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O futuro da mobilidade urbana

Novas estratégias globais e iniciativas brasileiras apontam caminhos para enfrentar congestionamentos, reduzir emissões e tornar as cidades mais habitáveis 

Nas últimas décadas, o crescimento acelerado das grandes cidades tem submetido a mobilidade urbana a uma forte pressão. Congestionamentos frequentes, poluição e desigualdades no acesso ao transporte figuram entre os principais desafios, exigindo soluções inovadoras e integradas. Em resposta, especialistas de diferentes países vêm apontando um novo paradigma: a mobilidade baseada em dados, no compartilhamento, na eletrificação e em redes de transporte inteligentes. 

Conceitos como o de “cidades de 15 minutos”, popularizado por Anne Hidalgo, prefeita de Paris, e inspirado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno, em 2016, ganham destaque ao priorizar o acesso a serviços, trabalho e cultura em deslocamentos curtos, a pé ou de bicicleta. Esse modelo reforça o uso do transporte coletivo, das ciclovias e das zonas de baixa emissão, como discutido no Global Mobility Call 2024, evento que reuniu mais de 450 líderes internacionais em Madri, em novembro de 2024. Inovações digitais, como a inteligência artificial e o uso de big data, permitem ajustar semáforos adaptativos, prever fluxos de usuários e ampliar a segurança no trânsito. A micromobilidade, com bicicletas e patinetes compartilhados, contribui para a redução de emissões e para a recuperação de espaços urbanos antes dominados por automóveis. Tecnologias como veículos autônomos e ônibus elétricos também apontam para um futuro mais limpo e eficiente. 

Inovações  

No Brasil, cidades como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro vêm adotando soluções urbanas inspiradas nesses modelos. A expansão dos sistemas de bicicletas compartilhadas, como o Bike Rio, que conta com cerca de 2.600 bicicletas distribuídas em 260 estações, amplia as alternativas de mobilidade sustentável. Em São Paulo, voltam a ser discutidos projetos de bondes modernos (VLT) no centro da cidade, com a previsão de duas linhas circulares para 2024 — embora, até o momento, as obras ainda não tenham sido iniciadas. A proposta de desenvolvimento urbano orientado ao transporte coletivo (Transit-Oriented Development) também ganha força, ao integrar moradia, comércio e serviços próximos a estações, estimulando deslocamentos a pé ou por transporte público. 

Ainda em São Paulo, maior centro urbano da América Latina, o Rodoanel Mário Covas, conjunto de rodovias que circunda a Região Metropolitana e tem como objetivo desviar o transporte de carga das áreas centrais, contribui para a redução do tráfego pesado no interior da capital, ampliando o contorno viário e favorecendo maior fluidez urbana. No Rio de Janeiro, a Cúpula de Prefeitos do G20 trouxe visibilidade ao tema da mobilidade inteligente, consolidando compromissos com o uso de tecnologias urbanas e modelos de governança integrada. Eventos desse tipo têm sido realizados em grandes cidades, promovendo diálogos regionais sobre soluções viárias e modais alternativos. Além disso, iniciativas como semáforos inteligentes, o uso de tags automáticas em pedágios e a priorização do transporte coletivo já vêm sendo testadas nas duas capitais. 

Perspectivas 

O futuro exige um sistema de mobilidade urbana orientado pela sustentabilidade, pela inclusão e pela tecnologia. Dados indicam que políticas que integram transporte coletivo, micromobilidade, planejamento urbano e participação cidadã resultam em cidades menos poluídas, mais seguras e com melhor qualidade de vida. 

Para avançar nesse cenário, é fundamental incorporar capacidades digitais aos sistemas de transporte, ampliar a infraestrutura para ciclistas e pedestres, incentivar o uso de veículos elétricos e autônomos e articular o planejamento urbano às políticas de mobilidade. No Brasil, entretanto, os desafios são ainda maiores. A adaptação dessas soluções às realidades metropolitanas enfrenta obstáculos significativos, sobretudo de ordem financeira, historicamente o principal entrave à realização de grandes obras de mobilidade. Ainda assim, diante do futuro que se aproxima, esses investimentos tornam-se cada vez mais necessários.  

 

Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB 

Crédito da imagem: Getty Images 

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