Conjuntura Republicana

Eleição no Chile reforça avanço da direita na América do Sul – Conjuntura Republicana Ed. nº 241

A vitória de José Antonio Kast (Partido Republicano) no segundo turno da eleição presidencial chilena, no último domingo (14), aprofunda os sinais de mudança no ciclo progressista que marcou parte da América Latina nos últimos anos

Com ampla margem sobre a candidata governista Jeannette Jara (Partido Comunista do Chile), o resultado não representa apenas uma alternância de poder, mas uma mudança mais profunda no eixo do debate político, tanto no Chile quanto no plano regional. Com a vitória de Kast, a direita passa a presidir 6 dos 12 países da América do Sul.

Nesse cenário, o desfecho chileno reforça a percepção de esgotamento de parte da agenda progressista e se insere em um movimento mais amplo de fortalecimento de direitas conservadoras e liberais, em diálogo com experiências recentes na Argentina e em El Salvador.

No entanto, diferentemente das alternâncias anteriores, a disputa deslocou-se para polos mais ideológicos, rompendo com a tradição de alternância entre centro-esquerda e centro-direita que estruturou o sistema político chileno no período pós-ditadura.

A vitória de Kast simboliza a guinada mais nítida à direita desde 1990, impulsionada pela centralidade dos temas de segurança pública, imigração e governabilidade, áreas que, do ponto de vista de parcela significativa do eleitorado, a esquerda tem se mostrado incapaz de gerir de forma eficaz.

Ao reduzir o peso das pautas morais e priorizar a promessa de “ordem” diante do avanço do crime organizado, Kast conseguiu atrair eleitores do centro e unificar um campo conservador fragmentado no segundo turno.

Ainda assim, o novo governo inicia sem maioria no Congresso, o que tende a impor uma lógica de negociação permanente e limitar a implementação de uma agenda de mudanças profundas.

O caso chileno indica que a disputa política na América Latina passa a se organizar de forma crescente em torno de respostas institucionais à insegurança, ao desgaste estatal e à frustração social com a capacidade de entrega dos governos.

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