A segunda fase das negociações da Cúpula da Paz no Egito marcou um novo capítulo nas tentativas de encerrar o prolongado conflito entre Israel e o Hamas
Após intensas tratativas na última semana, mediadas indiretamente por Egito, Catar, Turquia e Estados Unidos, foi assinado, na segunda-feira (13), o chamado “Acordo de Paz Trump”.
O documento foi firmado por Donald Trump e líderes regionais, sem a presença do primeiroministro israelense, Benjamin Netanyahu, ou de representantes do Hamas.
Na primeira fase das negociações, Trump utilizou sua influência para pressionar o governo israelense a aceitar os termos do acordo e suspender os bombardeios, enquanto países árabes atuaram junto ao Hamas para garantir a libertação de reféns e o cumprimento dos primeiros compromissos do plano.
Essa mediação internacional foi decisiva para consolidar o cessar-fogo inicial e criar condições mínimas de diálogo, em meio ao agravamento da crise humanitária em Gaza, ao crescente isolamento político de Israel e à desconfiança recíproca entre as partes.
O plano de paz foi estruturado em duas etapas principais, com implementação gradual. A primeira, concluída na data da assinatura, consolidou o cessar-fogo em Gaza, em vigor desde 10 de outubro.
Essa fase previa o fim das hostilidades, a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos e a retirada parcial das tropas israelenses de áreas estratégicas, devolvendo parte do território ao controle palestino.
A assinatura do acordo, contudo, marcou apenas o encerramento dessa primeira fase. A segunda, ainda em negociação e cercada de impasses diplomáticos, concentra os pontos mais sensíveis: o desarmamento do Hamas, a retirada total das forças israelenses e a definição de um governo pós-conflito em Gaza.
Embora o cessar-fogo tenha interrompido temporariamente a escalada militar e permitido o envio de ajuda humanitária em Gaza, o cenário ainda é incerto. O acordo não garante estabilidade duradoura e evidencia os desafios de uma negociação conduzida sob intensa pressão internacional, marcada por desconfiança mútua e disputas por influência no Oriente Médio.