Conjuntura Republicana

Tarifaço do presidente Donald Trump repercute na política nacional – Conjuntura Republicana Ed. nº 220

Na semana do dia 9 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de novas tarifas ao mercado brasileiro. A medida estabelece uma taxa de 50% sobre produtos importados do Brasil, com vigência a partir de 1º de agosto

A relação entre Brasil e Estados Unidos, que possui uma longa trajetória de mais de 200 anos, enfrenta agora um dos seus piores momentos. As ações adotadas por Trump são justificadas pelo argumento de que o Brasil apresenta superávit comercial em relação aos EUA. No entanto, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam o contrário.

De acordo com o MDIC, há 16 anos, o Brasil registra déficits comerciais consecutivos com os Estados Unidos.

A crise diplomática desencadeada pelo “tarifaço” do presidente Trump afeta não apenas setores produtivos brasileiros, mas também tem gerado impactos significativos na dinâmica política nacional.

No cenário interno, as duas principais forças políticas, o Bolsonarismo e o Lulopetismo, têm capitalizado a crise de formas distintas. A pesquisa da Genial/Quaest, realizada entre os dias 10 e 14 de julho de 2025, durante o auge da repercussão do tarifaço, indicou uma queda na taxa de desaprovação do governo Lula (de 57% em maio para 53%) e um aumento na aprovação (de 40% para 43%).

A pesquisa da Genial/Quaest também apontou que 72% dos brasileiros consideram que Trump errou ao taxar o Brasil.

Além disso, um estudo feito pela Nexus revelou que o discurso dos apoiadores do governo, baseado na defesa da soberania popular, tem se sobressaído à narrativa que atribui ao presidente Lula a responsabilidade pela instabilidade nas relações com os EUA.

Em suma, os desdobramentos da crise impactaram negativamente a ala bolsonarista. A vinculação do tarifaço à aprovação de uma anistia acabou sendo considerada um “tiro no pé”.

A tentativa de intimidação por parte de Trump transformou o presidente norte-americano e seus aliados em uma ameaça externa, com potencial de unificar o eleitorado brasileiro em torno de um viés nacionalista e de defesa da soberania do Brasil.

Pode-se inferir que os desdobramentos do tarifaço deram fôlego ao Governo Federal, que conseguiu reduzir as críticas relacionadas ao IOF e abrir espaço para uma maior aceitação de sua gestão junto ao eleitorado de centro.

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