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ODS 15: a vida terrestre e a Agenda 2030 da ONU

Voltado à proteção das florestas, dos solos, da biodiversidade e dos ecossistemas, o ODS 15 tornou-se estratégico diante do avanço do desmatamento, da degradação ambiental e da perda acelerada de espécies no planeta.

 

Em 2015, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) aprovou a Agenda 2030, a entidade deixou bem claro que o desenvolvimento econômico e proteção ambiental não poderiam mais ser tratados como temas separados. Entre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODSs), o 15, “Vida Terrestre”, passou a concentrar uma das pautas mais urgentes do século XXI: proteger ecossistemas terrestres, restaurar áreas degradadas, combater a desertificação, conter a perda da biodiversidade e promover o uso sustentável das florestas e recursos naturais.

A inclusão desse tema como objetivo global decorreu de um diagnóstico preocupante. Nas últimas décadas, organismos científicos internacionais passaram a alertar que o planeta atravessa uma rápida redução de sua biodiversidade, impulsionada por desmatamento, pela expansão desordenada da agricultura, pela urbanização, pela poluição, pelas mudanças climáticas e pela exploração excessiva dos recursos naturais. Relatórios da ONU e da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (BPBES) apontam que cerca de 1 milhão de espécies animais e vegetais estão ameaçadas de extinção no mundo.

Essa crise ambiental não se restringe à fauna e à flora. A degradação dos ecossistemas afeta diretamente a vida humana. As florestas regulam o clima, protegem nascentes, armazenam carbono e ajudam a manter regimes de chuva essenciais para a agricultura e o abastecimento urbano. Solos saudáveis garantem produtividade agrícola, enquanto manguezais e áreas úmidas reduzem impactos de enchentes. Quando esses sistemas entram em colapso, os efeitos alcançam a segurança alimentar, a economia dos países, a saúde pública e, consequentemente, a estabilidade social das nações.

Foi diante dessa interdependência que a ONU estruturou o ODS 15. O objetivo estabelece metas amplas, como conservar ecossistemas terrestres e de água doce, promover manejo sustentável das florestas, combater a desertificação, restaurar terras degradadas, proteger espécies ameaçadas e integrar valores da biodiversidade às políticas públicas e ao planejamento econômico. Em outras palavras, a proposta reconhece que a natureza não é um obstáculo ao desenvolvimento, mas uma base indispensável para sua continuidade.

Os impactos do tema atravessam praticamente todos os setores da sociedade. Na agricultura, por exemplo, a preservação de solos e polinizadores influencia diretamente a produção de alimentos. Na indústria, cadeias produtivas dependem de matérias-primas oriundas de ambientes naturais equilibrados. No setor financeiro, cresce a percepção de que riscos ambientais também representam riscos econômicos. Já na saúde pública, a destruição de habitats pode ampliar a incidência de zoonoses e comprometer a qualidade da água e do ar.

Em países tropicais e megadiversos (como o Brasil), o ODS 15 assume papel ainda mais estratégico. O país abriga parte relevante da biodiversidade mundial, além de biomas fundamentais como Amazônia, Cerrado, Pantanal, Mata Atlântica, Caatinga e Pampa. A proteção desses ecossistemas tornou-se tema central tanto para políticas internas quanto para relações internacionais, especialmente em debates sobre clima e desenvolvimento sustentável.

Enquanto isso, no cenário global, diferentes países têm buscado cumprir o ODS 15 por caminhos variados. Na Europa, programas de restauração ecológica ganharam força com metas para recuperar áreas degradadas e ampliar corredores de biodiversidade. Na África, iniciativas como a Grande Muralha Verde procuram combater a desertificação e restaurar paisagens em larga escala no Sahel. Já na Ásia, governos investem em reflorestamento, manejo hídrico e agricultura regenerativa.

Outro marco importante foi a aprovação do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal, em 2022, durante a COP15 da biodiversidade. O acordo estabeleceu metas como proteger 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030, reduzir poluição e restaurar ecossistemas degradados. Embora separado formalmente da Agenda 2030, o pacto reforça diretamente os compromissos do ODS 15.

Apesar dos avanços institucionais, a plena execução ainda enfrenta obstáculos. Muitos países convivem com conflitos entre expansão econômica de curto prazo e conservação ambiental. A falta de financiamento, a fiscalização insuficiente, a grilagem de terras, mineração ilegal e as mudanças climáticas dificultam resultados mais rápidos. Relatórios recentes da ONU indicam que diversas metas ligadas à biodiversidade permanecem fora da trajetória desejada.

Especialistas defendem que a solução exige abordagem integrada: Não basta criar áreas protegidas isoladas; é necessário alinhar políticas agrícolas, infraestrutura, energia, crédito e educação ambiental. Também cresce a importância de instrumentos econômicos, como pagamentos por serviços ambientais, mercados sustentáveis e investimentos em bioeconomia.

O ODS 15 tornou-se, portanto, um dos pilares silenciosos da Agenda 2030. Sem florestas preservadas, solos férteis e biodiversidade funcional, outros objetivos também ficam ameaçados, como o combate à fome, a garantia à saúde e água limpa, além de ações voltadas para o clima.

A vida terrestre entrou no centro da agenda global porque o planeta demonstrou, com clareza crescente, que prosperidade humana depende do equilíbrio ecológico. À medida que 2030 se aproxima, o desafio internacional deixa de ser apenas reconhecer a importância da natureza e passa a transformá-la em prioridade concreta de Estado, mercado e sociedade.

O sucesso do ODS 15 será medido não apenas em hectares protegidos ou espécies salvas, mas na capacidade de construir um modelo de desenvolvimento capaz de coexistir com os limites ambientais da Terra.

 

Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP

Crédito da imagem: Internet

 

Fontes:

Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 15 – Vida terrestre – https://brasil.un.org/pt-br/sdgs/15

ONU alerta: o mundo não está cumprindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – https://envolverde.com.br/noticia/onu-alerta-o-mundo-nao-esta-cumprindo-os-objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel

Marco Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal – https://brasil.un.org/pt-br/281650-marco-global-de-biodiversidade-de-kunming-montreal

A Grande Muralha Verde: China planta floresta em um dos desertos mais inóspitos do planeta – https://www.seudinheiro.com/2026/economia/a-grande-muralha-verde-china-planta-floresta-em-um-dos-desertos-mais-inospitos-do-planeta-isbl/

 

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