Na sexta-feira, 11 de outubro, São Paulo enfrentou tempestades intensas, que danificaram a rede elétrica em várias cidades, além de provocar alagamentos e quedas de árvores. A crise vivida pela população reacendeu debates sobre a privatização de setores essenciais.
A falta de planejamento e preparo no enfrentamento de situações adversas emerge como o ponto central da calamidade que deixou mais de meio milhão de pessoas no escuro, assim como em outras tragédias que marcaram o ano.
Em janeiro, por exemplo, fortes chuvas afetaram dez municípios do Rio de Janeiro, provocando inundações e prejuízos significativos. Em abril, a situação climática se agravou no Rio Grande do Sul, onde a maior tragédia já registrada no estado impactou mais de 400 municípios.
Após o término do ciclo de chuvas, o Brasil enfrentou um novo desafio, a seca severa, que resultou em queimadas generalizadas por todo o território. Em setembro, quase 60% do país estava sob risco de incêndios, segundo a Ministra do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Marina Silva.
A sucessão desses incidentes expõe a evidente falta de estratégias governamentais para enfrentar problemas recorrentes no país. No entanto, a crise em São Paulo apresenta um aspecto diferente em relação às demais tragédias, pois a responsabilidade pela contenção dos danos causados pelos ventos e chuvas fortes recai sobre uma empresa privada, a Enel. Diante desse fato, surge um debate sobre os riscos e benefícios das privatizações em setores considerados sensíveis, como a infraestrutura elétrica.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), destaca que, sendo a empresa privada, os agentes públicos podem solicitar a caducidade do contrato. Isso permitiria romper o vínculo com a instituição e iniciar um novo processo licitatório, buscando uma organização que seja capaz de lidar com a situação.
Vale destacar que o Republicanos defende o mecanismo de competitividade, típico do setor privado, como uma forma de promover maior eficiência na prestação de serviços públicos. No entanto, em situações de ineficiência, a própria dinâmica competitiva do mercado, aliada aos mecanismos legais de rescisão contratual, assegura a responsabilização e penalização adequadas dos envolvidos.