lado, países em desenvolvimento destacaram que o cumprimento de metas ambiciosas depende de investimentos massivos, transferência tecnológica e flexibilização de mecanismos financeiros. 

    Apesar das divergências, o texto final foi aprovado com ampla maioria e marcou a conclusão de uma COP que simboliza o encontro entre ciência, política e urgência climática. Belém se despediu do evento com a promessa de fortalecer a cooperação internacional, ampliar investimentos em conservação e acelerar a transição para um modelo econômico mais sustentável. O desafio agora é transformar acordos multilaterais em políticas públicas robustas e em mudanças concretas nas próximas décadas. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Divulgação/Secom 

  • Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Proposta brasileira de roteiro para afastamento dos combustíveis fósseis obtém apoio de mais de 80 países, porém é excluída do documento final da COP30 e segue como iniciativa voluntária sob presidência brasileira até 2026

     

    Durante a realização da COP30, realizada em Belém, o governo brasileiro colocou no centro das discussões internacionais climáticas uma proposta de grande impacto simbólico e estratégico, denominada “Mapa do Caminho”. Trata-se de um roteiro para a transição dos combustíveis fósseis — petróleo, gás e carvão — para economias de baixo carbono, apresentado como parte de uma agenda mais ampla de justiça climática e liderança global. A iniciativa ganhou visibilidade ao ser mencionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula de líderes que antecedeu a conferência, e mobilizou vários países a se engajarem no desenho de um futuro sem dependência de combustíveis fósseis.  

    O “Mapa do Caminho” propõe que os países, especialmente aqueles mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e com economias ainda baseadas em combustíveis fósseis, desenvolvam trajetórias claras e cientificamente embasadas para reduzir progressivamente o uso de tais fontes energéticas, ao mesmo tempo em que se promovem alternativas limpas, energia renovável, adaptação e mecanismos de financiamento climático. Segundo a publicação da agência nacional de notícias, a ministra Marina Silva reforçou que “o Mapa do Caminho já não é mais uma proposta apresentada pelo Brasil, pelo Presidente Lula, mas por dezenas de países e por milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, chancelada pela comunidade científica”.  

    A importância da proposta no contexto da COP30 residiu em três vetores principais. Primeiro, ela elevou a agenda dos combustíveis fósseis — historicamente um tabu nas negociações climáticas globais — ao centro das articulações diplomáticas. Conseguiu o apoio expresso de mais de 80 nações que passaram a defender um “roadmap” para afastamento dos fósseis.  

    Segundo ela colocou o Brasil em posição de protagonismo internacional no debate climático, reforçando sua presidência da COP30 e a expectativa de que o país atue como articulador de uma agenda de transição justa, especialmente voltada às economias emergentes e aos povos tradicionais da Amazônia. Terceiro, embora não tenha sido incorporada ao documento oficial final da COP30 — conforme reconhecido pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, que afirmou que o mapa “não fica no texto” oficial —, a proposta foi deixada como um compromisso voluntário e um mecanismo de pressão para futuras negociações.  

    No entanto, o percurso da proposta encontrou resistências significativas. Durante as negociações finais da COP30, blocos de países produtores e exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Rússia, bem como a Índia, articularam para impedir que o “Mapa do Caminho” fosse incorporado ao “Mutirão Global”, o pacote de decisões da conferência, alegando que qualquer menção explícita aos combustíveis fósseis comprometeria o desenvolvimento econômico de suas nações. Como resultado, embora a proposta tenha avançado em fóruns paralelos e no discurso diplomático, a versão final aprovada na plenária de Belém não incluiu menção ao “Mapa do Caminho”. 

    Apesar dessa exclusão formal, os organizadores e o governo brasileiro transformaram a iniciativa em um mecanismo de continuidade: foi anunciada a constituição de um grupo técnico voluntário, sob coordenação da presidência da COP30, para elaborar até a próxima edição da conferência um relatório que subsidie a implementação do mapa, com a primeira reunião prevista para abril de 2026 na Colômbia. Essa articulação mostra que o “Mapa do Caminho” deixa de ser apenas uma proposta retórica e passa a integrar um processo contínuo de mobilização internacional. 

    Para o Brasil, a apresentação do “Mapa do Caminho” representa tanto oportunidade quanto desafio. O país assume uma responsabilidade diplomática e simbólica de liderar a transição para uma economia de baixo carbono, em especial considerando sua posição geográfica na Amazônia e seu enorme potencial em energia renovável e conservação. Isso pode reforçar sua imagem como ator de relevo no cenário climático global. Por outro lado, tutela tensões internas, entre o discurso de liderança e a necessidade de compatibilizar exploração de combustíveis fósseis, políticas de desenvolvimento regional, e as exigências do setor produtivo e energético nacional. Analistas destacaram que, mesmo que o mapa seja bem-intencionado, ele exigirá investimentos robustos, gestão política firme e mecanismos eficazes de monitoramento, além de ser pressionado por uma lógica global na qual os combustíveis fósseis continuam centrais para diversas economias. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Wagner Meier/Getty Images 

  • Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    FRB participa do evento no Pará e acompanha propostas voltadas à proteção ambiental

     

    Pará/PA – Entre os dias 10 e 12 de novembro, a Fundação Republicana Brasileira (FRB), representada por sua presidente, Renata Sene, participou da COP30, em Belém, no Pará. No Parque da Cidade, onde ocorreu a programação, a FRB acompanhou diversas apresentações na Green Zone e foi indicada para debates sobre estratégias e soluções voltadas à preservação do clima.

    Convidada pela associação ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, a Fundação apresentou o estudo “Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas”, que reúne propostas de mitigação e adaptação climática para cidades mais preparadas e resilientes. A instituição destacou seu orgulho em compartilhar um trabalho alinhado à sua atuação, pautada na defesa da sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente. Cada espaço do Parque refletia ideias inovadoras e experiências inspiradoras para promover um futuro ambientalmente responsável.

    Inovar faz parte da identidade da FRB, que se tornou a primeira fundação partidária a apresentar uma contribuição dessa relevância na COP30. O feito reforça seu protagonismo e seu compromisso com políticas públicas voltadas ao fortalecimento de cidades inclusivas, resilientes e alinhadas à Agenda 2030. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) orientam ações dos governos para que ninguém seja deixado para trás, e a Fundação compreende que proteger o planeta exige planejamento eficiente e esforços integrados.

    “A Fundação foi convidada por um instituto importante da América Latina, o ICLEI, a estar presente na COP30. Só que nós não fomos apenas participar, fomos ser uma voz ativa. Para isso, a Fundação Republicana encomendou um caderno para apresentar projetos de mitigação e boas práticas locais dos municípios. O Caderno estará à disposição de vocês para que falem sobre clima com propriedade, onde quer que estejam. Ou vocês acham que o clima não vai nos atingir? 87 % da população brasileira vive em cidades, e sabemos que 7 a cada 10 municípios já foram atingidos, de alguma forma, por eventos climáticos: fortes chuvas, secas e até terremotos, acredite, há cidades de Minas Gerais que já registraram. Tudo isso traz consequências graves. A Fundação, com seu papel responsivo, trouxe soluções inteligentes alinhadas a boas práticas, demonstrando viabilidade legal, financeira e experiências reais”, declarou a presidente Renata Sene.

    Durante o maior evento climático do mundo, o Caderno de Boas Práticas também chegou à Blue Zone, espaço das negociações entre governos, lideranças e organizações internacionais. A deputada estadual Tia Jú apresentou o material à ONU, ampliando o alcance e a relevância das ações da Fundação.

    A presença da FRB na COP30 também permitiu destacar as contribuições da Subseção da Fundação no Pará aos moradores do estado. De acordo com a coordenadora da subseção no estado, Renata Hage, as iniciativas regionais têm ganhado protagonismo ao defenderem uma sustentabilidade participativa e consistente, algo reforçado pela atuação da Subseção em um evento global como a COP30.

    Na ocasião, houve ainda um encontro com o secretário de Estado de Justiça do Pará e presidente do Republicanos no estado, Evandro Garla, que destacou o impacto positivo da atuação da Fundação junto aos paraenses nesses dois anos de presença no território:

    “ É uma oportunidade de ensinar, de estar perto do povo, das políticas públicas, de ver, de fato, a política chegando ali na ponta. Quando uma equipe se desloca de Brasília até o Pará, estamos mostrando que é possível que aquela comunidade mude por meio da educação, do ensino, do aprendizado. E uma coisa que o povo paraense gosta muito é de aprender”, declarou Garla.

     

    O que propõe o Caderno de Boas Práticas:

    • Apresenta soluções para cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas.
    • Enfatiza o papel central dos municípios na implementação de medidas de mitigação e adaptação climática.
    • Recomenda como prioridade a mobilidade de baixo carbono, com transporte público de qualidade e tarifa zero, demonstrando que tais políticas reduzem emissões, geram empregos, ampliam a arrecadação municipal e fomentam justiça social.
    • Defende que parte dos US$ 1,3 trilhão anuais destinados ao financiamento climático global seja aplicada em ações locais.
    • Reforça a sintonia com os ODS 11 e 13 (Cidades Sustentáveis e Ação Climática).
    • Reafirma o compromisso da FRB com o desenvolvimento sustentável e com a construção de cidades que cuidam das pessoas e do meio ambiente.

    Estar em solo paraense trouxe uma nova perspectiva à Fundação, marcada pela empatia com a comunidade e pela compreensão da realidade amazônica. Foram dias de aprendizado e troca de experiências que evidenciaram o compromisso do Pará com a proteção do planeta. Uma certeza ficou clara: não há futuro climático possível sem ouvir a Amazônia e aqueles que a defendem diariamente. A FRB retorna fortalecida e ainda mais comprometida com a construção de um futuro resiliente e sustentável para todos.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB

     

  • Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Da mortalidade materna e infantil à crescente carga de doenças crônicas, um novo relatório mostra por que a ONU transformou a saúde em uma prioridade global e avalia o que ainda falta para que o Brasil cumpra as metas estabelecidas para 2030 

    A saúde e o bem-estar foram incluídos entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) porque representam direitos essenciais de todas as pessoas e constituem um requisito básico para o progresso social. A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou que milhões de indivíduos deixam de estudar, trabalhar ou superar a pobreza devido a doenças evitáveis e a barreiras no acesso aos serviços de saúde.
    A Comissão Europeia reforça essa perspectiva ao afirmar que altos índices de doenças acarretam enormes custos sociais e econômicos, além de influenciar outros ODS, como erradicação da pobreza, educação, igualdade de gênero e acesso à água. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que quase 100 milhões de pessoas são empurradas para a pobreza anualmente por gastos catastróficos em saúde e que metade da população mundial não dispõe de serviços essenciais, evidenciando a urgência da cobertura universal de saúde (CUS). 

    Além disso, aproximadamente 23% das mortes globais estão associadas a fatores ambientais, como poluição, saneamento inadequado e práticas comerciais prejudiciais. Esses dados reforçam a necessidade de políticas integradas que articulem saúde, meio ambiente e economia. Ao lançarem a Agenda 2030, os países comprometeram-se a reduzir desigualdades, ampliar o acesso a serviços e enfrentar determinantes sociais e ambientais para que ninguém seja deixado para trás.  

    Os números que acenderam o alerta global 

    Em meados da década de 2020, o cenário internacional apresentou avanços importantes, mas também lacunas significativas que justificaram a criação do ODS 3: Saúde e Bem-Estar. Segundo o relatório do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), a taxa de mortalidade materna diminuiu, mas ainda está longe da meta. Em 2015, morriam 228 mulheres a cada 100 mil bebês nascidos vivos por causas relacionadas à gestação, ao parto ou ao pós-parto. Em 2023, esse número caiu para 197 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos. Apesar da melhoria, o ritmo de queda é lento: para alcançar a meta da ONU, 70 mortes por 100 mil até 2030, o mundo precisará evitar cerca de 700 mil mortes maternas nos próximos anos.
    A mortalidade de crianças menores de cinco anos passou de 10,1 milhões em 2000 para 4,8 milhões em 2023. A taxa global de mortalidade infantil caiu para 37 por mil nascidos vivos, embora a velocidade de redução esteja diminuindo. A pandemia de COVID-19 também interrompeu campanhas de imunização, e muitas regiões ainda não recuperaram a cobertura vacinal, tornando difícil o alcance da meta de 90% até 2030.
    As doenças infecciosas continuam a representar um grande desafio. Em 2023, 39,9 milhões de pessoas viviam com HIV, sendo 9,3 milhões sem tratamento; as mortes relacionadas à AIDS, entretanto, caíram pela metade desde 2010. As notificações de tuberculose chegaram a 8,2 milhões, o maior número já registrado. Quanto à malária, embora 44 países tenham sido certificados como livres da doença até 2024, a incidência global voltou a crescer após a suspensão de programas durante a pandemia. 

    Como os países estão enfrentando o desafio  

    Cumprir o ODS 3 envolve muito mais do que reduzir taxas de mortalidade: exige sistemas de saúde resilientes e políticas que enfrentem determinantes sociais e ambientais. A ONU enfatiza que a cobertura universal, o fortalecimento da atenção primária e a integração com outras agendas, como educação, saneamento e redução das desigualdades, são fundamentais. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) aponta que a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados aumentou de 80% em 2015 para 87% em 2024; ainda assim, 17 milhões de nascimentos continuam ocorrendo sem assistência, especialmente na África.
    Outra preocupação é a escassez global de profissionais de saúde, que pode chegar a 11,1 milhões até 2030, sobretudo em países de baixa renda. Os países que investem no setor colhem benefícios como redução da pobreza e aumento da produtividade, já que populações saudáveis impulsionam o desenvolvimento sustentável. 

    Diversas iniciativas ilustram os avanços obtidos: 133 países já alcançaram a meta de mortalidade infantil, e 125 atingiram a meta de mortalidade neonatal. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS apoiam ações de testagem, tratamento e educação sexual. Ao mesmo tempo, a OMS alerta que a recuperação pós-COVID exige retomar campanhas de vacinação, combater a desinformação e ampliar o financiamento público em saúde. Embora o investimento internacional em pesquisa e assistência tenha crescido, ele ainda está aquém das necessidades globais. 

    O retrato brasileiro  

    O Brasil é signatário da Agenda 2030 e, com o seu sistema de saúde universal, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, oferece atenção primária, vacinação e tratamentos gratuitos a mais de 200 milhões de pessoas. Assim, o SUS contribuiu significativamente para a redução da mortalidade materna e infantil: a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados é elevada, e os índices de mortalidade neonatal e na infância aproximam-se das metas dos ODS. Projetos de telemedicina e unidades móveis também ampliam o acesso em áreas rurais e territórios indígenas.
    Apesar desses avanços, o país ainda enfrenta desafios expressivos. Um estudo de 2025, que analisou 40 indicadores do ODS 3 no Brasil, concluiu que apenas 5 (12,5%) têm chance de ser atingidos até 2030. Entre os indicadores com resultados mais promissores estão a proporção de partos assistidos por profissionais, a mortalidade de crianças menores de cinco anos, a mortalidade neonatal, a taxa de mortes no trânsito e a incidência de hepatite B. Já os indicadores referentes a mortes por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas mostram redução, mas permanecem distantes das metas.  

    O mesmo estudo destaca a queda preocupante da cobertura vacinal para difteria, tétano, coqueluche e segunda dose de sarampo, que atingiu apenas 64%. Um grupo da sociedade civil que acompanha a Agenda 2030 classificou 12 das 13 metas de saúde como estagnadas, em risco ou em retrocesso, recomendando ampliar o financiamento do SUS, fortalecer políticas de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, expandir a atenção em saúde mental e intensificar campanhas contra a desinformação.
    A boa saúde sustenta todos os demais objetivos de desenvolvimento. A ONU instituiu o ODS 3 porque reconheceu que doenças evitáveis e sistemas frágeis perpetuam a pobreza, a desigualdade e a exclusão social. Embora os dados globais mostrem avanços expressivos, eles também revelam que mulheres continuam morrendo no parto, crianças ainda sucumbem a doenças preveníveis e milhões convivem com HIV, tuberculose e outras enfermidades graves.  

    No Brasil, apesar de um sistema universal robusto e de políticas bem-sucedidas, apenas uma parcela reduzida dos indicadores apresenta trajetória compatível com as metas de 2030. Superar esses desafios exigirá compromisso político, maior financiamento público, fortalecimento da atenção primária e políticas intersetoriais que promovam ambientes saudáveis e equidade. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB  

    Crédito da imagem: Freepik 

     

     

  • Belém do Pará é escolhida para sediar a COP30: entenda os motivos e desafios

    Belém do Pará é escolhida para sediar a COP30: entenda os motivos e desafios

    Realização do evento no coração da Amazônia visa destacar a importância do bioma na luta contra a mudança climática e demonstra o compromisso ambiental do Brasil. Porém críticas internacionais obrigaram o governo a intervir para garantir um evento inclusivo

     

    A ideia de trazer a 30.ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30) para o Brasil surgiu logo após a eleição de 2022. Durante a COP27 no Egito, em novembro daquele ano, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, ao assumir o governo, defenderia a realização da COP30 em solo brasileiro, de preferência em uma cidade da Amazônia, citando Manaus ou Belém.  

    Na mesma ocasião, governadores da região Norte articularam apoio. Helder Barbalho, governador do Pará, entregou a Lula uma carta dos estados da Amazônia Legal pleiteando que o presidente negociasse a realização de uma conferência climática na região amazônica. O próprio Helder sugeriu diretamente que Belém fosse a cidade anfitriã do evento. Em 11 de janeiro de 2023, já empossado, Lula reuniu-se com Barbalho e oficializou Belém como candidata do Brasil para sediar a COP30 de 2025. A proposta brasileira foi encaminhada pelo Itamaraty às Nações Unidas, concretizando a candidatura paraense.. 

    A confirmação de Belém como sede da COP30 foi celebrada pelo governo e apoiada internacionalmente por vários motivos. Entre as principais razões da escolha, destacam-se: 

     – Localização estratégica no bioma amazônico: Belém fica no coração da Amazônia, um ecossistema essencial para conter o aquecimento global; 

    – Levar a conferência climática para a Amazônia coloca os holofotes sobre a região que concentra grande parte da biodiversidade mundial e desempenha papel crítico na regulação do clima.  

    – Mostrar a realidade amazônica ao mundo: O Governo Federal defendeu a realização da COP no Pará para que líderes mundiais e delegações estrangeiras conhecessem in loco a Amazônia, suas florestas, rios, fauna e os desafios socioambientais da região. A conferência na capital paraense permitiria que a comunidade internacional vivenciasse de perto a realidade local, dando voz aos povos amazônicos e às questões regionais no centro do debate climático. 

    – Apoio internacional e rodízio regional: A decisão final sobre a sede seguiu o critério de rodízio entre grupos regionais adotado pela ONU. O ano de 2025 caberia a um país da América Latina e Caribe sediar e o Brasil foi oficializado como anfitrião durante a COP28 em Dubai (2023). Com amplo apoio dos países vizinhos, a indicação de Belém foi aprovada por unanimidade pelo grupo latino-americano e recebeu a anuência da ONU. 

    Assim, a COP30 marcará a primeira vez que uma cidade brasileira sediará a conferência do clima da ONU, um feito histórico celebrado pelo país. A escolha também simboliza a reinserção do Brasil como líder positivo na agenda climática global, sinalizando confiança internacional nas políticas ambientais do novo governo. 

    Além desses motivos, pesou a articulação política interna. A parceria entre o governo federal e o Pará garantiu o engajamento local necessário. Analistas políticos destacam que Belém vem recebendo investimentos em infraestrutura para estar preparada e deixar um legado positivo à população após o evento. Para o governador Helder Barbalho, sediar a COP30 é uma oportunidade de mostrar que a Amazônia “está preparada para receber o planeta” e de provocar o mundo a discutir a Amazônia sob a ótica dos amazonenses, conciliando desenvolvimento sustentável com a conservação da floresta.  

    Críticas internacionais – Apesar do entusiasmo com a “COP da Amazônia”, a indicação de Belém trouxe também desafios práticos. A comunidade internacional manifestou preocupações especialmente com a capacidade de hospedagem na cidade. Desde o começo do ano, os preços de hotéis e alugueis em Belém dispararam em função da alta demanda esperada, chegando a valores 10 a 15 vezes acima do normal. Esse aumento excessivo gerou críticas de delegações estrangeiras e até pedidos formais para que o local do evento fosse alterado. A ONU temia que países mais pobres pudessem deixar de comparecer à cúpula climática devido aos custos proibitivos.  

    Diante da repercussão negativa, o Governo Brasileiro reafirmou a manutenção de Belém como sede e mobilizou esforços para solucionar o problema, envolvendo órgãos federais, estaduais e o setor hoteleiro. Medidas legais foram adotadas: a Justiça do Pará determinou que plataformas de reserva como Booking e Agoda coíbam cobranças abusivas, exigindo a revisão de tarifas muito acima da média e impondo multas diárias em caso de descumprimento. Paralelamente, órgãos de defesa do consumidor, o Ministério Público estadual e a Casa Civil da Presidência atuaram para investigar e coibir práticas de preços abusivos durante o evento.  

    Como resultado das negociações, o governo conseguiu assegurar condições de hospedagem mais acessíveis para os participantes de menor poder aquisitivo. Delegações de países de baixa renda e pequenas ilhas, por exemplo, terão ao menos 15 quartos garantidos a preços compatíveis com o mercado. Autoridades locais também iniciaram parcerias para ampliar a oferta de acomodações alternativas e melhorar a infraestrutura urbana temporária. O objetivo dessas ações é tornar a COP30 em Belém a mais inclusiva possível, permitindo a participação ampla de sociedade civil, povos tradicionais e representantes de nações vulneráveis, apesar dos obstáculos logísticos.  

    Em audiências no Congresso, o embaixador André Corrêa do Lago (que preside a COP30)  reiterou que “o plano B é Belém”, descartando qualquer mudança de sede. Ele reconheceu a natureza simbólica da escolha: uma cidade amazônica que representa desafios enfrentados pela maioria do mundo em desenvolvimento. Ao mesmo tempo, Corrêa do Lago admitiu a preocupação com os preços exorbitantes e enfatizou a necessidade de revertê-los para garantir a participação de todos os interessados. Com a intervenção governamental e a pressão internacional, os valores das diárias começaram a recuar gradualmente nos últimos meses, reforçando o compromisso de se alcançar um equilíbrio entre a viabilidade econômica local e o interesse público global.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: GovPA 

  • Jovens alagoanos recebem treinamento no FRB Participa+

    Jovens alagoanos recebem treinamento no FRB Participa+

    Momentos de interação e insights mostraram que o jovem preparado pode mudar o cenário onde vive

     

    Maceió/AL – Conhecimento e informação, esses foram os motes que marcaram a jornada imersiva vivenciada pelos jovens alagoanos no sábado (25). A Fundação Republicana Brasileira (FRB) e a Faculdade Republicana realizaram o FRB Participa+, em Maceió, com o objetivo de incentivar os jovens a conectarem o sucesso profissional com à responsabilidade cidadã.

    Empreendedorismo, inovação e formação política são os pilares que movem esse projeto, que vai além de um espaço de capacitação, é uma oportunidade para que os jovens descubram seu potencial, desenvolvam habilidades e se tornem grandes agentes de transformação. A participante Greice Kelly destacou: “Todos os ensinamentos que foram dados hoje eu vou guardar e vou botar em prática. Vou levar esse tema, que é energia, tanto para minha vida quanto para o meu futuro e crescimento”.

    O encontro foi marcado por muitos insights, interação e troca de experiências, estimulando o desenvolvimento de ideias originais, a empregabilidade e a autonomia financeira. O secretário nacional do Movimento Jovens Republicanos, Wallacy Rocha também abriu o ciclo de palestras do dia, com o tema “Energia para Transformar: por que o jovem deve participar da política?”, e reforçou a importância do engajamento político: “Já passamos por vários estados e chegamos aqui em Alagoas, uma experiência incrível, porque encontramos jovens muito interessados, trocando ideias, fazendo networking, aprendendo. Tenho certeza de que esses jovens farão a diferença, porque o que eles aprenderam aqui, eles vão praticar. A juventude é o maior símbolo de energia de uma nação”.

    O cientista político da FRB, Fábio Vidal, abordou a transformação da forma de fazer política ao longo dos anos e o impacto disso sobre os jovens:

    “É importante ressaltar que o modo como nós fazemos política e nos relacionamos politicamente mudou, e mudou muito com o avanço da internet e das redes sociais. Isso exige que o jovem esteja preparado para essa renovação, sabendo mobilizar de forma diferente. O caminho da democracia no Brasil não é tão bonito como o que foi apresentado, mas é o nosso caminho”.

    O secretário estadual do Movimento Jovens Republicanos em Alagoas, Oliveira Lima, demonstrou entusiasmo com o sucesso do evento e com o engajamento dos participantes: “Estou muito feliz porque vimos o entusiasmo, a energia e a alegria dos jovens em participar desses debates. Eu vejo uma juventude que entrou de uma forma e saiu de outra, transformada por meio do evento FRB Participa+.”

    Já o estrategista político Guto Ferreira trouxe uma reflexão provocadora na palestra “O que é conservadorismo e o que é radicalismo?”, destacando a importância de oferecer informação de qualidade, livre de ideologias:

    “Os jovens precisam de mais informação, pois o futuro do país depende basicamente deles. Quanto mais conhecimento a gente entregar de forma não ideológica e não direcionada, mais preparados eles estarão para debater com qualidade, entender o funcionamento do país e do Estado. Eu gosto de desafiá-los, debater com eles e mostrar pontos importantes para a convivência em sociedade.”

    A Fundação Republicana Brasileira segue levando, aos quatro cantos do Brasil, educação política de qualidade, formando cidadãos capazes de fazer a diferença em seu cotidiano e em suas comunidades, porque o conhecimento transforma pessoas, e pessoas transformam o mundo.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB

    Foto: Equipe do Jovens Republicanos Alagoas

  • FRB Mobiliza Módulo 6 reúne participantes de todo o Brasil em um encontro sobre marca, narrativa e comunicação eficaz

    FRB Mobiliza Módulo 6 reúne participantes de todo o Brasil em um encontro sobre marca, narrativa e comunicação eficaz

    Com palestras de Guto Ferreira e Gilmar Arruda, o evento on-line destacou a importância da estratégia, da coerência narrativa e do propósito na construção de marcas sólidas e autênticas

    Brasília/DF – No dia 24 de outubro, a Fundação Republicana Brasileira (FRB) realizou o Módulo 6 do FRB Mobiliza, em formato on-line, reunindo participantes de diversas regiões do país em mais uma edição marcada por aprendizado, interação e propósito.

    A abertura foi conduzida pela mestra de cerimônias Denise Matos, que iniciou o encontro com entusiasmo e acolhimento. Em seguida, o estrategista nacional do Republicanos, Guto Ferreira, apresentou a palestra “Marca e história errada: narrativa estragada”, ressaltando a importância da coerência entre discurso e identidade na construção de marcas que inspiram confiança e credibilidade.

    Na sequência, a presidente da FRB, Renata Sene, deixou uma mensagem especial de agradecimento à equipe pelo empenho nas atividades da Fundação, especialmente no FRB Mobiliza, e convidou todos para a última edição do programa, a ser realizada de forma presencial em São Paulo e Brasília, no mês de novembro.

    Os palestrantes Guto Ferreira e Gilmar Arruda participaram presencialmente na sede da FRB, em Brasília, acompanhados pela equipe da Fundação, responsável pela organização e condução técnica do encontro, garantindo uma transmissão dinâmica, interativa e de alto nível para todo o país.

    O evento contou ainda com um momento de reconhecimento aos voluntários da Fundação, conduzido pela gerente Gabrielle Assumpção e pela coordenadora administrativa Gabriela Alves. Ambas destacaram a importância do trabalho voluntário na história da FRB e recordaram que muitos colaboradores iniciaram suas trajetórias como voluntários, vivenciando o verdadeiro espírito de dedicação, aprendizado e propósito coletivo.

    Na etapa seguinte, o estrategista de marketing político e eleitoral Gilmar Arruda apresentou a palestra “Planejamento para uma comunicação eficaz”, abordando a relevância da estratégia e do alinhamento entre mensagem e propósito para a obtenção de resultados consistentes.

    Ao longo de todo o encontro, o público pôde interagir com perguntas aos palestrantes e participações ao vivo, compartilhando experiências e percepções sobre o impacto do FRB Mobiliza em suas trajetórias pessoais e profissionais.

    O módulo encerrou-se com a sensação de dever cumprido, refletindo o propósito da FRB e da Faculdade Republicana, que agora atuam em parceria institucional, conferindo aos cursos da Fundação a chancela de uma Instituição de Ensino Superior reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC). Essa integração fortalece a união entre experiência prática e excelência acadêmica, ampliando o alcance, reforçando a identidade e reafirmando o compromisso da FRB como agente de transformação social.

    Reconhecida por sua trajetória na formação cidadã e política, a Fundação segue expandindo sua atuação por meio da Faculdade Republicana, oferecendo novos cursos gratuitos com certificação oficial e consolidando seu papel de educar, inspirar e transformar a sociedade.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB

    Fotos: Carlos Gonzaga – Ascom FRB

  • Financiamento Climático e Proteção das Florestas Avançam em Belém durante a COP30

    Financiamento Climático e Proteção das Florestas Avançam em Belém durante a COP30

    A conferência marca novos compromissos globais para manter florestas em pé, ampliar os recursos climáticos e fortalecer a governança ambiental em países vulneráveis

    A COP30 em Belém está se destacado não apenas pelas negociações políticas, mas pela apresentação de modelos concretos de financiamento capazes de transformar a ação climática nos próximos anos. Entre esses avanços, o lançamento do Fundo “Florestas Tropicais para Sempre” tornou-se um dos anúncios mais simbólicos da conferência, especialmente por surgir em plena Amazônia, região que concentra parte fundamental dos ecossistemas que regulam o clima global. 

    O fundo, idealizado pelo Brasil e apoiado por países tropicais, propõe um modelo contínuo de remuneração pela conservação. Diferente de mecanismos baseados em créditos de carbono, a iniciativa prevê investir os recursos arrecadados e utilizar apenas os rendimentos para pagar nações que mantêm suas florestas em pé, estimulando políticas de preservação contínua. Até o momento, mais de US$ 5 bilhões já foram prometidos por governos do Brasil, Indonésia, Noruega, França, Portugal e Alemanha, aproximando-se da metade da meta inicial de US$ 10 bilhões. O Brasil entrou com aporte de US$ 1 bilhão, o mesmo valor da Indonésia, enquanto a Noruega anunciou até US$ 3 bilhões condicionados a critérios de governança. 

    Ponto considerado estratégico da proposta, 20% dos recursos devem beneficiar diretamente povos indígenas e comunidades tradicionais, reforçando a ideia de que a proteção das florestas passa pelo fortalecimento das populações que historicamente garantem sua conservação. Líderes indígenas e ambientalistas celebraram a medida, mas alertaram que o sucesso depende de salvaguardas robustas para impedir que o financiamento estimule práticas econômicas que contradigam o propósito de proteção ambiental. Transparência, governança participativa e regras claras foram apontadas como requisitos essenciais para manter a credibilidade internacional do fundo. 

    Em paralelo ao anúncio amazônico, as negociações oficiais avançaram em uma agenda mais ampla de financiamento climático. As presidências da COP29 (Azerbaijão) e da COP30 apresentaram o chamado Mapa do Caminho de Baku a Belém, documento que propõe mobilizar ao menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar países em desenvolvimento. A cifra é superior em mais de dez vezes à antiga promessa dos US$ 100 bilhões anuais, frequentemente descumprida ao longo da última década, e indica que a crise climática exige uma reconstrução profunda da arquitetura financeira internacional. 

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou os avanços da COP30 até o momento como um “ponto de inflexão” para a mobilização de recursos, lembrando que o financiamento climático não deve ser visto como gesto de solidariedade, mas como investimento para evitar danos econômicos irreversíveis associados ao aquecimento global. Para ele, proteger florestas, ampliar adaptação e fortalecer comunidades vulneráveis reduz custos futuros e amplia segurança planetária. 

    Outro tema sensível discutido nesses primeiros dias em Belém foi a operacionalização do fundo de perdas e danos, mecanismo criado para compensar países afetados por desastres climáticos. Apesar de já reconhecido em COPs anteriores, o fundo carecia de definições claras sobre quem paga, quanto contribui e como os valores serão distribuídos. Delegações de países vulneráveis pressionaram por compromissos objetivos e regras de desembolso mais rápidas, ressaltando que eventos extremos já geram impactos desproporcionais em nações pobres, sem capacidade financeira para reconstrução. 

    Além dos acordos multilaterais, a COP30 também registrou anúncios paralelos de bancos internacionais, empresas e instituições financeiras comprometidas com investimentos em energia limpa, agricultura sustentável e adaptação baseada em ecossistemas. A combinação entre fundos públicos, financiamento privado e mecanismos mais recentes de crédito busca preencher a lacuna histórica entre promessas e execução, garantindo os meios necessários para que o Acordo de Paris avance de forma mais equitativa. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Bruno Peres/Agência Brasil 

     

  • Clima e Justiça Social são os principais assuntos nos primeiros dias da COP30 em Belém

    Clima e Justiça Social são os principais assuntos nos primeiros dias da COP30 em Belém

    Laços entre ação climática e justiça social marcam os primeiros compromissos oficiais do evento. Combate à fome e à pobreza, garantia de informação climática confiável e proteção aos mais vulneráveis ganham destaque na conferência do clima realizada no Pará

    A COP30, realizada em Belém em 2025, começou marcando uma virada histórica ao colocar a justiça social no centro da ação climática global. O principal símbolo desse avanço foi a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, adotada por 43 países e pela União Europeia. O documento reconhece que, embora a crise climática atinja todos, seus impactos recaem de forma desproporcional sobre populações vulneráveis. Pela primeira vez, o combate à fome e à pobreza foi incorporado como elemento estruturante das estratégias climáticas internacionais, com metas anuais para ampliar proteção social, fortalecer adaptação centrada nas pessoas e priorizar meios de subsistência sustentáveis para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos da floresta. 

    A chamada “coalizão de Belém” consolidou um consenso internacional: não haverá ação climática efetiva sem reduzir desigualdades. O texto recomenda que países integrem essa abordagem em seus compromissos climáticos nacionais e prevê revisões até 2030. Lideranças como o Ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias e a Diretora Executiva do Fundo Verde para o Clima (GCF), Mafalda Duarte, destacaram que justiça social e ação climática são dimensões inseparáveis, especialmente em nações que sofrem impactos severos apesar de terem pouca responsabilidade histórica pelas emissões. 

    Outra inovação decisiva nos primeiros dias da COP30 foi a inclusão inédita da integridade da informação climática na agenda oficial da ONU. A Declaração sobre Integridade da Informação, lançada em Belém, alerta para os danos provocados por fake news, negacionismo científico e ataques a jornalistas e cientistas. O documento, apoiado por países das Américas e da Europa, defende dados confiáveis como condição para políticas eficazes e anuncia um Fundo Global contra a desinformação, iniciado com US$ 1 milhão do Brasil. Para a CEO da COP30, Ana Toni, esta é “a COP da Verdade”, pois não existe justiça climática sem informação correta e acessível. 

    A proteção às populações vulneráveis permeou debates e anúncios. Ganharam força instrumentos como seguros agrícolas, ampliação de redes de proteção social e políticas de adaptação voltadas a quem está na linha de frente dos eventos extremos. A justiça intergeracional também ganhou espaço, com jovens exigindo participação nas decisões, ampliando uma agenda que já reconhece a infância como grupo particularmente afetado pela crise climática. 

    A participação indígena também atingiu dimensões inéditas. Lideranças defenderam a demarcação de territórios como estratégia climática essencial, já que terras indígenas funcionam como importantes sumidouros de carbono. O Brasil propôs destinar um mínimo de 20% dos recursos do novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre a povos indígenas e comunidades tradicionais, buscando corrigir a desigual distribuição de financiamentos. Atualmente, apenas 1% chega diretamente a esses territórios. 

    A interseccionalidade também guiou discussões sobre justiça climática com recortes de raça e gênero. Comunidades quilombolas, povos afrodescendentes, mulheres e populações rurais foram reconhecidos como grupos que sofrem impactos agravados e devem ser priorizados nas políticas de adaptação. Na “Cúpula de Belém pelo Clima”, líderes assumiram compromissos contra o racismo ambiental e pela igualdade de gênero dentro da política climática. 

    Além da diplomacia, a sociedade civil teve papel central na conferência. A Cúpula dos Povos reuniu cerca de 10 mil participantes no campus da Universidade Federal do Pará, fortalecendo pautas como soberania alimentar, agroecologia e justiça climática nos territórios. Cozinhas solidárias e alimentos agroecológicos simbolizaram, na prática, os valores defendidos por ativistas e organizações. Movimentos sociais também presentes no evento, reforçaram a ideia de que justiça climática começa nas comunidades, com soluções locais e participação popular. 

    Marchas e atos públicos tomaram as ruas de Belém com o apelo (em inglês) por climate justice now, cobrando ações concretas para a transição energética justa, proteção da Amazônia e fim da expansão de combustíveis fósseis. A presença forte de povos amazônicos, juventudes e movimentos sociais levou para dentro da zona de negociações o sentido humano da crise, lembrando que estatísticas sobre aquecimento global correspondem a vidas vulneráveis e territórios ameaçados. 

    Combinando diplomacia, ciência, mobilização social e protagonismo amazônico, a COP30 está até o momento consolidando Belém como marco internacional de uma ação climática que não separa clima, direitos humanos e combate às desigualdades. O evento tem elevado o entendimento global de que enfrentar a crise climática significa, sobretudo, proteger pessoas, hoje e nas próximas gerações. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil