Conjuntura Republicana

O uso político da Copa do Mundo em 2026 – Conjuntura Republicana Ed. nº 244

A seleção brasileira, historicamente, foi utilizada como símbolo da ideia de uma “unificação do país”. Ela confere aos brasileiros um elemento comum de identificação, capaz de produzir um sentimento coletivo de pertencimento e identidade nacional

Desde a redemocratização, a partir de 1994, o ano da eleição presidencial passou a coincidir com o da realização da Copa do Mundo. É nesse contexto que essa noção de unificação ganha novos contornos e desperta, em cada um dos brasileiros, um renovado “sentido de pertencimento”.

Durante esse período, o Brasil obteve êxito na competição em apenas duas ocasiões. Quando se compara o desempenho da seleção brasileira no campeonato com os resultados das eleições presidenciais, constata-se que não há uma relação direta entre o sucesso esportivo e a vitória eleitoral do governo de situação.

Ainda assim, ao observar outros momentos da história, é possível afirmar que, embora não exista uma correlação direta entre o resultado da Copa do Mundo e a disputa presidencial, a seleção brasileira sempre foi mobilizada pela classe política como um elemento de reafirmação de posicionamentos e narrativas políticas.

Pesquisas indicam que, no senso comum do brasileiro médio, persiste a percepção de que as principais alegrias coletivas do país estão associadas às conquistas esportivas. Nesse contexto, a seleção brasileira ocupa um lugar singular, por ser uma das poucas instituições capazes de despertar paixões intensas. Onde há sentimento, há também um terreno fértil para a atuação política, por meio da construção de discursos e narrativas.

Pesquisas indicam que, no senso comum do brasileiro médio, as principais alegrias coletivas do país estão associadas às conquistas esportivas. Nesse contexto, a seleção brasileira ocupa um lugar singular, por despertar paixões intensas, tornando-se um terreno fértil para a construção de narrativas políticas.

É possível, inclusive, antever como esses movimentos tendem a se manifestar no ambiente político. Em caso de resultados positivos, tende a prevalecer o discurso de que “estamos no caminho certo” e de que “todos temos orgulho da nossa pátria”. Em caso de fracasso, ganham força narrativas que defendem a necessidade de “focar nos problemas reais da população”.

Em ambos os cenários, haverá tentativas de determinados campos políticos de afirmar que um lado está certo e o outro errado, por meio da apropriação de símbolos nacionais, que vão das cores da bandeira ao uniforme utilizado pelos jogadores em campo.

Em um país onde as mazelas sociais são evidentes, resta a expectativa de que, ao final, cada brasileiro possa sair como verdadeiro vencedor, especialmente aquela parcela da população que mais depende da efetivação de políticas públicas.

 

Texto: Gilmar Arruda – Estrategista de Marketing

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