Entre os dias 22 e 24 de outubro, os países que compõem o BRICS se reuniram na cidade de Kazan, no sudoeste da Rússia. Segundo Eduardo Paes Saboia, Secretário do Itamaraty, o principal tema da reunião foi a criação da categoria “Países Parceiros” do bloco. O BRICS tem buscado reforçar sua atuação e ampliar sua influência global. Em 2023, a inclusão de novos membros representou um marco nesse processo de expansão.
Agora, na cúpula de Kazan, o foco recaiu sobre a criação de uma nova categoria de países parceiros, o que reflete a estratégia do bloco de construir uma rede ampla de cooperação internacional.
Para o Brasil, a direção atual de crescimento do BRICS apresenta um dilema ideológico, pois os critérios estabelecidos para a admissão de novos membros não levam em consideração valores fundamentais defendidos pela diplomacia brasileira.
Esse dilema se intensifica ao considerar alguns dos países que foram cotados para compor a lista de parceiros do bloco, como Cuba, Venezuela, Nicarágua, Belarus, Cazaquistão, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã.
Apesar das divergências entre o Brasil e os futuros membros, a finalidade do bloco é reunir países emergentes. Assim, valores democráticos, religiosos e liberdades individuais não são considerados argumentos para impedir a entrada de um país no BRICS. Em Kazan, a diplomacia brasileira conseguiu barrar o acesso da Venezuela e da Nicarágua no BRICS, devido aos conflitos diplomáticos na América Latina, e não por conta das posturas autoritárias dos regimes em questão.
Tal fato reforça a tese de que o BRICS não é um clube de democracias. Em suma, a organização reúne países no processo de desenvolvimento econômico sem considerar o respeito por princípios democráticos.
No entanto, a organização tem servido como um elo entre o Brasil e outras nações envolvidas no comércio internacional, além de ampliar a influência brasileira no cenário global.
Cabe destacar ainda que a atual fase do BRICS colabora para os interesses nacionais de reduzir a dependência global das transações em dólar, mas posiciona o Brasil ao lado de países que estão envolvidos em conflitos com o Ocidente e considerados, por alguns, como párias internacionais.