Você teria condições de escolher o capitão da seleção brasileira? E o presidente do Brasil?

 

2018 promete bastante para o cidadão brasileiro. Quatro meses já se foram e em junho começa o evento mais esperado do ano – não só por brasileiros, mas por todos aqueles que amam ver a bola rolar no gramado. A Copa do Mundo na Rússia já se aproxima e como o Brasil é declaradamente o país do futebol, é natural que estejamos ansiosos por este acontecimento. Entretanto, sabe-se também que 2018 é um ano eleitoral, no qual os cidadãos terão a oportunidade de escolher o seu novo presidente da República.

Diferentemente da Copa, as eleições não valem apenas como título. A nossa escolha possui impactos pesados que podem mudar os rumos do país para melhor ou pior. O mundial durará praticamente um mês, já a escolha do seu representante pode colocar alguém à frente da Nação durante quatros anos. Ou melhor, é bem provável que a sua decisão em outubro eleja o presidente que chefiará o Estado até a Copa de 2022. E é por este motivo que nós precisamos conhecer a fundo as características que o futuro presidente precisa ter.

Em um time de futebol, é escolhido como capitão aquele jogador que tem a maior capacidade de liderança dentro do elenco. É necessário que seja um jogador com voz ativa dentro de campo, respeitado pelos demais e que também seja um exímio conciliador. Cabe ao capitão conversar com o árbitro sobre as regras do jogo e principalmente aquietar os ânimos do time nos momentos de conflito. Assim como o capitão, o presidente que assumir o Brasil em 2019 deverá ter pulso firme. A capacidade de mediar e conciliar conflitos será bastante cobrada de quem almeja esse cargo. Isto porque sem ouvir os seus pares, principalmente com pouca articulação dentro do Congresso Nacional, o governo estará fadado ao fracasso. Tal habilidade tem muito a ver com um termo recorrente da Ciência Política que é a governabilidade. Dispor de governabilidade, em outras palavras é: ter o apoio do Congresso para conseguir executar o seu plano de governo. Sem essa aptidão, o Executivo não tem força para aprovar as matérias de seu interesse e fica perdido em meio ao fogo cruzado da oposição.

Ao eleger um presidente, que normalmente acontece de quatro em quatro anos, é transferida ao eleitor a capacidade de ser o técnico da seleção e escolher o capitão dessa grande partida. Assim como o capitão de time que carrega uma faixa no braço por cima do uniforme, utilizar a faixa presidencial requer um perfil pré-estabelecido e que no caso da corrida presidencial pode exigir outras habilidades dependendo da estabilidade moral e econômica do país.  Embora ainda nem tenhamos certeza de quem são os prováveis candidatos e quais são suas propostas, o cidadão já tem em mente, mesmo que de forma desorganizada, o que o país necessita.

Segundo os resultados de uma pesquisa recente realizada pela Confederação Nacional da Industria – CNI, em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística – IBOPE, na opinião de 44% dos entrevistados o próximo presidente deve priorizar o social, focando em melhorias da educação, saúde e segurança. Em segundo lugar, a pesquisa também observou que os temas “moralização da política” e “combate à corrupção” representaram 32% das preferências. No entanto, a estabilização econômica que compõe a redução da inflação e busca pelo pleno emprego foi citada por 21% dos participantes da pesquisa.

Os resultados da pesquisa CNI/IBOPE trazem à tona uma questão interessante a respeito do perfil do próximo presidente. A maioria da população espera que novo líder resolva os problemas sociais, mas ao mesmo tempo ofereça estabilidade econômica. Veja que ambas as bandeiras estão historicamente vinculadas a ideologias distintas. Os partidos de esquerda estão tradicionalmente mais voltados para as questões sociais, já a direita, que defende menor intervenção do Estado na economia, tenta sugerir maior segurança econômica aos cidadãos. No entanto, o que se pode concluir é que o perfil do novo presidente está bastante distanciado dos discursos das extremidades. Um presidente competente deverá proporcionar boas condições econômicas, ao mesmo tempo em que luta para reduzir as desigualdades sem perder de vista a moralidade no exercício do seu mandato, o que deveria ser um princípio básico de qualquer um que busca exercer a atividade política.

Outra atribuição do capitão que não foi mencionada é poder levantar o troféu ao final do campeonato. Para um bom presidente da República, erguer a taça pode significar o fato de ter chegado ao final de quatro anos de mandato e conseguido levar adiante a maioria das suas propostas, entregando o país economicamente estável, sem crises e impasses. Agora que já conhece o perfil de um bom candidato à presidência, você teria condições de exercer o papel do técnico e eleger o capitão do Brasil? Pare, pense, reflita! E que você esteja pronto para tomar a decisão correta no dia 7 de outubro.

Renato Junqueira – presidente da Fundação Republicana Brasileira