Autor: Mazé

  • Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Proposta brasileira de roteiro para afastamento dos combustíveis fósseis obtém apoio de mais de 80 países, porém é excluída do documento final da COP30 e segue como iniciativa voluntária sob presidência brasileira até 2026

     

    Durante a realização da COP30, realizada em Belém, o governo brasileiro colocou no centro das discussões internacionais climáticas uma proposta de grande impacto simbólico e estratégico, denominada “Mapa do Caminho”. Trata-se de um roteiro para a transição dos combustíveis fósseis — petróleo, gás e carvão — para economias de baixo carbono, apresentado como parte de uma agenda mais ampla de justiça climática e liderança global. A iniciativa ganhou visibilidade ao ser mencionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula de líderes que antecedeu a conferência, e mobilizou vários países a se engajarem no desenho de um futuro sem dependência de combustíveis fósseis.  

    O “Mapa do Caminho” propõe que os países, especialmente aqueles mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e com economias ainda baseadas em combustíveis fósseis, desenvolvam trajetórias claras e cientificamente embasadas para reduzir progressivamente o uso de tais fontes energéticas, ao mesmo tempo em que se promovem alternativas limpas, energia renovável, adaptação e mecanismos de financiamento climático. Segundo a publicação da agência nacional de notícias, a ministra Marina Silva reforçou que “o Mapa do Caminho já não é mais uma proposta apresentada pelo Brasil, pelo Presidente Lula, mas por dezenas de países e por milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, chancelada pela comunidade científica”.  

    A importância da proposta no contexto da COP30 residiu em três vetores principais. Primeiro, ela elevou a agenda dos combustíveis fósseis — historicamente um tabu nas negociações climáticas globais — ao centro das articulações diplomáticas. Conseguiu o apoio expresso de mais de 80 nações que passaram a defender um “roadmap” para afastamento dos fósseis.  

    Segundo ela colocou o Brasil em posição de protagonismo internacional no debate climático, reforçando sua presidência da COP30 e a expectativa de que o país atue como articulador de uma agenda de transição justa, especialmente voltada às economias emergentes e aos povos tradicionais da Amazônia. Terceiro, embora não tenha sido incorporada ao documento oficial final da COP30 — conforme reconhecido pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, que afirmou que o mapa “não fica no texto” oficial —, a proposta foi deixada como um compromisso voluntário e um mecanismo de pressão para futuras negociações.  

    No entanto, o percurso da proposta encontrou resistências significativas. Durante as negociações finais da COP30, blocos de países produtores e exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Rússia, bem como a Índia, articularam para impedir que o “Mapa do Caminho” fosse incorporado ao “Mutirão Global”, o pacote de decisões da conferência, alegando que qualquer menção explícita aos combustíveis fósseis comprometeria o desenvolvimento econômico de suas nações. Como resultado, embora a proposta tenha avançado em fóruns paralelos e no discurso diplomático, a versão final aprovada na plenária de Belém não incluiu menção ao “Mapa do Caminho”. 

    Apesar dessa exclusão formal, os organizadores e o governo brasileiro transformaram a iniciativa em um mecanismo de continuidade: foi anunciada a constituição de um grupo técnico voluntário, sob coordenação da presidência da COP30, para elaborar até a próxima edição da conferência um relatório que subsidie a implementação do mapa, com a primeira reunião prevista para abril de 2026 na Colômbia. Essa articulação mostra que o “Mapa do Caminho” deixa de ser apenas uma proposta retórica e passa a integrar um processo contínuo de mobilização internacional. 

    Para o Brasil, a apresentação do “Mapa do Caminho” representa tanto oportunidade quanto desafio. O país assume uma responsabilidade diplomática e simbólica de liderar a transição para uma economia de baixo carbono, em especial considerando sua posição geográfica na Amazônia e seu enorme potencial em energia renovável e conservação. Isso pode reforçar sua imagem como ator de relevo no cenário climático global. Por outro lado, tutela tensões internas, entre o discurso de liderança e a necessidade de compatibilizar exploração de combustíveis fósseis, políticas de desenvolvimento regional, e as exigências do setor produtivo e energético nacional. Analistas destacaram que, mesmo que o mapa seja bem-intencionado, ele exigirá investimentos robustos, gestão política firme e mecanismos eficazes de monitoramento, além de ser pressionado por uma lógica global na qual os combustíveis fósseis continuam centrais para diversas economias. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Wagner Meier/Getty Images 

  • Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    FRB participa do evento no Pará e acompanha propostas voltadas à proteção ambiental

     

    Pará/PA – Entre os dias 10 e 12 de novembro, a Fundação Republicana Brasileira (FRB), representada por sua presidente, Renata Sene, participou da COP30, em Belém, no Pará. No Parque da Cidade, onde ocorreu a programação, a FRB acompanhou diversas apresentações na Green Zone e foi indicada para debates sobre estratégias e soluções voltadas à preservação do clima.

    Convidada pela associação ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, a Fundação apresentou o estudo “Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas”, que reúne propostas de mitigação e adaptação climática para cidades mais preparadas e resilientes. A instituição destacou seu orgulho em compartilhar um trabalho alinhado à sua atuação, pautada na defesa da sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente. Cada espaço do Parque refletia ideias inovadoras e experiências inspiradoras para promover um futuro ambientalmente responsável.

    Inovar faz parte da identidade da FRB, que se tornou a primeira fundação partidária a apresentar uma contribuição dessa relevância na COP30. O feito reforça seu protagonismo e seu compromisso com políticas públicas voltadas ao fortalecimento de cidades inclusivas, resilientes e alinhadas à Agenda 2030. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) orientam ações dos governos para que ninguém seja deixado para trás, e a Fundação compreende que proteger o planeta exige planejamento eficiente e esforços integrados.

    “A Fundação foi convidada por um instituto importante da América Latina, o ICLEI, a estar presente na COP30. Só que nós não fomos apenas participar, fomos ser uma voz ativa. Para isso, a Fundação Republicana encomendou um caderno para apresentar projetos de mitigação e boas práticas locais dos municípios. O Caderno estará à disposição de vocês para que falem sobre clima com propriedade, onde quer que estejam. Ou vocês acham que o clima não vai nos atingir? 87 % da população brasileira vive em cidades, e sabemos que 7 a cada 10 municípios já foram atingidos, de alguma forma, por eventos climáticos: fortes chuvas, secas e até terremotos, acredite, há cidades de Minas Gerais que já registraram. Tudo isso traz consequências graves. A Fundação, com seu papel responsivo, trouxe soluções inteligentes alinhadas a boas práticas, demonstrando viabilidade legal, financeira e experiências reais”, declarou a presidente Renata Sene.

    Durante o maior evento climático do mundo, o Caderno de Boas Práticas também chegou à Blue Zone, espaço das negociações entre governos, lideranças e organizações internacionais. A deputada estadual Tia Jú apresentou o material à ONU, ampliando o alcance e a relevância das ações da Fundação.

    A presença da FRB na COP30 também permitiu destacar as contribuições da Subseção da Fundação no Pará aos moradores do estado. De acordo com a coordenadora da subseção no estado, Renata Hage, as iniciativas regionais têm ganhado protagonismo ao defenderem uma sustentabilidade participativa e consistente, algo reforçado pela atuação da Subseção em um evento global como a COP30.

    Na ocasião, houve ainda um encontro com o secretário de Estado de Justiça do Pará e presidente do Republicanos no estado, Evandro Garla, que destacou o impacto positivo da atuação da Fundação junto aos paraenses nesses dois anos de presença no território:

    “ É uma oportunidade de ensinar, de estar perto do povo, das políticas públicas, de ver, de fato, a política chegando ali na ponta. Quando uma equipe se desloca de Brasília até o Pará, estamos mostrando que é possível que aquela comunidade mude por meio da educação, do ensino, do aprendizado. E uma coisa que o povo paraense gosta muito é de aprender”, declarou Garla.

     

    O que propõe o Caderno de Boas Práticas:

    • Apresenta soluções para cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas.
    • Enfatiza o papel central dos municípios na implementação de medidas de mitigação e adaptação climática.
    • Recomenda como prioridade a mobilidade de baixo carbono, com transporte público de qualidade e tarifa zero, demonstrando que tais políticas reduzem emissões, geram empregos, ampliam a arrecadação municipal e fomentam justiça social.
    • Defende que parte dos US$ 1,3 trilhão anuais destinados ao financiamento climático global seja aplicada em ações locais.
    • Reforça a sintonia com os ODS 11 e 13 (Cidades Sustentáveis e Ação Climática).
    • Reafirma o compromisso da FRB com o desenvolvimento sustentável e com a construção de cidades que cuidam das pessoas e do meio ambiente.

    Estar em solo paraense trouxe uma nova perspectiva à Fundação, marcada pela empatia com a comunidade e pela compreensão da realidade amazônica. Foram dias de aprendizado e troca de experiências que evidenciaram o compromisso do Pará com a proteção do planeta. Uma certeza ficou clara: não há futuro climático possível sem ouvir a Amazônia e aqueles que a defendem diariamente. A FRB retorna fortalecida e ainda mais comprometida com a construção de um futuro resiliente e sustentável para todos.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB

     

  • Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Da mortalidade materna e infantil à crescente carga de doenças crônicas, um novo relatório mostra por que a ONU transformou a saúde em uma prioridade global e avalia o que ainda falta para que o Brasil cumpra as metas estabelecidas para 2030 

    A saúde e o bem-estar foram incluídos entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) porque representam direitos essenciais de todas as pessoas e constituem um requisito básico para o progresso social. A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou que milhões de indivíduos deixam de estudar, trabalhar ou superar a pobreza devido a doenças evitáveis e a barreiras no acesso aos serviços de saúde.
    A Comissão Europeia reforça essa perspectiva ao afirmar que altos índices de doenças acarretam enormes custos sociais e econômicos, além de influenciar outros ODS, como erradicação da pobreza, educação, igualdade de gênero e acesso à água. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que quase 100 milhões de pessoas são empurradas para a pobreza anualmente por gastos catastróficos em saúde e que metade da população mundial não dispõe de serviços essenciais, evidenciando a urgência da cobertura universal de saúde (CUS). 

    Além disso, aproximadamente 23% das mortes globais estão associadas a fatores ambientais, como poluição, saneamento inadequado e práticas comerciais prejudiciais. Esses dados reforçam a necessidade de políticas integradas que articulem saúde, meio ambiente e economia. Ao lançarem a Agenda 2030, os países comprometeram-se a reduzir desigualdades, ampliar o acesso a serviços e enfrentar determinantes sociais e ambientais para que ninguém seja deixado para trás.  

    Os números que acenderam o alerta global 

    Em meados da década de 2020, o cenário internacional apresentou avanços importantes, mas também lacunas significativas que justificaram a criação do ODS 3: Saúde e Bem-Estar. Segundo o relatório do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), a taxa de mortalidade materna diminuiu, mas ainda está longe da meta. Em 2015, morriam 228 mulheres a cada 100 mil bebês nascidos vivos por causas relacionadas à gestação, ao parto ou ao pós-parto. Em 2023, esse número caiu para 197 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos. Apesar da melhoria, o ritmo de queda é lento: para alcançar a meta da ONU, 70 mortes por 100 mil até 2030, o mundo precisará evitar cerca de 700 mil mortes maternas nos próximos anos.
    A mortalidade de crianças menores de cinco anos passou de 10,1 milhões em 2000 para 4,8 milhões em 2023. A taxa global de mortalidade infantil caiu para 37 por mil nascidos vivos, embora a velocidade de redução esteja diminuindo. A pandemia de COVID-19 também interrompeu campanhas de imunização, e muitas regiões ainda não recuperaram a cobertura vacinal, tornando difícil o alcance da meta de 90% até 2030.
    As doenças infecciosas continuam a representar um grande desafio. Em 2023, 39,9 milhões de pessoas viviam com HIV, sendo 9,3 milhões sem tratamento; as mortes relacionadas à AIDS, entretanto, caíram pela metade desde 2010. As notificações de tuberculose chegaram a 8,2 milhões, o maior número já registrado. Quanto à malária, embora 44 países tenham sido certificados como livres da doença até 2024, a incidência global voltou a crescer após a suspensão de programas durante a pandemia. 

    Como os países estão enfrentando o desafio  

    Cumprir o ODS 3 envolve muito mais do que reduzir taxas de mortalidade: exige sistemas de saúde resilientes e políticas que enfrentem determinantes sociais e ambientais. A ONU enfatiza que a cobertura universal, o fortalecimento da atenção primária e a integração com outras agendas, como educação, saneamento e redução das desigualdades, são fundamentais. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) aponta que a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados aumentou de 80% em 2015 para 87% em 2024; ainda assim, 17 milhões de nascimentos continuam ocorrendo sem assistência, especialmente na África.
    Outra preocupação é a escassez global de profissionais de saúde, que pode chegar a 11,1 milhões até 2030, sobretudo em países de baixa renda. Os países que investem no setor colhem benefícios como redução da pobreza e aumento da produtividade, já que populações saudáveis impulsionam o desenvolvimento sustentável. 

    Diversas iniciativas ilustram os avanços obtidos: 133 países já alcançaram a meta de mortalidade infantil, e 125 atingiram a meta de mortalidade neonatal. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS apoiam ações de testagem, tratamento e educação sexual. Ao mesmo tempo, a OMS alerta que a recuperação pós-COVID exige retomar campanhas de vacinação, combater a desinformação e ampliar o financiamento público em saúde. Embora o investimento internacional em pesquisa e assistência tenha crescido, ele ainda está aquém das necessidades globais. 

    O retrato brasileiro  

    O Brasil é signatário da Agenda 2030 e, com o seu sistema de saúde universal, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, oferece atenção primária, vacinação e tratamentos gratuitos a mais de 200 milhões de pessoas. Assim, o SUS contribuiu significativamente para a redução da mortalidade materna e infantil: a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados é elevada, e os índices de mortalidade neonatal e na infância aproximam-se das metas dos ODS. Projetos de telemedicina e unidades móveis também ampliam o acesso em áreas rurais e territórios indígenas.
    Apesar desses avanços, o país ainda enfrenta desafios expressivos. Um estudo de 2025, que analisou 40 indicadores do ODS 3 no Brasil, concluiu que apenas 5 (12,5%) têm chance de ser atingidos até 2030. Entre os indicadores com resultados mais promissores estão a proporção de partos assistidos por profissionais, a mortalidade de crianças menores de cinco anos, a mortalidade neonatal, a taxa de mortes no trânsito e a incidência de hepatite B. Já os indicadores referentes a mortes por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas mostram redução, mas permanecem distantes das metas.  

    O mesmo estudo destaca a queda preocupante da cobertura vacinal para difteria, tétano, coqueluche e segunda dose de sarampo, que atingiu apenas 64%. Um grupo da sociedade civil que acompanha a Agenda 2030 classificou 12 das 13 metas de saúde como estagnadas, em risco ou em retrocesso, recomendando ampliar o financiamento do SUS, fortalecer políticas de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, expandir a atenção em saúde mental e intensificar campanhas contra a desinformação.
    A boa saúde sustenta todos os demais objetivos de desenvolvimento. A ONU instituiu o ODS 3 porque reconheceu que doenças evitáveis e sistemas frágeis perpetuam a pobreza, a desigualdade e a exclusão social. Embora os dados globais mostrem avanços expressivos, eles também revelam que mulheres continuam morrendo no parto, crianças ainda sucumbem a doenças preveníveis e milhões convivem com HIV, tuberculose e outras enfermidades graves.  

    No Brasil, apesar de um sistema universal robusto e de políticas bem-sucedidas, apenas uma parcela reduzida dos indicadores apresenta trajetória compatível com as metas de 2030. Superar esses desafios exigirá compromisso político, maior financiamento público, fortalecimento da atenção primária e políticas intersetoriais que promovam ambientes saudáveis e equidade. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB  

    Crédito da imagem: Freepik 

     

     

  • Complexo Republicano realiza Semana da Privacidade e fortalece a cultura de proteção de dados

    Complexo Republicano realiza Semana da Privacidade e fortalece a cultura de proteção de dados

    Evento gamificado mobilizou equipes entre os dias 3 e 7 de outubro, reforçando a importância da LGPD no cotidiano institucional

    Brasília (DF) – A primeira semana de outubro foi marcada por uma iniciativa inédita no Complexo Republicano: a realização da Semana da Privacidade, voltada à conscientização sobre a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e ao fortalecimento de uma cultura sólida de segurança da informação. Promovida entre os dias 3 e 7 de outubro, a ação envolveu todos os colaboradores do Complexo, celetistas, prestadores de serviço, MEIs e PJs, em uma programação dinâmica, baseada na metodologia da gamificação.

    A abertura e o encerramento do evento contaram com a presença dos gestores, reforçando a relevância do tema e o compromisso institucional com boas práticas de proteção de dados. Ao longo da semana, equipes formadas por até cinco integrantes tiveram 15 minutos diários para cumprir desafios relacionados à privacidade e à segurança da informação. A pontuação acumulada definiu o time vencedor, anunciado durante a confraternização realizada na sexta-feira.

    Mais do que a competição, o objetivo principal da atividade foi plenamente alcançado: estimular o interesse, o cuidado e a atenção com os dados e informações administrados diariamente por cada colaborador em seu setor.

    Para Hemanuelle Albuquerque, CEO da Inteligência Profissional e responsável pelos processos no Complexo Republicano, a Semana da Privacidade trouxe uma abordagem prática, leve e educativa sobre temas que, muitas vezes, passam despercebidos no dia a dia institucional:

    “A Semana da Privacidade veio com um objetivo forte de trazer uma cultura de privacidade e segurança da informação dentro da instituição. A privacidade de dados está no nosso dia a dia, principalmente nas pequenas coisas. Os maiores incidentes acontecem em situações básicas, então preferimos trabalhar de forma diária e prática. A gamificação permitiu que funcionários e fornecedores entendessem a lei no cotidiano, enxergando o olhar da privacidade de dados e da segurança das informações. Tivemos a participação de praticamente todos e isso fortaleceu muito nossa cultura organizacional.”

    Para muitos participantes, a iniciativa funcionou como um alerta importante sobre cuidados fundamentais no ambiente de trabalho. Gabriel Ribeiro, colaborador do Complexo, ressaltou o impacto da ação:

    “A Semana da Privacidade foi muito importante para conscientizar sobre a LGPD, especialmente para quem chegou recentemente. Ela nos fez perceber como atitudes simples, como não bloquear o computador ao sair ou compartilhar arquivos sem atenção, podem gerar riscos. Foi um aprendizado para relembrar o que já sabíamos e também descobrir novos cuidados essenciais para a proteção de dados.”

    O encerramento do evento também marcou um momento de celebração do engajamento coletivo. Segundo Hanaynna Albuquerque, também CEO da Inteligência Profissional e responsável pelos processo

    s do Complexo Republicano, a vivência prática foi determinante para o sucesso da iniciativa.

    “A Semana da Privacidade permitiu que todos mergulhassem na LGPD de forma prática. Apenas teoria deixa o conhecimento superficial, e nosso lema é privacidade, segurança e responsabilidade. Foi incrível ver a animação das equipes, a interação e o esforço para cumprir as provas. O aprendizado aconteceu brincando e vivendo a prática. Isso elevou

     o nível de maturidade da LGPD dentro do Complexo Republicano e atingiu plenamente os objetivos do projeto.”

    Com provas diárias, criatividade na formação das equipes, engajamento entre os setores e um ambiente saudável de competição, a Semana da Privacidade consolidou-se como uma das ações mais participativas do ano. Mais do que premiar um time vencedor, a iniciativa deixou um legado relevante: o fortalecimento da consciência coletiva sobre a proteção de dados e a responsabilidade compartilhada no ambiente institucional.

    A ação reforça o compromisso do Complexo Republicano em manter a LGPD ativa e integrada às rotinas administrativas, garantindo segurança, maturidade e boas práticas em todos os processos internos.

    Assim, a iniciativa reforça o compromisso de manter a LGPD ativa e presente nas rotinas administrativas, garantindo segurança, maturidade e boas práticas em todos os processos internos.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Fotos: Carlos Gonzaga – Ascom FRB

  • Belém do Pará como sede da COP30: motivos, desafios e repercussões

    Belém do Pará como sede da COP30: motivos, desafios e repercussões

    A realização da COP30 no coração da Amazônia busca destacar a importância estratégica do bioma no enfrentamento às mudanças climáticas e reforça o compromisso ambiental do Brasil. No entanto, críticas internacionais levaram o governo a intervir para garantir que o evento seja inclusivo

    A ideia de trazer a 30ª Conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre Mudanças Climáticas (COP30) para o Brasil surgiu logo após as eleições de 2022. Durante a COP27, no Egito, em novembro daquele ano, o então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva declarou que, ao assumir o governo, defenderia a realização do evento em território brasileiro, preferencialmente em uma cidade amazônica, como Manaus ou Belém.  

    Na mesma ocasião, governadores da região Norte manifestaram apoio. Helder Barbalho, governador do Pará, entregou a Lula uma carta dos estados da Amazônia Legal solicitando que o presidente negociasse a realização da conferência na região. O próprio Helder sugeriu Belém como cidade-sede. Em 11 de janeiro de 2023, já no exercício do cargo, Lula reuniu-se com Barbalho e oficializou Belém como candidata brasileira para sediar a COP30 de 2025. O Itamaraty encaminhou a proposta às Nações Unidas, concretizando a candidatura do Pará.  

    A confirmação de Belém como sede da conferência foi celebrada pelo governo e recebeu apoio internacional por diversos motivos, entre eles: 

    • Localização estratégica no bioma amazônico: Belém está no coração da Amazônia, ecossistema essencial para conter o aquecimento global.   
    • Visibilidade para a realidade amazônica: o governo federal defendeu que a COP fosse realizada no Pará para que líderes e delegações estrangeiras vivenciassem a Amazônia de perto, suas florestas, rios, fauna e desafios socioambientais, dando centralidade às vozes e demandas dos povos amazônicos. 
    • Rodízio regional e apoio internacional: no corrente ano, o rodízio da ONU determinava que um país da América Latina e Caribe fosse o anfitrião. O Brasil foi oficializado como sede durante a COP28, em Dubai (2023), e a indicação de Belém foi aprovada por unanimidade pelo grupo latino-americano, recebendo anuência das Nações Unidas. 

     A COP30 marca a primeira vez que uma cidade brasileira sediará a conferência do clima da ONU, feito histórico para o país, e simboliza a reinserção do Brasil como liderança positiva na agenda climática global. Analistas ressaltam, ainda, que a articulação política entre o governo federal e o Pará proporcionou investimentos em infraestrutura, com potencial de deixar um legado para a população. Para Helder Barbalho, sediar o evento é uma oportunidade de mostrar que a Amazônia “está preparada para receber o planeta” e de estimular o mundo a discutir a região sob a perspectiva de seus habitantes, conciliando desenvolvimento sustentável e conservação da floresta. 

      

    Críticas internacionais e desafios logísticos 

    Apesar do entusiasmo com a chamada “COP da Amazônia”, a escolha de Belém trouxe desafios práticos. Delegações estrangeiras manifestaram preocupação com a capacidade de hospedagem na cidade. Desde o início do ano, os preços de hotéis e aluguéis aumentaram drasticamente, chegando a valores até 10 ou 15 vezes acima do normal. Essa escalada gerou críticas e até pedidos formais para que a sede fosse alterada. A ONU temia que países mais pobres pudessem ser impedidos de participar devido aos custos elevados.   

    Diante da repercussão, o Governo Brasileiro reafirmou Belém como sede e intensificou esforços para solucionar o problema, envolvendo órgãos federais, estaduais e o setor hoteleiro. Medidas legais foram adotadas: a Justiça do Pará determinou que plataformas como Booking e Agoda coibissem preços excessivos, exigindo revisão das tarifas e impondo multas diárias em caso de descumprimento. Órgãos de defesa do consumidor, o Ministério Público estadual e a Casa Civil também atuaram para investigar e conter práticas abusivas. 

    Como resultado, o governo garantiu condições mais acessíveis de hospedagem para delegações de menor poder aquisitivo. Países de baixa renda e pequenas ilhas terão, por exemplo, ao menos 15 quartos assegurados a preços compatíveis com o mercado. Autoridades locais iniciaram ainda parcerias para ampliar acomodações alternativas e melhorar estruturas urbanas temporárias, buscando tornar a COP30 a conferência mais inclusiva já realizada, com ampla participação da sociedade civil, povos tradicionais e nações vulneráveis. 

     Em audiências no Congresso, o embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reiterou que “o plano B é Belém”, descartando qualquer mudança. Ele reconheceu o forte simbolismo da escolha, uma cidade amazônica representando desafios comuns ao mundo em desenvolvimento, mas também reforçou a necessidade de reduzir os preços para garantir participação ampla. Com a intervenção governamental e a pressão internacional, as tarifas começaram a diminuir gradualmente nos últimos meses, demonstrando o esforço para equilibrar a viabilidade econômica local com o interesse público global. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Crédito da imagem: GovPA 

  • Evento FRB Valoriza 60+ reúne autoridades e destaca políticas de proteção à pessoa idosa no Recife

    Evento FRB Valoriza 60+ reúne autoridades e destaca políticas de proteção à pessoa idosa no Recife

    Realizado no dia 15 de novembro, no Hotel Luzeiros Recife, o evento FRB Valoriza 60+: Histórias que Inspiram, Futuro que Avança reuniu autoridades, especialistas e representantes da sociedade civil em um encontro dedicado ao debate sobre envelhecimento ativo, direitos, qualidade de vida e participação social da população idosa. A iniciativa registrou ampla adesão e foi avaliada de forma positiva por organizadores e participantes.

    Entre as autoridades presentes, destacou-se a participação da senadora Damares Alves, que ressaltou a necessidade de fortalecer políticas públicas voltadas à segurança, à proteção e à valorização da pessoa idosa no Brasil. Sua presença contribuiu para ampliar o alcance das discussões e reforçar a relevância do tema na agenda nacional.

    O encontro contou ainda com a presença do deputado federal Ossesio Silva, reconhecido por sua atuação na defesa dos direitos da população idosa. Em sua fala, o parlamentar enfatizou a importância da união de esforços e da participação ativa do poder público na construção de políticas eficazes para as pessoas com 60 anos ou mais.

    Segundo o deputado:

    “Ver este auditório cheio, com tantas autoridades e com a presença honrosa da senadora Damares Alves, mostra que estamos no caminho certo. A experiência das pessoas idosas ilumina o presente e precisa ser considerada na construção do futuro.”

    Ao longo da programação, foram abordados temas como envelhecimento saudável, prevenção da violência, combate a golpes financeiros, participação cidadã e garantia de direitos. Painéis e debates reforçaram a importância da articulação entre governo, instituições e sociedade civil para assegurar mais qualidade de vida à população acima de 60 anos.

    O FRB Valoriza 60+ foi encerrado com avaliação amplamente positiva dos participantes e com o compromisso renovado de ampliar ações de proteção e valorização da pessoa idosa em Pernambuco e em todo o país.

     

    Por: Assessoria do Republicanos 60+
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Fotos: Assessoria do Republicanos 60+

  • Jovens alagoanos recebem treinamento no FRB Participa+

    Jovens alagoanos recebem treinamento no FRB Participa+

    Momentos de interação e troca de insights reforçaram que o jovem preparado é capaz de transformar a realidade em que vive

    Maceió/AL – Conhecimento e informação marcaram a jornada imersiva vivenciada por jovens alagoanos no sábado (25). A Fundação Republicana Brasileira (FRB) e a Faculdade Republicana promoveram, em Maceió, o FRB Participa+, iniciativa que tem como propósito incentivar a juventude a conectar o sucesso profissional à responsabilidade cidadã.

    Com base nos pilares do empreendedorismo, da inovação e da formação política, o projeto vai além de um espaço de capacitação: constitui-se como uma oportunidade para que os participantes descubram seu potencial, desenvolvam competências e se tornem agentes de transformação. A jovem Greice Kelly destacou:

    “Todos os ensinamentos que foram dados hoje eu vou guardar e vou botar em prática. Vou levar esse tema, que é energia, tanto para minha vida quanto para o meu futuro e crescimento”.

    O encontro foi marcado por diversos insights, intensa interação e ampla troca de experiências, estimulando o desenvolvimento de ideias originais, a empregabilidade e a autonomia financeira. O secretário nacional do Movimento Jovens Republicanos, Wallacy Rocha, abriu o ciclo de palestras com o tema “Energia para Transformar: por que o jovem deve participar da política?”, reforçando a importância do engajamento político juvenil:

    “Já passamos por vários estados e chegamos aqui em Alagoas, uma experiência incrível, porque encontramos jovens muito interessados, trocando ideias, fazendo networking, aprendendo. Tenho certeza de que esses jovens farão a diferença, porque o que eles aprenderam aqui, eles vão praticar. A juventude é o maior símbolo de energia de uma nação”.

    O cientista político da FRB, Fábio Vidal, tratou da evolução das formas de fazer política ao longo do tempo e de como essas mudanças impactam a juventude:

    “É importante ressaltar que o modo como nós fazemos política e nos relacionamos politicamente mudou, e mudou muito com o avanço da internet e das redes sociais. Isso exige que o jovem esteja preparado para essa renovação, sabendo mobilizar de forma diferente. O caminho da democracia no Brasil não é tão bonito como o que foi apresentado, mas é o nosso caminho”.

    O secretário estadual do Movimento Jovens Republicanos em Alagoas, Oliveira Lima, celebrou o sucesso do evento e o engajamento do público:

    “Estou muito feliz porque vimos o entusiasmo, a energia e a alegria dos jovens em participar desses debates. Eu vejo uma juventude que entrou de uma forma e saiu de outra, transformada por meio do evento FRB Participa+.”

    Já o estrategista político Guto Ferreira conduziu a palestra “O que é conservadorismo e o que é radicalismo?”, propondo uma reflexão instigante e destacando a importância de oferecer informação de qualidade, livre de ideologias:

    “Os jovens precisam de mais informação, pois o futuro do país depende basicamente deles. Quanto mais conhecimento a gente entregar de forma não ideológica e não direcionada, mais preparados eles estarão para debater com qualidade, entender o funcionamento do país e do Estado. Eu gosto de desafiá-los, debater com eles e mostrar pontos importantes para a convivência em sociedade.”

    Todas essas reflexões e vivências reforçam a missão da Fundação Republicana Brasileira, que, em todo o país, promove iniciativas de educação política voltadas à formação de cidadãos conscientes e preparados para atuar de forma transformadora na sociedade. Assim, a instituição segue contribuindo para que cada pessoa possa impactar positivamente o seu cotidiano e a sua comunidade, afinal, o conhecimento transforma pessoas, e as pessoas transformam o mundo.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Foto: Equipe do Jovens Republicanos Alagoas

  • FRB Mobiliza – Módulo 6 reúne participantes de todo o Brasil em encontro sobre marca, narrativa e comunicação eficaz

    FRB Mobiliza – Módulo 6 reúne participantes de todo o Brasil em encontro sobre marca, narrativa e comunicação eficaz

    Com palestras de Guto Ferreira e Gilmar Arruda, o evento on-line destacou a importância da estratégia, da coerência narrativa e do propósito na construção de marcas sólidas e autênticas

    Brasília (DF) – No dia 24 de outubro, a Fundação Republicana Brasileira (FRB) realizou o Módulo 6 do programa FRB Mobiliza: Comunicação e Liderança, em formato on-line, reunindo participantes de diversas regiões do país. O encontro foi marcado por aprendizado, interação e propósito.

    A abertura ficou a cargo da mestra de cerimônias Denise Matos, que conduziu o início do evento com entusiasmo e acolhimento. Em seguida, o estrategista nacional do Republicanos, Guto Ferreira, ministrou a palestra “Marca e história errada: narrativa estragada”, na qual destacou a importância da coerência entre discurso, identidade e prática para a construção de marcas que geram confiança e credibilidade.

    Na sequência, a presidente da FRB, Renata Sene, deixou uma mensagem especial de agradecimento à equipe pelo empenho nas atividades da Fundação, com destaque para o FRB Mobiliza. Na ocasião, também convidou os participantes para a última edição do programa, a ser realizada de forma presencial em São Paulo e Brasília, no mês de novembro.

    Os palestrantes Guto Ferreira e Gilmar Arruda participaram presencialmente na sede da FRB, em Brasília, acompanhados pela equipe da Fundação, responsável pela organização e condução técnica do encontro. A estrutura garantiu uma transmissão dinâmica, interativa e de alta qualidade para participantes de todo o país.

    O evento contou ainda com um momento de reconhecimento aos voluntários da Fundação, conduzido pela gerente Gabrielle Assumpção e pela coordenadora administrativa Gabriela Alves. Ambas ressaltaram a relevância do trabalho voluntário na trajetória da FRB e lembraram que muitos colaboradores iniciaram suas histórias na instituição como voluntários, vivenciando o espírito de dedicação, aprendizado e propósito coletivo.

    Na etapa seguinte, o estrategista de marketing político e eleitoral Gilmar Arruda apresentou a palestra “Planejamento para uma comunicação eficaz”, abordando a importância da estratégia, do planejamento e do alinhamento entre mensagem e propósito para alcançar resultados consistentes.

    Ao longo de todo o encontro, os participantes puderam interagir ativamente, enviando perguntas aos palestrantes e participando ao vivo, além de compartilhar experiências e percepções sobre o impacto do FRB Mobiliza em suas trajetórias pessoais e profissionais.

    O módulo foi encerrado com a sensação de dever cumprido, refletindo o propósito da FRB e da Faculdade Republicana, que agora atuam em parceria institucional. A integração confere aos cursos da Fundação a chancela de uma Instituição de Ensino Superior reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC), fortalecendo a união entre experiência prática e excelência acadêmica, ampliando o alcance e reafirmando o compromisso da FRB como agente de transformação social.

    Reconhecida por sua atuação na formação cidadã e política, a Fundação segue ampliando suas iniciativas por meio da Faculdade Republicana, com a oferta de novos cursos gratuitos e certificação oficial, consolidando seu papel de educar, inspirar e transformar a sociedade.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Fotos: Carlos Gonzaga – Ascom FRB

  • Financiamento climático e proteção das florestas avançam em Belém durante a COP30

    Financiamento climático e proteção das florestas avançam em Belém durante a COP30

    A conferência marca novos compromissos globais para manter florestas em pé, ampliar recursos climáticos e fortalecer a governança ambiental em países vulneráveis 

    A COP30 em Belém tem se destacado não apenas pelas negociações políticas, mas também pela apresentação de modelos concretos de financiamento capazes de transformar a ação climática nos próximos anos. Entre os principais avanços, o lançamento do Fundo “Florestas Tropicais para Sempre” tornou-se um dos anúncios mais simbólicos da conferência, especialmente por surgir no coração da Amazônia, região que abriga ecossistemas essenciais para a regulação do clima global.  

    Idealizado pelo Brasil e apoiado por países tropicais, o fundo propõe um modelo contínuo de remuneração pela conservação. Diferentemente dos mecanismos baseados em créditos de carbono, a iniciativa prevê investir os recursos arrecadados e utilizar apenas os rendimentos para remunerar nações que mantêm suas florestas em pé, estimulando políticas de preservação permanente. Até agora, mais de US$ 5 bilhões foram prometidos por Brasil, Indonésia, Noruega, França, Portugal e Alemanha, aproximando-se da metade da meta inicial de US$ 10 bilhões. O Brasil aportou US$ 1 bilhão, o mesmo valor da Indonésia, enquanto a Noruega se comprometeu com até US$ 3 bilhões, condicionados a critérios de governança. 

    Um dos pontos considerados estratégicos é a destinação de 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais, reforçando a compreensão de que a proteção das florestas depende do fortalecimento das populações que historicamente garantem sua conservação. Lideranças indígenas e ambientalistas celebraram o avanço, mas alertaram que o sucesso do fundo exige salvaguardas robustas para evitar que o financiamento estimule práticas econômicas contrárias ao propósito de proteção ambiental. Transparência, governança participativa e regras claras foram apontadas como requisitos essenciais para assegurar a credibilidade internacional do mecanismo. 

    Paralelamente ao anúncio amazônico, as negociações oficiais avançaram em uma agenda mais ampla de financiamento climático. As presidências da COP29 (Azerbaijão) e da COP30 apresentaram o chamado Mapa do Caminho de Baku a Belém, documento que propõe mobilizar pelo menos US$ 1,3 trilhão por ano até 2035 para apoiar países em desenvolvimento. A cifra supera em mais de dez vezes a antiga promessa dos US$ 100 bilhões anuais, frequentemente descumprida, e sinaliza que a crise climática exige uma reformulação profunda da arquitetura financeira internacional. 

    O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou os avanços da COP30 como um “ponto de inflexão” para a mobilização de recursos, reforçando que o financiamento climático não deve ser entendido como gesto de solidariedade, mas como investimento para evitar danos econômicos irreversíveis associados ao aquecimento global. Segundo ele, proteger florestas, ampliar adaptação e fortalecer comunidades vulneráveis reduz custos futuros e aumenta a segurança planetária. 

    Outro tema sensível dos primeiros dias em Belém foi a operacionalização do fundo de perdas e danos, mecanismo criado para compensar países afetados por desastres climáticos. Embora reconhecido em conferências anteriores, o fundo ainda carecia de definições claras sobre fontes de financiamento, critérios de contribuição e regras de desembolso. Delegações de países vulneráveis pressionaram por compromissos concretos e por maior agilidade na liberação de recursos, destacando que eventos extremos já geram impactos desproporcionais em nações pobres, que não possuem capacidade financeira para reconstrução. 

    Além dos acordos multilaterais, a COP30 registrou anúncios paralelos de bancos internacionais, empresas e instituições financeiras comprometidas com investimentos em energia limpa, agricultura sustentável e adaptação baseada em ecossistemas. A combinação entre fundos públicos, capital privado e novos mecanismos de crédito busca reduzir a histórica lacuna entre promessas e implementação, garantindo condições para que o Acordo de Paris avance de maneira mais justa e efetiva. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom/FRB
    Crédito da imagem: Bruno Peres/Agência Brasil 

     

     

  • Clima e justiça social dominam os primeiros dias da COP30 em Belém

    Clima e justiça social dominam os primeiros dias da COP30 em Belém

    A relação entre ação climática e justiça social marcou os primeiros compromissos oficiais da COP30. O combate à fome e à pobreza, a garantia de informação climática confiável e a proteção dos mais vulneráveis ganharam destaque na conferência realizada no Pará 

    A COP30, sediada em Belém no corrente ano, iniciou-se com uma inflexão histórica ao colocar a justiça social no centro da agenda climática global. O principal símbolo desse avanço foi a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas, adotada por 43 países e pela União Europeia. O documento reconhece que, embora a crise climática afete todos, seus impactos recaem de forma desigual sobre populações vulneráveis. Pela primeira vez, a agenda internacional incorporou o enfrentamento da fome e da pobreza como eixo estruturante das estratégias climáticas, com metas anuais para ampliar a proteção social, fortalecer a adaptação centrada nas pessoas e priorizar meios de subsistência sustentáveis para agricultores familiares, comunidades tradicionais e povos da floresta.  

    A chamada “coalizão de Belém” consolidou um consenso: não haverá ação climática eficaz sem redução das desigualdades. O texto recomenda que os países integrem essa abordagem em seus compromissos climáticos e prevê revisões até 2030. Lideranças como o ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias, e a diretora executiva do Fundo Verde para o Clima (GCF), Mafalda Duarte, ressaltaram que justiça social e ação climática são dimensões indissociáveis, sobretudo em nações que sofrem impactos severos apesar de sua baixa responsabilidade histórica pelas emissões. 

    Outra inovação dos primeiros dias da COP30 foi a inclusão inédita da integridade da informação climática na agenda oficial da ONU. A Declaração sobre Integridade da Informação, lançada em Belém, alerta para os danos de fake news, negacionismo científico e ataques a jornalistas e pesquisadores. O documento, apoiado por países das Américas e da Europa, defende dados confiáveis como condição para políticas eficazes e anuncia a criação de um Fundo Global contra a Desinformação, iniciado com US$ 1 milhão do Brasil. Para a CEO da COP30, Ana Toni, esta é “a COP da Verdade”, pois não há justiça climática sem informação correta e acessível. 

    A proteção a populações vulneráveis permeou debates e anúncios. Ganharam força instrumentos como seguros agrícolas, expansão de redes de proteção social e políticas de adaptação voltadas a quem está na linha de frente dos eventos extremos. A justiça intergeracional também ganhou destaque, com jovens exigindo participação nas decisões, ampliando uma agenda que já reconhece a infância como um dos grupos mais afetados pela crise climática. 

    A participação indígena atingiu patamar inédito. Lideranças reforçaram que a demarcação de territórios é uma estratégia climática essencial, já que terras indígenas funcionam como importantes sumidouros de carbono. O Brasil propôs destinar pelo menos 20% dos recursos do novo Fundo Florestas Tropicais para Sempre a povos indígenas e comunidades tradicionais, buscando corrigir a desigual distribuição de financiamentos, atualmente, apenas 1% chega diretamente a esses territórios. 

    A abordagem interseccional também guiou discussões sobre justiça climática com recortes de raça e gênero. Comunidades quilombolas, povos afrodescendentes, mulheres e populações rurais foram reconhecidos como grupos mais expostos aos impactos e que devem ser priorizados nas políticas de adaptação. Na “Cúpula de Belém pelo Clima”, lideranças assumiram compromissos contra o racismo ambiental e pela igualdade de gênero na política climática. 

    A sociedade civil teve papel central na conferência. A Cúpula dos Povos reuniu cerca de 10 mil participantes no campus da Universidade Federal do Pará, fortalecendo temas como soberania alimentar, agroecologia e justiça climática nos territórios. Cozinhas solidárias e alimentos agroecológicos simbolizaram, na prática, os valores defendidos por ativistas e organizações. Movimentos sociais presentes reforçaram que a justiça climática começa nas comunidades, com soluções locais e participação popular. 

    Marchas e atos públicos ocuparam as ruas de Belém com o apelo (em inglês) climate justice now, cobrando ações concretas para uma transição energética justa, proteção da Amazônia e fim da expansão de combustíveis fósseis. A forte presença de povos amazônicos, juventudes e movimentos sociais levou para dentro das negociações o aspecto humano da crise, lembrando que estatísticas sobre aquecimento global representam vidas vulneráveis e territórios ameaçados. 

    Combinando diplomacia, ciência, mobilização social e protagonismo amazônico, a COP30 vem consolidando Belém como marco internacional de uma ação climática que integra clima, direitos humanos e combate às desigualdades. O evento tem reforçado o entendimento de que enfrentar a crise climática significa, acima de tudo, proteger pessoas hoje e nas próximas gerações. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
    Crédito da imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil