Conjuntura Republicana

Retorno estratégico do Congresso Nacional em ano eleitoral – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

O retorno dos trabalhos do Congresso Nacional em 2026 ocorre sob forte pressão do calendário eleitoral e de um período legislativo significativamente encurtado, o que impõe limites objetivos à capacidade deliberativa ao longo do ano.

Nesse contexto, a agenda legislativa tem sido organizada em torno de pautas com alto potencial de consenso ou forte apelo popular, capazes de gerar entregas concretas sem produzir desgastes excessivos.

A segurança pública emerge como um dos eixos centrais dessa estratégia política. A priorização da PEC da Segurança Pública (PEC 18/25), defendida pelo Executivo e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), articulada em paralelo ao avanço do PL Antifacção (PL 5.582/2025), evidencia um movimento de coordenação institucional voltado à sinalização de resposta às críticas recorrentes à atuação governamental na área, além de dialogar diretamente com uma das principais preocupações do eleitorado.

Na agenda econômica, o Acordo Mercosul–União Europeia ocupa posição de destaque. Tratado como prioridade máxima, o texto reúne alinhamento entre governo e oposição, o que facilita sua tramitação acelerada e reduz custos políticos em ano eleitoral. A estratégia é garantir sua ratificação antes de possíveis entraves jurídicos no Parlamento Europeu.

O fim da escala 6×1 também desponta como uma das pautas estratégicas mais sensíveis. Com elevado apoio popular, a proposta é vista como possível ativo eleitoral. Contudo, sua tramitação é marcada pela disputa de autoria e pela tentativa de diluir os dividendos políticos entre Executivo e Congresso.

Além disso, medidas como a aprovação da Medida Provisória do programa Gás do Povo, votada pela Câmara e referendada pelo Senado logo na retomada dos trabalhos, reforçam a lógica de entregas rápidas com alta visibilidade social.

Esse arranjo pode contribuir para a recomposição da imagem institucional do Congresso, desgastada após sucessivos embates em 2025, ao custo da postergação de debates estruturais mais sensíveis.

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