Autor: Mazé

  • Retorno estratégico do Congresso Nacional em ano eleitoral – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    Retorno estratégico do Congresso Nacional em ano eleitoral – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    O retorno dos trabalhos do Congresso Nacional em 2026 ocorre sob forte pressão do calendário eleitoral e de um período legislativo significativamente encurtado, o que impõe limites objetivos à capacidade deliberativa ao longo do ano.

    Nesse contexto, a agenda legislativa tem sido organizada em torno de pautas com alto potencial de consenso ou forte apelo popular, capazes de gerar entregas concretas sem produzir desgastes excessivos.

    A segurança pública emerge como um dos eixos centrais dessa estratégia política. A priorização da PEC da Segurança Pública (PEC 18/25), defendida pelo Executivo e pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos/PB), articulada em paralelo ao avanço do PL Antifacção (PL 5.582/2025), evidencia um movimento de coordenação institucional voltado à sinalização de resposta às críticas recorrentes à atuação governamental na área, além de dialogar diretamente com uma das principais preocupações do eleitorado.

    Na agenda econômica, o Acordo Mercosul–União Europeia ocupa posição de destaque. Tratado como prioridade máxima, o texto reúne alinhamento entre governo e oposição, o que facilita sua tramitação acelerada e reduz custos políticos em ano eleitoral. A estratégia é garantir sua ratificação antes de possíveis entraves jurídicos no Parlamento Europeu.

    O fim da escala 6×1 também desponta como uma das pautas estratégicas mais sensíveis. Com elevado apoio popular, a proposta é vista como possível ativo eleitoral. Contudo, sua tramitação é marcada pela disputa de autoria e pela tentativa de diluir os dividendos políticos entre Executivo e Congresso.

    Além disso, medidas como a aprovação da Medida Provisória do programa Gás do Povo, votada pela Câmara e referendada pelo Senado logo na retomada dos trabalhos, reforçam a lógica de entregas rápidas com alta visibilidade social.

    Esse arranjo pode contribuir para a recomposição da imagem institucional do Congresso, desgastada após sucessivos embates em 2025, ao custo da postergação de debates estruturais mais sensíveis.

  • Política migratória dos EUA gera repercussões internacionais – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    Política migratória dos EUA gera repercussões internacionais – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    O endurecimento da política migratória dos Estados Unidos tem intensificado tensões internas e provocado repercussões no cenário internacional A ampliação das operações do Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos Estados Unidos (U.S. Immigration and Customs Enforcement – ICE), como a Operation Metro Surge, resultou no aumento de detenções e deportações, desencadeando ampla mobilização social e política.

    O cenário tem alimentado o debate entre segurança pública e garantia de direitos humanos, com registros de protestos em diversas cidades e confrontos em Minneapolis. Governos locais, instâncias do Judiciário e organismos internacionais passaram a criticar a postura mais rígida adotada pelo ICE, apontando possíveis violações humanitárias e legais, incluindo remoções aceleradas de imigrantes sem a devida judicialização.

    No plano global, a intensificação das medidas migratórias norte-americanas reacende discussões sobre soberania nacional, cooperação internacional e proteção de refugiados. Esse movimento tende a influenciar políticas migratórias em outras regiões e a desafiar a eficácia dos mecanismos multilaterais na mitigação de tensões e na promoção de soluções que conciliem segurança, direitos humanos e a gestão dos fluxos migratórios.

  • Governo intensifica articulação com o Congresso – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    Governo intensifica articulação com o Congresso – Conjuntura Republicana Ed. nº 245

    A sessão conjunta que marcou a abertura dos trabalhos legislativos de 2026 foi pautada pelo recebimento da mensagem presidencial encaminhada pela Casa Civil ao Congresso Nacional.

    No documento, o governo apresentou suas prioridades para o ano, com ênfase no desenvolvimento econômico, na ampliação dos investimentos e na redução das desigualdades sociais.

    Entre os temas estratégicos destacados, sobressai a proposta de regulação do trabalho por aplicativos, relatada pelo deputado Augusto Coutinho (Republicanos/PE), que busca conciliar a proteção de direitos trabalhistas, a inclusão previdenciária e a segurança jurídica das plataformas digitais. Também integram a agenda medidas voltadas ao fortalecimento da segurança pública e iniciativas de enfrentamento à violência de gênero, compondo um conjunto de ações que articula inovação normativa, impacto social e resposta a desafios econômicos e institucionais.

    Com o objetivo de fortalecer a execução da agenda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu, na Granja do Torto, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos/PB), além de líderes da base aliada, em um gesto de reaproximação após tensões registradas no final de 2025. O encontro reforçou os canais institucionais de diálogo e articulação com o Parlamento, contribuindo para a construção de um ambiente colaborativo voltado ao avanço das proposições legislativas. Reuniões adicionais com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), estão previstas para o período pós-Carnaval, sinalizando a importância do alinhamento estratégico e do apoio nas duas Casas Legislativas.

    A definição objetiva das prioridades e o reforço das iniciativas institucionais evidenciam a estratégia do Executivo de avançar na aprovação de projetos centrais, fortalecer alianças políticas e ampliar a previsibilidade em um ano eleitoral sensível.

    A agenda de 2026 tende a ser marcada por negociações permanentes e pelo uso articulado de instrumentos institucionais e simbólicos, consolidando o papel do governo como ator central na condução do diálogo político no Congresso Nacional.

  • O futuro da mobilidade urbana

    O futuro da mobilidade urbana

    Novas estratégias globais e iniciativas brasileiras apontam caminhos para enfrentar congestionamentos, reduzir emissões e tornar as cidades mais habitáveis 

    Nas últimas décadas, o crescimento acelerado das grandes cidades tem submetido a mobilidade urbana a uma forte pressão. Congestionamentos frequentes, poluição e desigualdades no acesso ao transporte figuram entre os principais desafios, exigindo soluções inovadoras e integradas. Em resposta, especialistas de diferentes países vêm apontando um novo paradigma: a mobilidade baseada em dados, no compartilhamento, na eletrificação e em redes de transporte inteligentes. 

    Conceitos como o de “cidades de 15 minutos”, popularizado por Anne Hidalgo, prefeita de Paris, e inspirado pelo cientista franco-colombiano Carlos Moreno, em 2016, ganham destaque ao priorizar o acesso a serviços, trabalho e cultura em deslocamentos curtos, a pé ou de bicicleta. Esse modelo reforça o uso do transporte coletivo, das ciclovias e das zonas de baixa emissão, como discutido no Global Mobility Call 2024, evento que reuniu mais de 450 líderes internacionais em Madri, em novembro de 2024. Inovações digitais, como a inteligência artificial e o uso de big data, permitem ajustar semáforos adaptativos, prever fluxos de usuários e ampliar a segurança no trânsito. A micromobilidade, com bicicletas e patinetes compartilhados, contribui para a redução de emissões e para a recuperação de espaços urbanos antes dominados por automóveis. Tecnologias como veículos autônomos e ônibus elétricos também apontam para um futuro mais limpo e eficiente. 

    Inovações  

    No Brasil, cidades como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro vêm adotando soluções urbanas inspiradas nesses modelos. A expansão dos sistemas de bicicletas compartilhadas, como o Bike Rio, que conta com cerca de 2.600 bicicletas distribuídas em 260 estações, amplia as alternativas de mobilidade sustentável. Em São Paulo, voltam a ser discutidos projetos de bondes modernos (VLT) no centro da cidade, com a previsão de duas linhas circulares para 2024 — embora, até o momento, as obras ainda não tenham sido iniciadas. A proposta de desenvolvimento urbano orientado ao transporte coletivo (Transit-Oriented Development) também ganha força, ao integrar moradia, comércio e serviços próximos a estações, estimulando deslocamentos a pé ou por transporte público. 

    Ainda em São Paulo, maior centro urbano da América Latina, o Rodoanel Mário Covas, conjunto de rodovias que circunda a Região Metropolitana e tem como objetivo desviar o transporte de carga das áreas centrais, contribui para a redução do tráfego pesado no interior da capital, ampliando o contorno viário e favorecendo maior fluidez urbana. No Rio de Janeiro, a Cúpula de Prefeitos do G20 trouxe visibilidade ao tema da mobilidade inteligente, consolidando compromissos com o uso de tecnologias urbanas e modelos de governança integrada. Eventos desse tipo têm sido realizados em grandes cidades, promovendo diálogos regionais sobre soluções viárias e modais alternativos. Além disso, iniciativas como semáforos inteligentes, o uso de tags automáticas em pedágios e a priorização do transporte coletivo já vêm sendo testadas nas duas capitais. 

    Perspectivas 

    O futuro exige um sistema de mobilidade urbana orientado pela sustentabilidade, pela inclusão e pela tecnologia. Dados indicam que políticas que integram transporte coletivo, micromobilidade, planejamento urbano e participação cidadã resultam em cidades menos poluídas, mais seguras e com melhor qualidade de vida. 

    Para avançar nesse cenário, é fundamental incorporar capacidades digitais aos sistemas de transporte, ampliar a infraestrutura para ciclistas e pedestres, incentivar o uso de veículos elétricos e autônomos e articular o planejamento urbano às políticas de mobilidade. No Brasil, entretanto, os desafios são ainda maiores. A adaptação dessas soluções às realidades metropolitanas enfrenta obstáculos significativos, sobretudo de ordem financeira, historicamente o principal entrave à realização de grandes obras de mobilidade. Ainda assim, diante do futuro que se aproxima, esses investimentos tornam-se cada vez mais necessários.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB 

    Crédito da imagem: Getty Images 

  • A convocação saiu: FRB anuncia alunos selecionados para os Cursos de Línguas

    A convocação saiu: FRB anuncia alunos selecionados para os Cursos de Línguas

    O ano de 2026 já começou em alto nível na FRB. Assim como acontece nas grandes competições a lista de convocados já foi definida: estão oficialmente selecionados os alunos que irão entrar em campo para mais um semestre dos Cursos de Línguas da instituição. Nossa equipe já está pronta para receber todos os alunos que fazem parte dessa jornada de conhecimento e sucesso.

    A Secretaria de Cursos já enviou um comunicado para os alunos selecionados, por e-mail e WhatsApp. Então, caso você ainda não tenha checado sua caixa de e-mail, dê uma verificada, pois tem prazo para enviar a documentação.

    As aulas inaugurais acontecerão nos seguintes dias:
    Dia 2 de fevereiro: turmas de segunda e quarta-feira;
    Dia 3 de fevereiro: turmas de terça e quinta-feira.

    Lembrando que esses convocados são para os cursos de Inglês e Libras, pois o Curso de Espanhol continua com vagas disponíveis, e as inscrições seguem até o dia 29 de janeiro. Portanto, não perca a oportunidade de começar 2026 investindo em conhecimento e desenvolvimento pessoal.

    Link de inscrição para o Curso de Espanhol: https://fundacaorepublicana.org.br/curso-idiomas-novo/ 

    Lista dos alunos contemplados: LISTA DE CONTEMPLADOS – Cursos de Línguas 1.2026 

     

  • Mas, afinal, o que é SUSTENTABILIDADE?

    Mas, afinal, o que é SUSTENTABILIDADE?

    Entenda a origem do termo sustentabilidade, sua evolução e como ele se relaciona com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, além das vantagens e desafios enfrentados, especialmente nos países desenvolvidos

    O termo é muito falado. Seja pela imprensa, na internet, em palestras ou reportagens, a palavra “Sustentabilidade” é sempre vista e citada quando a pauta envolve meio ambiente e o futuro da humanidade. Mas você realmente sabe, conhece o termo e o que ele significa?  

    Sustentabilidade é a capacidade de suprir as necessidades da geração atual sem comprometer a habilidade das futuras gerações de atenderem às suas próprias necessidades. Esse conceito busca equilibrar o desenvolvimento econômico, a conservação ambiental e a equidade social. O termo ganhou destaque internacional com o Relatório “Nosso Futuro Comum”, publicado em 1987 pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU, liderada por Gro Harlem Brundtland. Esse documento enfatizou a importância de integrar crescimento econômico, justiça social e preservação ambiental, abrangendo três dimensões interdependentes: ambiental, econômica e social. Essa abordagem integrada tem o objetivo direto de promover o uso consciente dos recursos naturais, o crescimento econômico equilibrado e a justiça social entre as sociedades mundiais. 

    ODS da ONU – A Organização das Nações Unidas (ONU) adotou o conceito de sustentabilidade como um eixo central de suas ações globais por reconhecer que os desafios contemporâneos – como pobreza, mudanças climáticas, desigualdade social, escassez de recursos naturais e degradação ambiental – estão interligados e exigem soluções integradas. Essa compreensão levou à criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em 2015, substituindo os antigos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), e estruturando uma agenda de ações concretas para alcançar um desenvolvimento equilibrado até 2030. 

    Os ODS materializam o conceito de sustentabilidade ao reconhecer que não é possível separar o crescimento econômico da justiça social e da conservação ambiental. Eles operam como uma agenda global, com metas concretas que traduzem os princípios do desenvolvimento sustentável em ações práticas. Abaixo, veja alguns exemplos de integração entre o conceito de sustentabilidade e os ODS: 

    – ODS 6: sobre água potável e saneamento, busca garantir acesso universal e sustentável, algo vital tanto para a saúde humana quanto para a preservação dos ecossistemas; 

    – ODS 11: incentiva cidades sustentáveis, com foco em mobilidade urbana, habitação, poluição e inclusão; 

    – ODS 12: promove produção e consumo responsáveis, incentivando a redução de resíduos, o uso eficiente dos recursos e cadeias produtivas sustentáveis; 

    – ODS 13: trata da ação climática, propondo estratégias para mitigar os impactos das mudanças climáticas e promover a resiliência dos países; 

    Vantagens – Adotar práticas sustentáveis traz diversos benefícios, como a redução de custos operacionais, a melhoria da imagem institucional, o acesso a novos mercados e a conformidade com regulamentações ambientais. Além disso, contribui para a conservação dos recursos naturais e o bem-estar das comunidades. Mas apesar dos avanços, a implementação da sustentabilidade enfrenta obstáculos significativos. Nos países desenvolvidos, o alto consumo de recursos naturais e a resistência a mudanças nos padrões de produção e consumo dificultam a adoção de práticas sustentáveis. Além disso, compromissos financeiros assumidos por essas nações para apoiar a sustentabilidade global nem sempre são cumpridos integralmente.  

    A sustentabilidade é essencial para garantir um futuro equilibrado e justo para todos. Embora existam desafios, especialmente nos países desenvolvidos, a colaboração internacional e o compromisso com os ODS são fundamentais para superar essas barreiras e promover um desenvolvimento verdadeiramente sustentável. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da Imagem: Internet 

  • ODS 10: Por que reduzir desigualdades se tornou uma meta global até 2030

    ODS 10: Por que reduzir desigualdades se tornou uma meta global até 2030

    Entenda as razões que levaram a ONU a tratar sobre o assunto, além dos dados que embasaram essa decisão. Saiba também como países enfrentam o desafio (incluindo o Brasile as metas traçadas até 2030 para construir um mundo mais justo

    Em 2015, ao adotar os ODS, a ONU incluiu pela primeira vez a redução das desigualdades como uma meta central. O ODS 10 surgiu como resposta a um cenário em que, apesar da redução da pobreza extrema, a desigualdade social seguia crescendo. Crescimento econômico, sozinho, não garantia inclusão. Era preciso combater ativamente as diferenças de renda, oportunidades e acesso a direitos, como forma de promover sociedades mais justas, estáveis e pacíficas. 

    Relatórios recentes evidenciam a profundidade das disparidades. Os 10% mais ricos concentram 75% da riqueza global. Desde os anos 1990, as fortunas bilionárias crescem 8% ao ano. Apenas 60 mil pessoas ultrarricas detêm mais riqueza que a metade mais pobre do planeta. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário: entre 2020 e 2022, 63% da nova riqueza mundial ficou nas mãos do 1% mais rico. É a coexistência inédita de riqueza e pobreza extremas em alta. 

    A desigualdade tem raízes históricas. Na América Latina, a concentração de renda sempre esteve associada à instabilidade social. Barreiras raciais e estruturais, como o apartheid na África do Sul ou a segregação nos EUA, deixam marcas profundas. Mulheres, negros, migrantes e refugiados enfrentam ainda mais obstáculos: acesso precário à saúde, educação e mercado de trabalho. A desigualdade não se resume à renda, mas inclui também a ausência de voz, representatividade e oportunidades. 

    Frente a esse diagnóstico, países vêm testando estratégias para inclusão. Nações escandinavas como Suécia e Dinamarca, combinam impostos progressivos com serviços públicos universais. Já em países em desenvolvimento, programas de transferência de renda e inclusão produtiva mostraram eficácia. Na América Latina, políticas como o Bolsa Família, no Brasil, e o Prospera, no México, contribuíram para a redução dos índices de pobreza nos anos 2000. O Banco Mundial reconheceu essas experiências como modelos replicáveis. Outras estratégias incluem educação universal e saúde pública de qualidade, que aumentam a mobilidade social, como ocorreu na Coreia do Sul e Irlanda. Cresce também o debate sobre taxação de grandes fortunas e heranças, para frear a concentração extrema de renda. No plano internacional, iniciativas como o perdão de dívidas e acordos comerciais mais equilibrados buscam reduzir desigualdades entre países. 

    Mas no Brasil, a desigualdade estrutural persiste. Os 10% mais ricos concentram quase 60% da renda. Negros e pardos representam 71% dos pobres. Mulheres negras enfrentam desvantagens salariais ainda maiores. A tributação brasileira, concentrada no consumo, penaliza os mais pobres. Entre 2003 e 2014, o país teve alguns avanços: mais de 36 milhões saíram da pobreza, impulsionados por programas sociais e valorização do salário-mínimo. Políticas de cotas também ampliaram o acesso ao ensino superior. Entre 2023 e 2024, segundo o IBGE, 8,6 milhões de brasileiros saíram da pobreza. A taxa caiu de 27,3% para 23,1% e a extrema pobreza, de 4,4% para 3,5%. Desta forma, o índice internacional de pobreza recuou para 0,504, o menor desde 2012. A retomada do Bolsa Família e de benefícios sociais foi decisiva. Sem esses programas, a extrema pobreza seria quase três vezes maior. Sustentar esse avanço, no entanto, depende de  investimentos estruturais em educação e saúde. 

    A Agenda 2030 da ONU estabelece metas como aumentar a renda dos 40% mais pobres acima da média nacional, eliminar leis discriminatórias, ampliar a voz dos países em desenvolvimento e reduzir o custo de remessas internacionais. A meta também prevê migração segura e assistência técnica aos países mais pobres. 

    Com menos de cinco anos até 2030, apenas 16% das metas estão no caminho certo. A ONU e organizações como a Oxfam defendem ações mais ousadas: tributar grandes fortunas, investir massivamente em educação e saúde e promover justiça fiscal. Reduzir a desigualdade é um imperativo ético, mas também econômico e social. Sociedades mais igualitárias são mais resilientes, prósperas e coesas. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

     

  • FRB lança plano Preparação 2026 para fortalecer campanhas e formar novas lideranças políticas

    FRB lança plano Preparação 2026 para fortalecer campanhas e formar novas lideranças políticas

    Programa oferece capacitações eleitorais gratuitas em todo o país, com foco em ética, inovação e eficiência nas eleições de 2026

     

    Brasília/DF – A Fundação Republicana Brasileira (FRB) abriu oficialmente sua agenda de capacitações eleitorais para 2026 com o lançamento do plano Preparação FRB 2026, uma iniciativa estratégica voltada ao desenvolvimento de pré-candidatos, equipes de campanha e lideranças políticas em todo o Brasil. O programa reafirma o compromisso da instituição com a formação cidadã, a qualificação política e o fortalecimento da democracia brasileira.

    Com um portfólio abrangente de treinamentos gratuitos, a FRB selecionou os temas mais relevantes do atual cenário eleitoral, integrando conteúdo técnico, prática de campanha e inovação. As capacitações serão conduzidas por especialistas de reconhecimento nacional e poderão ser realizadas em qualquer estado brasileiro.

    O modelo do Preparação FRB 2026 permite que cada estado escolha, no mínimo, três temas entre dez opções disponíveis, assegurando que os treinamentos sejam adequados às necessidades locais. As atividades ocorrerão de forma presencial, exclusivamente nas capitais que formalizarem o pedido, com público mínimo de 200 participantes por evento.

    Entre os temas ofertados estão coordenação de campanha; comunicação estratégica e marketing digital eleitoral; prestação de contas; propaganda eleitoral; gestão de crises; inteligência artificial e proteção de dados, além de pautas contemporâneas como diversidade, juventude e comunicação não violenta em campanhas.

    O projeto está alinhado à trajetória da Fundação Republicana Brasileira, que, desde 2007, atua em todo o território nacional promovendo educação política, formação cidadã e qualificação de gestores e lideranças públicas. Reconhecida como o braço intelectual do Partido Republicano, a FRB se destaca pelo desenvolvimento de cursos, eventos e publicações voltados ao fortalecimento do pensamento crítico, da ética pública e do compromisso social.

    A Fundação também mantém um projeto pioneiro na América Latina, sendo a única fundação político-partidária com uma instituição de ensino superior credenciada pelo MEC: a Faculdade Republicana, que oferece cursos de graduação e pós-graduação nas áreas de Ciência Política, Direito e Gestão Pública.

    Ao lançar o Preparação FRB 2026, a instituição reforça sua missão de transformar conhecimento em cidadania, contribuindo para campanhas mais eficientes, responsáveis e alinhadas aos valores democráticos e republicanos. O programa prevê, ainda, a emissão de certificação para os participantes, chancelada pela Faculdade Republicana, agregando valor à formação política.

    Os estados interessados em receber as capacitações devem encaminhar solicitação oficial para o e-mail [email protected]. Com o Preparação 2026, a FRB se consolida como protagonista na formação de novas lideranças e na qualificação do processo eleitoral brasileiro, apostando na educação como caminho para uma política mais ética, técnica e conectada com os desafios do presente e do futuro.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB

  • ODS 9 – Por que indústria, inovação e infraestrutura viraram meta global

    ODS 9 – Por que indústria, inovação e infraestrutura viraram meta global

    Objetivo da ONU visa reduzir desigualdades tecnológicas e impulsionar o desenvolvimento sustentável; países investem em infraestrutura resiliente e inovação, enquanto o Brasil corre para superar atrasos estruturais

    A ONU reconheceu, ao adotar a Agenda 2030 em 2015, que não há progresso socioeconômico sem bases sólidas de infraestrutura, indústria e inovação. O ODS 9, “Indústria, Inovação e Infraestrutura” refletem essa visão: investir nessas metas gera empregos, renda e competitividade, ao mesmo tempo em que promove novas tecnologias e o uso eficiente de recursos. Em uma última análise, fortalecer infraestrutura e a inovação significa reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida, assegurando um desenvolvimento inclusivo e resistente às mudanças (principalmente as econômicas). 

    Desigualdades globais em tecnologia e infraestrutura – As disparidades que motivaram o ODS 9 ficam evidentes quando se analisam números. Segundo o Banco Mundial, quase 4 bilhões de pessoas vivem sem acesso à Internet e 675 milhões não possuem eletricidade em casa. Essa carência de infraestrutura básica limita oportunidades e acentua a pobreza. Na esfera digital, a desigualdade é gritante: cerca de 93% da população de países desenvolvidos estava conectada à internet, mas nos países de renda baixa esse índice não chegava a 27%. Essas lacunas tecnológicas comprometem o acesso a serviços financeiros, educação e saúde. 

    No âmbito industrial, a distância entre nações ricas e pobres também preocupa. O valor agregado da manufatura por pessoa nos países menos desenvolvidos era de apenas US$ 114 em 2018, comparado a quase US$ 5 mil na Europa e América do Norte. Esses dados globais fundamentaram a inclusão do ODS 9: sem corrigir a falta de infraestrutura básica, a defasagem tecnológica e as disparidades industriais, será impossível alcançar um desenvolvimento sustentável e equitativo. 

    Em resposta a esses desafios, países ao redor do mundo lançaram iniciativas para suprir lacunas estruturais. A China, por exemplo, já investiu cerca de US$ 679 bilhões em infraestrutura em quase 150 países desde 2013, enquanto o G7 anunciou a mobilização de US$ 600 bilhões até 2027 para projetos sustentáveis. Estados Unidos e União Europeia também ampliaram investimentos em transporte limpo, energia renovável e conectividade global. Paralelamente, muitos governos estimulam a indústria verde: energias solar e eólica se espalham em economias emergentes, e a manufatura vem se tornando menos poluente. Entre 2010 e 2016, a intensidade de carbono da indústria caiu cerca de 3% ao ano, mostrando o esforço de conciliar crescimento com sustentabilidade. 

    Brasil – Por aqui, o ODS 9 expõe tanto deficiências históricas quanto possibilidades de oportunidades recentes. O país enfrenta gargalos em logística, saneamento e conectividade que limitam o crescimento. Estima-se que seriam necessários mais de R$ 200 bilhões extras por ano em investimentos para modernizar e universalizar a infraestrutura nacional. Mesmo na era digital, cerca de 29 milhões de brasileiros permanecem desconectados da internet, evidenciando a exclusão tecnológica em regiões rurais e periferias. 

    Mas apesar dos desafios, há sinais de progresso. A matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável. O país figura entre os emergentes que mais avançaram em tecnologias limpas nos últimos anos e, em 2022, o BNDES destinou cerca de R$ 45 bilhões a projetos ligados a esse objetivo. Em 2023, o governo federal lançou o Novo PAC, prevendo cerca de R$ 1 trilhão até 2026 em infraestrutura econômica, social e digital. Esse plano prometia triplicar o investimento público anual no setor e prioriza obras sustentáveis. Inclui desde rodovias e ferrovias até a inclusão digital, com recursos para conectar escolas e postos de saúde e expandir redes 4G e 5G pelo interior do país. No mesmo ano, foi instituído o Plano de Transformação Ecológica, uma estratégia de industrialização verde que busca descarbonizar setores produtivos e incentivar tecnologias limpas na indústria brasileira. Mas ainda assim, o país precisa acelerar para cumprir suas metas. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento seguem em torno de 1% do PIB e a produtividade industrial avança lentamente. A continuidade dos programas anunciados e a melhoria na gestão de projetos serão decisivas para que o país colha resultados concretos na próxima década. 

    Horizonte 2030 – Faltando poucos anos para 2030, muitas metas do ODS 9 estão atrasadas. A meta de dobrar a participação industrial dos países mais pobres dificilmente será alcançada no ritmo atual, e o objetivo de acesso universal à internet até 2020 não se concretizou. Diante disso, a ONU cobra mais cooperação internacional e investimentos urgentes em infraestrutura resiliente e inovação. Entre as metas previstas no ODS 9, a “a” previa aumentar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento, enquanto a meta “b” destacava a criação de ambientes propícios à pesquisa e diversificação industrial, fatores essenciais para acelerar o progresso até 2030. 

    Para o caso brasileiro, isso exigirá manter os investimentos e integrar a agenda sustentável ao planejamento econômico. Se os programas em curso forem levados adiante, o país poderá expandir sua infraestrutura e consolidar uma indústria mais verde e competitiva, com ganhos em desenvolvimento e redução de desigualdades. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • Após a COP30: Amazônia entra em novo ciclo de promessas para transformar compromissos em resultados concretos

    Após a COP30: Amazônia entra em novo ciclo de promessas para transformar compromissos em resultados concretos

    Acordo para quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis até 2035 ganhou força com apoio de dezenas de países, enquanto compromissos firmes de abandono dos fósseis foram vetadosevidenciando divergências profundas sobre o rumo da descarbonização

    A COP30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, trouxe à tona mais uma vez o dilema central da transição energética global: seguir com um roteiro de abandono dos combustíveis fósseis ou adotar uma via intermediária alicerçada em biocombustíveis e combustíveis sustentáveis. Em meio ao impasse diplomático, emergiu a iniciativa denominada Belém 4X, uma aposta ambiciosa (e controversa) de multiplicar por quatro o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. 

    Belém 4X, formalmente apresentado já na etapa da pré-COP, buscou ampliar rapidamente a oferta e o consumo de biocombustíveis líquidos, biogás, hidrogênio de baixas emissões e combustíveis sintéticos. A proposta baseou-se no relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), Delivering Sustainable Fuels – Pathways to 2035, e no estudo do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) junto com a Coalizão PanAmericana de Biocombustíveis (CPBIO), que defende que a duplicação da produção de biocombustíveis líquidos até 2035 já seria viável sem ampliar a fronteira agrícola, apenas fechando brechas de produtividade. Na prática, o pacto propõe que os países signatários incorporem metas de combustíveis sustentáveis em suas políticas nacionais, harmonizem padrões de carbono e mobilizem financiamento e transferência tecnológica para viabilizar a substituição gradual da gasolina e do diesel tradicional, especialmente em setores difíceis de eletrificar, como transporte pesado, aviação e navegação.  

    Durante a COP30, ao menos 25 países aderiram ao Belém 4X, entre eles Brasil, Itália, Japão, Canadá, Índia, México, países da África e da Ásia, embora a União Europeia tenha optado por não assinar o compromisso. No discurso de países líderes como Itália e Brasil, a neutralidade tecnológica foi apontada como fator essencial para ampliar a base de apoio político e viabilizar uma transição compatível com as realidades econômicas e sociais diversas. Nosso país, tradicional potência em etanol e biocombustíveis, assumiu papel central no acordo. Para o governo, o Belém 4X representa uma oportunidade de consolidar o agronegócio sustentável, expandir exportações de bioenergia e posicionar o país como protagonista da transição energética global.  

    As associações do setor de biodiesel reforçaram o compromisso com metas mais ambiciosas, alegando que o país já conta com infraestrutura e capacidade de produção que poderiam elevar o teor de biodiesel no diesel nacional de 15% para 22%, sem necessidade de grandes investimentos adicionais em plantas. Apesar do impulso, a adoção de uma trajetória clara de abandono dos combustíveis fósseis, defendida por países europeus, ilhas vulneráveis e organizações ambientais, encontrou forte resistência. Países produtores de petróleo, exportadores de energia fóssil e grandes economias com uso intensivo de gás ou carvão vetaram a inclusão de menção explícita ao fim dos fósseis no texto final da COP30. O resultado foi um acordo de compromisso mínimo, com ambições reduzidas, deixando a transição como um caminho voluntário, dependente de próximas negociações. 

    Em paralelo, a conferência concentrou esforços em mitigar emissões de gases de efeito estufa de curto prazo, especialmente o metano. Através de compromissos no âmbito do Global Methane Pledge e iniciativas de monitoramento e financiamento promovidas por organizações como Global Methane Hub, foram anunciados investimentos e tecnologias de controle de vazamentos, que podem trazer resultados rápidos enquanto a transição energética mais ampla não se consolida. Esse duplo movimento, o Belém 4X e a busca por cortes rápidos de metano, sintetiza a ambivalência da COP30: ao mesmo tempo em que se reconhece a urgência da crise climática e se busca inovar com biocombustíveis e combustíveis limpos, resta incerta a disposição coletiva de abandonar de fato a era dos combustíveis fósseis. A transição proposta parece depender mais da convergência de interesses políticos, econômicos e de mercado do que de um consenso climático unânime. 

    Para o Brasil, o desafio será grande: transformar o compromisso em políticas públicas concretas, compatíveis com medidas de conservação ambiental, segurança alimentar e justiça social, minimizando riscos de desmatamento, expansão de monoculturas e impactos negativos para povos tradicionais. Do ponto de vista global, o Belém 4X foi um teste importante da capacidade de conciliar neutralidade tecnológica com ambição climática e do real poder de combustíveis sustentáveis como vetor de descarbonização. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagemBruno Peres / Agência Brasil