Faltando pouco menos de um ano para as eleições, a tendência é que, a partir de agora, todos acompanhem com maior frequência a divulgação de pesquisas eleitorais realizadas pelos institutos e publicadas pelos principais veículos de comunicação do país
Esses levantamentos buscam “decifrar a realidade” na qual os eleitores estão inseridos, permitindo compreender seus valores, percepções e expectativas diante de diferentes temas. Dessa forma, candidatos e gestores podem evitar posturas desalinhadas às demandas do eleitorado, ajustando suas ações conforme o contexto da disputa.
Como os cenários, influenciados por eventos conjunturais e circunstâncias, se transformam, essas mudanças podem impactar diretamente o comportamento dos eleitores. Sendo assim, o papel das pesquisas é justamente verificar como esses valores se alteram, possibilitando que o candidato adeque seu posicionamento ao longo da trajetória e identifique qual tendência poderá definir a escolha do eleitor.
Existem dois tipos principais de pesquisas utilizadas em campanhas eleitorais: qualitativas e quantitativas.
- A pesquisa qualitativa, realizada com um pequeno grupo de pessoas selecionadas conforme perfis específicos, capta manifestações espontâneas sobre temas que não poderiam ser explorados com profundidade em um questionário padronizado. Por meio dela, avaliam-se a imagem do candidato e de seus adversários, seus pontos fortes e fracos, os principais temas da campanha, entre outros aspectos ligados, como a comunicação.
- Já a pesquisa quantitativa busca mensurar, de forma estatística, tendências de opinião do eleitorado pesquisado. É com ela que se identificam, por exemplo, o nível de conhecimento sobre um candidato, sua rejeição, o peso de determinados temas conforme prioridades e valores do eleitor, além dos percentuais de intenção de voto de cada concorrente.
Vale ressaltar que as pesquisas qualitativas e quantitativas são complementares e, mais do que indicar quem lidera as intenções de voto, devem ser utilizadas como instrumentos centrais na definição da estratégia eleitoral, desde a segmentação do público-alvo, passando pelo posicionamento do candidato, até a construção das narrativas e mensagens-chave que orientarão todo o processo de comunicação da campanha.
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Texto: Gilmar Arruda – Estrategista Político
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil