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  • ODS 9 – Por que indústria, inovação e infraestrutura viraram meta global

    ODS 9 – Por que indústria, inovação e infraestrutura viraram meta global

    Objetivo da ONU visa reduzir desigualdades tecnológicas e impulsionar o desenvolvimento sustentável; países investem em infraestrutura resiliente e inovação, enquanto o Brasil corre para superar atrasos estruturais

    A ONU reconheceu, ao adotar a Agenda 2030 em 2015, que não há progresso socioeconômico sem bases sólidas de infraestrutura, indústria e inovação. O ODS 9, “Indústria, Inovação e Infraestrutura” refletem essa visão: investir nessas metas gera empregos, renda e competitividade, ao mesmo tempo em que promove novas tecnologias e o uso eficiente de recursos. Em uma última análise, fortalecer infraestrutura e a inovação significa reduzir desigualdades e melhorar a qualidade de vida, assegurando um desenvolvimento inclusivo e resistente às mudanças (principalmente as econômicas). 

    Desigualdades globais em tecnologia e infraestrutura – As disparidades que motivaram o ODS 9 ficam evidentes quando se analisam números. Segundo o Banco Mundial, quase 4 bilhões de pessoas vivem sem acesso à Internet e 675 milhões não possuem eletricidade em casa. Essa carência de infraestrutura básica limita oportunidades e acentua a pobreza. Na esfera digital, a desigualdade é gritante: cerca de 93% da população de países desenvolvidos estava conectada à internet, mas nos países de renda baixa esse índice não chegava a 27%. Essas lacunas tecnológicas comprometem o acesso a serviços financeiros, educação e saúde. 

    No âmbito industrial, a distância entre nações ricas e pobres também preocupa. O valor agregado da manufatura por pessoa nos países menos desenvolvidos era de apenas US$ 114 em 2018, comparado a quase US$ 5 mil na Europa e América do Norte. Esses dados globais fundamentaram a inclusão do ODS 9: sem corrigir a falta de infraestrutura básica, a defasagem tecnológica e as disparidades industriais, será impossível alcançar um desenvolvimento sustentável e equitativo. 

    Em resposta a esses desafios, países ao redor do mundo lançaram iniciativas para suprir lacunas estruturais. A China, por exemplo, já investiu cerca de US$ 679 bilhões em infraestrutura em quase 150 países desde 2013, enquanto o G7 anunciou a mobilização de US$ 600 bilhões até 2027 para projetos sustentáveis. Estados Unidos e União Europeia também ampliaram investimentos em transporte limpo, energia renovável e conectividade global. Paralelamente, muitos governos estimulam a indústria verde: energias solar e eólica se espalham em economias emergentes, e a manufatura vem se tornando menos poluente. Entre 2010 e 2016, a intensidade de carbono da indústria caiu cerca de 3% ao ano, mostrando o esforço de conciliar crescimento com sustentabilidade. 

    Brasil – Por aqui, o ODS 9 expõe tanto deficiências históricas quanto possibilidades de oportunidades recentes. O país enfrenta gargalos em logística, saneamento e conectividade que limitam o crescimento. Estima-se que seriam necessários mais de R$ 200 bilhões extras por ano em investimentos para modernizar e universalizar a infraestrutura nacional. Mesmo na era digital, cerca de 29 milhões de brasileiros permanecem desconectados da internet, evidenciando a exclusão tecnológica em regiões rurais e periferias. 

    Mas apesar dos desafios, há sinais de progresso. A matriz elétrica brasileira é majoritariamente renovável. O país figura entre os emergentes que mais avançaram em tecnologias limpas nos últimos anos e, em 2022, o BNDES destinou cerca de R$ 45 bilhões a projetos ligados a esse objetivo. Em 2023, o governo federal lançou o Novo PAC, prevendo cerca de R$ 1 trilhão até 2026 em infraestrutura econômica, social e digital. Esse plano prometia triplicar o investimento público anual no setor e prioriza obras sustentáveis. Inclui desde rodovias e ferrovias até a inclusão digital, com recursos para conectar escolas e postos de saúde e expandir redes 4G e 5G pelo interior do país. No mesmo ano, foi instituído o Plano de Transformação Ecológica, uma estratégia de industrialização verde que busca descarbonizar setores produtivos e incentivar tecnologias limpas na indústria brasileira. Mas ainda assim, o país precisa acelerar para cumprir suas metas. Os investimentos em pesquisa e desenvolvimento seguem em torno de 1% do PIB e a produtividade industrial avança lentamente. A continuidade dos programas anunciados e a melhoria na gestão de projetos serão decisivas para que o país colha resultados concretos na próxima década. 

    Horizonte 2030 – Faltando poucos anos para 2030, muitas metas do ODS 9 estão atrasadas. A meta de dobrar a participação industrial dos países mais pobres dificilmente será alcançada no ritmo atual, e o objetivo de acesso universal à internet até 2020 não se concretizou. Diante disso, a ONU cobra mais cooperação internacional e investimentos urgentes em infraestrutura resiliente e inovação. Entre as metas previstas no ODS 9, a “a” previa aumentar o apoio financeiro e tecnológico aos países em desenvolvimento, enquanto a meta “b” destacava a criação de ambientes propícios à pesquisa e diversificação industrial, fatores essenciais para acelerar o progresso até 2030. 

    Para o caso brasileiro, isso exigirá manter os investimentos e integrar a agenda sustentável ao planejamento econômico. Se os programas em curso forem levados adiante, o país poderá expandir sua infraestrutura e consolidar uma indústria mais verde e competitiva, com ganhos em desenvolvimento e redução de desigualdades. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • Após a COP30: Amazônia entra em novo ciclo de promessas para transformar compromissos em resultados concretos

    Após a COP30: Amazônia entra em novo ciclo de promessas para transformar compromissos em resultados concretos

    Acordo para quadruplicar o uso global de combustíveis sustentáveis até 2035 ganhou força com apoio de dezenas de países, enquanto compromissos firmes de abandono dos fósseis foram vetadosevidenciando divergências profundas sobre o rumo da descarbonização

    A COP30, realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, trouxe à tona mais uma vez o dilema central da transição energética global: seguir com um roteiro de abandono dos combustíveis fósseis ou adotar uma via intermediária alicerçada em biocombustíveis e combustíveis sustentáveis. Em meio ao impasse diplomático, emergiu a iniciativa denominada Belém 4X, uma aposta ambiciosa (e controversa) de multiplicar por quatro o uso de combustíveis sustentáveis até 2035. 

    Belém 4X, formalmente apresentado já na etapa da pré-COP, buscou ampliar rapidamente a oferta e o consumo de biocombustíveis líquidos, biogás, hidrogênio de baixas emissões e combustíveis sintéticos. A proposta baseou-se no relatório da Agência Internacional de Energia (AIE), Delivering Sustainable Fuels – Pathways to 2035, e no estudo do Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA) junto com a Coalizão PanAmericana de Biocombustíveis (CPBIO), que defende que a duplicação da produção de biocombustíveis líquidos até 2035 já seria viável sem ampliar a fronteira agrícola, apenas fechando brechas de produtividade. Na prática, o pacto propõe que os países signatários incorporem metas de combustíveis sustentáveis em suas políticas nacionais, harmonizem padrões de carbono e mobilizem financiamento e transferência tecnológica para viabilizar a substituição gradual da gasolina e do diesel tradicional, especialmente em setores difíceis de eletrificar, como transporte pesado, aviação e navegação.  

    Durante a COP30, ao menos 25 países aderiram ao Belém 4X, entre eles Brasil, Itália, Japão, Canadá, Índia, México, países da África e da Ásia, embora a União Europeia tenha optado por não assinar o compromisso. No discurso de países líderes como Itália e Brasil, a neutralidade tecnológica foi apontada como fator essencial para ampliar a base de apoio político e viabilizar uma transição compatível com as realidades econômicas e sociais diversas. Nosso país, tradicional potência em etanol e biocombustíveis, assumiu papel central no acordo. Para o governo, o Belém 4X representa uma oportunidade de consolidar o agronegócio sustentável, expandir exportações de bioenergia e posicionar o país como protagonista da transição energética global.  

    As associações do setor de biodiesel reforçaram o compromisso com metas mais ambiciosas, alegando que o país já conta com infraestrutura e capacidade de produção que poderiam elevar o teor de biodiesel no diesel nacional de 15% para 22%, sem necessidade de grandes investimentos adicionais em plantas. Apesar do impulso, a adoção de uma trajetória clara de abandono dos combustíveis fósseis, defendida por países europeus, ilhas vulneráveis e organizações ambientais, encontrou forte resistência. Países produtores de petróleo, exportadores de energia fóssil e grandes economias com uso intensivo de gás ou carvão vetaram a inclusão de menção explícita ao fim dos fósseis no texto final da COP30. O resultado foi um acordo de compromisso mínimo, com ambições reduzidas, deixando a transição como um caminho voluntário, dependente de próximas negociações. 

    Em paralelo, a conferência concentrou esforços em mitigar emissões de gases de efeito estufa de curto prazo, especialmente o metano. Através de compromissos no âmbito do Global Methane Pledge e iniciativas de monitoramento e financiamento promovidas por organizações como Global Methane Hub, foram anunciados investimentos e tecnologias de controle de vazamentos, que podem trazer resultados rápidos enquanto a transição energética mais ampla não se consolida. Esse duplo movimento, o Belém 4X e a busca por cortes rápidos de metano, sintetiza a ambivalência da COP30: ao mesmo tempo em que se reconhece a urgência da crise climática e se busca inovar com biocombustíveis e combustíveis limpos, resta incerta a disposição coletiva de abandonar de fato a era dos combustíveis fósseis. A transição proposta parece depender mais da convergência de interesses políticos, econômicos e de mercado do que de um consenso climático unânime. 

    Para o Brasil, o desafio será grande: transformar o compromisso em políticas públicas concretas, compatíveis com medidas de conservação ambiental, segurança alimentar e justiça social, minimizando riscos de desmatamento, expansão de monoculturas e impactos negativos para povos tradicionais. Do ponto de vista global, o Belém 4X foi um teste importante da capacidade de conciliar neutralidade tecnológica com ambição climática e do real poder de combustíveis sustentáveis como vetor de descarbonização. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagemBruno Peres / Agência Brasil 

  • ODS 6 – Água limpa e saneamento: o desafio global da ONU para 2030

    ODS 6 – Água limpa e saneamento: o desafio global da ONU para 2030

    Bilhões de pessoas ainda carecem de água potável e saneamento básico no mundo, situação que motivou a ONU a incluir esse tema entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Entenda as razões por trás dessa prioridade e como países – em especial o Brasil – enfrentam o desafio de garantir água limpa e saneamento para todos até 2030

     

    A ONU escolheu “Água limpa e saneamento” como o ODS 6 devido à importância fundamental desse tema para a vida humana e para o desenvolvimento. Água potável e saneamento adequado são pré-requisitos para a saúde, a dignidade e o bem-estar social. Sem eles, proliferam doenças, pobreza e desigualdades. Reconhecendo isso, a ONU declarou em 2010 que o acesso à água e ao saneamento é um direito humano essencial. Além disso, sem esses serviços básicos torna-se impossível alcançar diversas outras metas de desenvolvimento, como erradicar a pobreza, acabar com a fome e promover saúde de qualidade. Afinal, a falta d’água e saneamento prejudica todos esses objetivos. 

    A preocupação com a água e o saneamento não é nova. Os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (2000–2015) já incluíam metas para ampliar o acesso à água segura e ao esgotamento sanitário. Mesmo com algum progresso, em 2015 a situação mundial ainda era alarmante: bilhões de pessoas continuavam sem esses serviços. Por isso, na Agenda 2030 a ONU elevou o tema a um ODS específico (n.º 6) para intensificar os esforços rumo à universalização da água e do saneamento. 

    A situação que levou a ONU a soar o alarme é expressa em números impressionantes. Hoje, cerca de 2,2 bilhões de pessoas no planeta não têm acesso a serviços seguros de água potável, e aproximadamente 3,4 bilhões não dispõem de saneamento adequado em suas residências. Consequentemente, os impactos na saúde são graves: estima-se que mais de 360 mil crianças com menos de cinco anos morrem todos os anos devido a doenças diarreicas causadas pela falta de água limpa, tratamento de esgoto e higiene adequada. Em muitas regiões, a escassez de água e a poluição dos mananciais agravam outros desafios. Por exemplo, 80% das águas residuais do mundo são despejadas na natureza sem qualquer tratamento, o que contamina rios e solos e coloca populações em risco. 

    Diante desses indicadores, a ONU classifica a crise da água como uma emergência de desenvolvimento global que exige ação urgente. Assim, o ODS 6 representa não apenas uma meta isolada, mas um elemento central para a saúde pública e para a construção de sociedades sustentáveis e resilientes. 

    Esforços no alcance da meta 2030 – No mundo todo, governos e entidades investem em infraestrutura e políticas para ampliar o acesso à água tratada e ao saneamento. A Índia, por exemplo, implementou uma campanha nacional para construir banheiros e eliminar a defecação a céu aberto, enquanto países africanos expandem sistemas de abastecimento em comunidades rurais. Em 2020, a ONU lançou um plano de aceleração do ODS 6 para impulsionar essas iniciativas. Ainda assim, o progresso é lento, e será preciso multiplicar os investimentos e esforços para cumprir a meta global até 2030. 

    Já o Brasil apresenta um paradoxo em relação à água: detém alguns dos maiores mananciais hídricos do mundo, mas ainda convive com graves déficits de saneamento básico. Atualmente, cerca de 33 milhões de brasileiros vivem sem acesso à água tratada, e mais de 90 milhões não contam com coleta e tratamento de esgoto em suas moradias. Esse quadro traz consequências sérias: somente em 2023, mais de 11,5 mil óbitos no país foram atribuídos a doenças relacionadas à falta de saneamento, uma “crise silenciosa, porém letal”. 

    Nos últimos anos, o país vem adotando medidas para reverter o atraso histórico no setor. Em 2020 foi aprovado o novo Marco Legal do Saneamento Básico, que fixou metas ambiciosas: universalizar o abastecimento de água para 99% da população e os serviços de esgoto para 90% da população até 2033. Para isso, busca-se atrair investimentos privados e aprimorar planejamento e regulação. Estão em andamento obras de expansão de redes de água e esgoto, instalação de cisternas no Semiárido e outras iniciativas para levar saneamento a comunidades rurais e periféricas. 

    Ainda assim, o desafio é enorme. Estima-se que serão necessários investimentos da ordem de centenas de bilhões de reais para universalizar o saneamento no país, patamar muito acima do que se investe hoje. Por décadas, o saneamento básico ficou em segundo plano, uma infraestrutura pouco visível e sem apelo político. Campanhas de conscientização e pressão social começam a surtir efeito. Tramita no Congresso Nacional uma proposta de emenda à Constituição para reconhecer o acesso à água potável como um direito fundamental. 

    Com o prazo de 2030 se aproximando, o Brasil (assim como o mundo) corre contra o tempo para cumprir as metas do ODS 6. Garantir água limpa e saneamento para todos não é apenas cumprir um compromisso global, mas também promover saúde, qualidade de vida e desenvolvimento sustentável no país.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • ODS 5 – Igualdade de gênero: o desafio global para equiparar direitos e oportunidades

    ODS 5 – Igualdade de gênero: o desafio global para equiparar direitos e oportunidades

    A ONU elegeu a igualdade de gênero como prioridade porque nenhuma sociedade será sustentável enquanto mulheres e homens não tiverem as mesmas condições no trabalho, na política e na vida cotidiana. Os dados ainda mostram grandes disparidades — inclusive no Brasil

    Quando os países aprovaram em 2015 a Agenda 2030, reconheceram que a igualdade de gênero não era apenas uma questão de justiça, mas uma condição essencial para o desenvolvimento sustentável. O ODS 5 foi criado para “alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”, com metas que envolvem desde o fim da violência até paridade salarial, divisão do cuidado doméstico e representatividade política. 

    Apesar de avanços, o Fórum Econômico Mundial estima que, no ritmo atual, levará 131 anos para que as mulheres atinjam plena igualdade com os homens. A ONU alerta que nenhum país do mundo conseguiu, até hoje, eliminar todas as disparidades. Apenas 25% das cadeiras parlamentares globais são ocupadas por mulheres, e a diferença salarial média ainda ultrapassa os 20%, reflexo de desigualdades no acesso a oportunidades e na divisão do trabalho remunerado e doméstico. Em diversos lugares do planeta, ainda persistem práticas nocivas e disparidades gritantes: aproximadamente 1 em cada 4 meninas no mundo continua se casando antes de completar 18 anos, fenômeno do casamento infantil que viola direitos básicos. 

    A desigualdade também aparece no cuidado não remunerado. Mulheres dedicam, em média, o dobro do tempo dos homens às tarefas domésticas. Isso limita sua participação no mercado de trabalho e alimenta o chamado “teto de vidro”, que dificulta a ascensão a cargos de liderança. Em países onde pais também têm direito a licenças extensivas após o nascimento dos filhos, a contratação e promoção de mulheres deixa de ser vista como um “risco” já que homens podem igualmente se ausentar para cuidar dos bebês. Essa medida contribui para diluir preconceitos e responsabilidades de cuidado, abrindo espaço para mais mulheres assumirem cargos de liderança sem sofrer discriminação. 

    Brasil – Por aqui, o retrato é semelhante. Dados do IBGE de 2022 mostram que as mulheres ganham, em média, 17% a menos que os homens em funções equivalentes. Em 82% das ocupações analisadas, os salários femininos são menores. Além disso, apenas 18,1% das cadeiras na Câmara dos Deputados são ocupadas por mulheres, colocando o país na 133.ª posição global em representação parlamentar feminina. 

    Para enfrentar esses desafios, o Brasil adotou medidas recentes. Entre elas, a nova Lei de Igualdade Salarial (Lei n.º 14.611/2023), que obriga empresas a garantirem remuneração igual para funções equivalentes entre homens e mulheres. No campo da segurança, o país segue enfrentando altos índices de violência de gênero, com 1.492 feminicídios registrados em 2024, o maior número desde o início da série histórica. 

    No cenário internacional, países como Islândia e Noruega lideram os rankings de igualdade, graças a políticas como licença parental igualitária, creches públicas e incentivos à participação feminina na política. A ONU destaca que ações como essas devem ser replicadas e ampliadas para reduzir as desigualdades ainda persistentes. 

    A igualdade de gênero é uma questão econômica, social e democrática. Mais do que corrigir injustiças históricas, promove sociedades mais ricas, produtivas e justas. A meta do ODS 5 para 2030 exige pressa, investimento e vontade política, no mundo e no Brasil.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • ODS 4 – Educação de qualidade: por que a ONU fez da aprendizagem um pilar da Agenda 2030

    ODS 4 – Educação de qualidade: por que a ONU fez da aprendizagem um pilar da Agenda 2030

    ONU fixou o ODS ao constatar que acesso à escola não basta: é preciso garantir aprendizagem ao longo da vida, com professores valorizados e sistemas resilientes diante de crises

    Ao aprovar a Agenda 2030, diversos países reconheceram a educação como direito humano e fundamental do desenvolvimento sustentável, estabelecendo o compromisso de “assegurar educação inclusiva e equitativa de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”. A formulação do ODS 4 é resultado direto das lacunas deixadas pelos antigos Objetivos do Milênio: a expansão de matrículas foi importante, mas milhões seguiram fora da escola e muitos que frequentavam não aprendiam o básico. Assim, a nova meta deslocou o foco de “acesso” para “qualidade” e “equidade”, do infantil à educação de adultos, com metas específicas para aprendizagem e professores.  

    A estagnação do acesso e a crise de aprendizagem explicam essa urgência. Em 2023, dados da UNESCO mostraram 250 milhões de crianças e adolescentes fora da escola, seis milhões a mais que em 2021, sinalizando que o mundo não está no ritmo necessário para 2030. Mesmo entre os que estão na escola, a aprendizagem é insuficiente: o Banco Mundial e seus parceiros estimaram que 70% das crianças de 10 anos em países de baixa e média renda não conseguem ler e compreender um texto simples, a chamada “pobreza de aprendizagem”, um indicador que piorou com a pandemia.  

    Há ainda um gargalo estrutural: segundo a UNESCO, o mundo precisará recrutar cerca de 44 milhões de docentes adicionais para universalizar o ensino primário e secundário até 2030, com déficit mais agudo na África Subsaariana. Nos resultados de aprendizagem, o PISA 2022 (programa da OCDE que avalia o desempenho educacional de alunos com 15 anos de idade) confirmou uma queda global inédita em matemática e leitura em muitos países após a pandemia, reforçando a dimensão internacional do problema.  

    Reações – A ONU e suas agências orientam os países a transformar os sistemas educacionais, com ênfase em alfabetização na idade certa, formação e carreira docente, proteção e inclusão (educação especial, igualdade de gênero), conectividade pedagógica e mecanismos de recuperação de aprendizagem pós-pandemia. Projeções do Relatório de Monitoramento Global da Educação apontam que, mesmo com benchmarks nacionais, milhões ainda podem ficar fora da escola até 2030 se não houver aceleração e financiamento estável.  

    No âmbito do financiamento público, o FUNDEB (Fundo Nacional para a Educação Básica) é permanente e sua regulamentação consolida a principal engrenagem de equidade no país, ampliando a complementação da União e reservando 70% dos recursos para remuneração dos profissionais da educação. É a base material para políticas de qualidade e redução de desigualdades territoriais. Na aprendizagem, o CNCA (Compromisso Nacional Criança Alfabetizada) busca garantir alfabetização até o 2º ano e recuperar perdas do 3º ao 5º ano. Em 2024, o Indicador Criança Alfabetizada chegou a 59,2% nas redes públicas (contra 56% em 2023), sinalizando melhora, embora distante do patamar desejado para 2030.  

    Nos resultados sistêmicos, o IDEB 2023 mostrou recuperação nos anos iniciais (média 6,0), mas desempenho ainda aquém do pré-pandemia nos anos finais e no ensino médio — evidência de que qualidade e equidade seguem como tarefa pendente. Por outro lado, os dados do PISA 2022 indicam que cerca de 27% dos estudantes brasileiros alcançam ao menos o nível 2 em matemática (contra 69% nos países da OCDE), evidenciando a necessidade de foco em habilidades fundamentais e formação docente.  

    A escolha da educação como um dos ODS decorre de uma evidência simples: sem aprender, não há desenvolvimento. Cada ponto perdido em alfabetização e matemática repercute em produtividade, saúde, participação cívica e coesão social. O mundo terá de acelerar políticas já testadas como alfabetização na idade certa, valorização e atratividade da carreira docente, expansão da educação infantil, recuperação de aprendizagem e conectividade pedagógica, para que o ODS 4 deixe de ser promessa e se converta em resultado mensurável, no Brasil e principalmente, no mundo.  

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Freepik 

  • COP30 chega ao fim em Belém com apelos por ação imediata e negociações difíceis sobre o texto final

    COP30 chega ao fim em Belém com apelos por ação imediata e negociações difíceis sobre o texto final

    Documento aprovado após dias de impasses reafirma metas do Acordo de Paris, amplia compromissos de financiamento climático e destaca papel dos povos amazônicos, mas mantém controvérsias sobre combustíveis fósseis e responsabilidades globais

     

    A COP30 encerrou suas atividades em Belém com um misto de avanços diplomáticos, tensões políticas e expectativas sobre a capacidade dos países de transformar compromissos em ações concretas. O evento, considerado histórico por ocorrer na Amazônia, reuniu chefes de Estado, negociadores, cientistas e representantes da sociedade civil que, ao longo de duas semanas, debateram caminhos para conter o aumento da temperatura global e fortalecer a proteção dos ecossistemas tropicais. O texto final, aprovado após intensas rodadas de negociação, reflete tanto consensos importantes quanto a persistência das divergências que marcam a governança climática internacional. 

    As discussões mais delicadas ocorreram em torno da transição energética global. Países desenvolvidos e nações insulares pressionaram por linguagem mais firme em relação à eliminação gradual dos combustíveis fósseis, vistos como principal motor da crise climática. Já grandes economias emergentes defenderam um texto equilibrado, que reconhecesse suas necessidades de desenvolvimento, as desigualdades históricas nas emissões e a importância de financiamento previsível para apoiar transformações estruturais. O resultado foi uma formulação intermediária que reafirma a trajetória de redução das emissões, menciona a necessidade de acelerar a transição para fontes limpas e convoca os países a atualizarem suas metas nacionais com mais ambição até 2026. 

    Outro eixo decisivo das negociações envolveu o financiamento climático. O documento final consolidou o compromisso de ampliar recursos destinados à adaptação, especialmente para países tropicais afetados por secas, enchentes e degradação ambiental. A COP30 também trouxe avanços na operacionalização do Fundo de Perdas e Danos criado na COP anterior, com novas promessas de aporte feitas por nações desenvolvidas. Apesar disso, o montante ainda é considerado insuficiente por especialistas e representantes dos países mais vulneráveis, que destacam a urgência de garantir previsibilidade financeira para lidar com impactos já irreversíveis da mudança do clima. 

    Brasil – O Brasil teve papel de destaque como anfitrião e articulador. Além de apresentar o Plano de Transformação Ecológica, que envolve incentivos à bioeconomia, expansão das energias renováveis e controle do desmatamento, o país atuou na mediação de posições entre países desenvolvidos e Sul Global. Representantes de povos indígenas, ribeirinhos e comunidades tradicionais tiveram espaço ampliado nos debates e influenciaram a redação do texto final ao reforçar a importância da proteção da Amazônia, da segurança hídrica e da justiça climática. Esse protagonismo local foi apontado como marca distintiva desta edição da COP. 

    A construção do documento final, no entanto, não foi simples. Durante vários momentos, grupos de negociação expressaram preocupação com trechos considerados pouco ambiciosos ou vagos. Delegações de pequenos Estados insulares insistiram que cada ano perdido aumenta o risco existencial de desaparecimento físico de seus territórios. Organizações ambientais criticaram o ritmo lento da eliminação dos combustíveis fósseis e alertaram para a necessidade de mais clareza sobre metas de curto prazo. Por outro lado, países em desenvolvimento destacaram que o cumprimento de metas ambiciosas depende de investimentos massivos, transferência tecnológica e flexibilização de mecanismos financeiros. 

    Apesar das divergências, o texto final foi aprovado com ampla maioria e marcou a conclusão de uma COP que simboliza o encontro entre ciência, política e urgência climática. Belém se despediu do evento com a promessa de fortalecer a cooperação internacional, ampliar investimentos em conservação e acelerar a transição para um modelo econômico mais sustentável. O desafio agora é transformar acordos multilaterais em políticas públicas robustas e em mudanças concretas nas próximas décadas. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Divulgação/Secom 

  • FRB encerra ciclo 2025 do Mobiliza com público de todo o Brasil e foco em comunicação, liderança e formação cidadã

    FRB encerra ciclo 2025 do Mobiliza com público de todo o Brasil e foco em comunicação, liderança e formação cidadã

    Treinamento realizado mensalmente em São Paulo e Brasília reuniu participantes de todos os estados, nas modalidades presencial e on-line, em oito módulos dedicados à comunicação eficaz na política

     

    A Fundação Republicana Brasileira (FRB) concluiu, nos dias 14 e 28 de novembro, em São Paulo e Brasília, respectivamente, o ciclo 2025 do FRB Mobiliza – Comunicação e Liderança, uma jornada formativa iniciada em maio e que, ao longo de oito módulos, reuniu participantes de todos os estados do país. A formação combinou encontros presenciais e virtuais e trouxe especialistas de diferentes áreas, sempre conectados ao propósito central: fortalecer a comunicação estratégica para alcançar resultados reais junto ao eleitorado.

    Segundo a presidente da FRB, Renata Sene, o Mobiliza 2025 cumpriu um papel transformador. “Foi uma jornada do saber. Encontramos pessoas habilidosas nos seus campos de atuação, lideranças locais que vão transformar seus espaços e impactar positivamente suas populações. Essa jornada passou rapidinho e já está pensada para 2026. Vem aí o FRB Mobiliza 26, com temas como comunicação assertiva, comunicação não violenta, inteligência artificial e muito mais. O que está por vir é extraordinário”, afirmou.

    Um percurso formativo em oito etapas. Ao longo de oito meses, o projeto desenvolveu uma trilha de conhecimento voltada à prática, ao comportamento digital e à eficiência na relação com o eleitor. Os módulos avançaram de forma progressiva e integrada:

    Módulo 1 – A Importância de Saber se Comunicar (maio)

    Abordou fundamentos da comunicação humana, clareza discursiva e o papel da narrativa para se conectar com mais impacto e verdade.

    Módulo 2 – Posicionamento e Tendência do Voto (junho)

    Apresentou análises de comportamento eleitoral, percepção pública e leitura de cenários, essenciais para a atuação política contemporânea.

    Módulo 3 – Identidade e Consciência Digital (julho)

    Debateu reputação on-line, construção de autoridade e o impacto das redes sociais na consolidação de marcas pessoais e políticas.

    Módulo 4 – Mobilização (agosto)

    Trouxe métodos de engajamento, estratégias de articulação e técnicas para transformar presença digital em ação concreta.

    Módulo 5 – Estratégia, Conteúdo e Ação Prática (setembro)

    Ensinou como estruturar campanhas de comunicação e transformar mensagens em resultados mensuráveis.

    Módulo 6 – Narrativa e Uso da Marca (outubro)

    Aprofundou elementos de identidade visual, coerência de discurso e uso de marca para fortalecer projetos políticos.

    Módulo 7 – Estratégia, Conteúdo e Ação Prática – Parte 2 (outubro)

    Consolidou exercícios práticos e simulou cenários de campanha, integrando os aprendizados dos módulos anteriores.

    Módulo 8 – Capital de Confiança (novembro)

    Encerrando o ciclo, o módulo final tratou da construção de credibilidade, da responsabilidade comunicativa e da relação ética entre lideranças e comunidade, porque credibilidade não nasce pronta, ela se constrói.

    Para a gerente administrativa da FRB, Gabrielle Assumpção, o Mobiliza reafirma o compromisso institucional com o desenvolvimento humano e social.
    “A FRB trabalha para pessoas e por pessoas. Organizar o Mobiliza é saber que ele vai impactar a sociedade. Preparar essas lideranças significa garantir que o trabalho delas gere resultados positivos na vida do cidadão. A Fundação Republicana se preocupa em levar capacitação ética, transparente e comprometida para todo o Brasil. Atendemos o país inteiro e queremos que todos conheçam o nosso trabalho e o compromisso que temos com o povo brasileiro”, destacou.

    Participantes de diferentes regiões também relataram como o treinamento fortaleceu suas atuações.

    O vice-prefeito de Queluz/SP, Augusto Carrupt, avaliou o curso como essencial para renovar perspectivas:
    “Quando a gente vem para esse treinamento da FRB, abre a cabeça e os horizontes. Esse treinamento é uma baita oportunidade para quem já está na política ou para quem está começando. A gente volta para casa com uma bagagem imensa para fazer diferença na vida das pessoas”, disse.

    Para Andrea da Silva, assessora parlamentar, o FRB Mobiliza tem efeito direto no dia a dia profissional:
    “Como assessora, aplicar o que aprendo aqui transforma o nosso trabalho. Sempre saio recheada de conhecimento e com estratégias para melhorar os resultados. É uma bagagem que levo para a vida”.

    A vereadora de Garuva/SC, Sheyla Chaves, que não pertence ao Republicanos, também elogiou a iniciativa:
    “Parabenizo a FRB pela realização. Tiro o chapéu para o trabalho que vocês desenvolvem. Foi um grande prazer participar e conhecer mais de perto essa atuação”.

    PreparAção para 2026

    Após oito meses consecutivos de capacitações em São Paulo e Brasília, o FRB Mobiliza – Comunicação e Lideranças, encerra o ano consolidado como um dos principais programas de formação política com foco em comunicação. O encerramento das edições de novembro marcou não apenas o fim de um ciclo, mas o início da preparação da edição 2026, que promete aprofundar habilidades essenciais para lideranças públicas em um cenário cada vez mais tecnológico e exigente.

    A FRB reafirma seu compromisso em formar cidadãos, lideranças e agentes públicos mais conscientes, preparados e conectados à realidade do Brasil, reforçando, através do FRB Mobiliza, o papel transformador da boa comunicação na política contemporânea.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB

    Fotos: Carlos Gonzaga – Ascom FRB

  • Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Brasil apresenta o “Mapa do Caminho” na COP30, mas enfrenta resistência e queda de menção no texto final

    Proposta brasileira de roteiro para afastamento dos combustíveis fósseis obtém apoio de mais de 80 países, porém é excluída do documento final da COP30 e segue como iniciativa voluntária sob presidência brasileira até 2026

     

    Durante a realização da COP30, realizada em Belém, o governo brasileiro colocou no centro das discussões internacionais climáticas uma proposta de grande impacto simbólico e estratégico, denominada “Mapa do Caminho”. Trata-se de um roteiro para a transição dos combustíveis fósseis — petróleo, gás e carvão — para economias de baixo carbono, apresentado como parte de uma agenda mais ampla de justiça climática e liderança global. A iniciativa ganhou visibilidade ao ser mencionada pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cúpula de líderes que antecedeu a conferência, e mobilizou vários países a se engajarem no desenho de um futuro sem dependência de combustíveis fósseis.  

    O “Mapa do Caminho” propõe que os países, especialmente aqueles mais vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas e com economias ainda baseadas em combustíveis fósseis, desenvolvam trajetórias claras e cientificamente embasadas para reduzir progressivamente o uso de tais fontes energéticas, ao mesmo tempo em que se promovem alternativas limpas, energia renovável, adaptação e mecanismos de financiamento climático. Segundo a publicação da agência nacional de notícias, a ministra Marina Silva reforçou que “o Mapa do Caminho já não é mais uma proposta apresentada pelo Brasil, pelo Presidente Lula, mas por dezenas de países e por milhares e milhares de pessoas em todo o mundo, chancelada pela comunidade científica”.  

    A importância da proposta no contexto da COP30 residiu em três vetores principais. Primeiro, ela elevou a agenda dos combustíveis fósseis — historicamente um tabu nas negociações climáticas globais — ao centro das articulações diplomáticas. Conseguiu o apoio expresso de mais de 80 nações que passaram a defender um “roadmap” para afastamento dos fósseis.  

    Segundo ela colocou o Brasil em posição de protagonismo internacional no debate climático, reforçando sua presidência da COP30 e a expectativa de que o país atue como articulador de uma agenda de transição justa, especialmente voltada às economias emergentes e aos povos tradicionais da Amazônia. Terceiro, embora não tenha sido incorporada ao documento oficial final da COP30 — conforme reconhecido pelo presidente da conferência, André Corrêa do Lago, que afirmou que o mapa “não fica no texto” oficial —, a proposta foi deixada como um compromisso voluntário e um mecanismo de pressão para futuras negociações.  

    No entanto, o percurso da proposta encontrou resistências significativas. Durante as negociações finais da COP30, blocos de países produtores e exportadores de petróleo, como a Arábia Saudita e a Rússia, bem como a Índia, articularam para impedir que o “Mapa do Caminho” fosse incorporado ao “Mutirão Global”, o pacote de decisões da conferência, alegando que qualquer menção explícita aos combustíveis fósseis comprometeria o desenvolvimento econômico de suas nações. Como resultado, embora a proposta tenha avançado em fóruns paralelos e no discurso diplomático, a versão final aprovada na plenária de Belém não incluiu menção ao “Mapa do Caminho”. 

    Apesar dessa exclusão formal, os organizadores e o governo brasileiro transformaram a iniciativa em um mecanismo de continuidade: foi anunciada a constituição de um grupo técnico voluntário, sob coordenação da presidência da COP30, para elaborar até a próxima edição da conferência um relatório que subsidie a implementação do mapa, com a primeira reunião prevista para abril de 2026 na Colômbia. Essa articulação mostra que o “Mapa do Caminho” deixa de ser apenas uma proposta retórica e passa a integrar um processo contínuo de mobilização internacional. 

    Para o Brasil, a apresentação do “Mapa do Caminho” representa tanto oportunidade quanto desafio. O país assume uma responsabilidade diplomática e simbólica de liderar a transição para uma economia de baixo carbono, em especial considerando sua posição geográfica na Amazônia e seu enorme potencial em energia renovável e conservação. Isso pode reforçar sua imagem como ator de relevo no cenário climático global. Por outro lado, tutela tensões internas, entre o discurso de liderança e a necessidade de compatibilizar exploração de combustíveis fósseis, políticas de desenvolvimento regional, e as exigências do setor produtivo e energético nacional. Analistas destacaram que, mesmo que o mapa seja bem-intencionado, ele exigirá investimentos robustos, gestão política firme e mecanismos eficazes de monitoramento, além de ser pressionado por uma lógica global na qual os combustíveis fósseis continuam centrais para diversas economias. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP 

    Crédito da imagem: Wagner Meier/Getty Images 

  • Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    Fundação Republicana Brasileira marca presença na COP30 e entrega Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas

    FRB participa do evento no Pará e acompanha propostas voltadas à proteção ambiental

     

    Pará/PA – Entre os dias 10 e 12 de novembro, a Fundação Republicana Brasileira (FRB), representada por sua presidente, Renata Sene, participou da COP30, em Belém, no Pará. No Parque da Cidade, onde ocorreu a programação, a FRB acompanhou diversas apresentações na Green Zone e foi indicada para debates sobre estratégias e soluções voltadas à preservação do clima.

    Convidada pela associação ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, a Fundação apresentou o estudo “Caderno de Boas Práticas em Políticas Públicas”, que reúne propostas de mitigação e adaptação climática para cidades mais preparadas e resilientes. A instituição destacou seu orgulho em compartilhar um trabalho alinhado à sua atuação, pautada na defesa da sustentabilidade e no cuidado com o meio ambiente. Cada espaço do Parque refletia ideias inovadoras e experiências inspiradoras para promover um futuro ambientalmente responsável.

    Inovar faz parte da identidade da FRB, que se tornou a primeira fundação partidária a apresentar uma contribuição dessa relevância na COP30. O feito reforça seu protagonismo e seu compromisso com políticas públicas voltadas ao fortalecimento de cidades inclusivas, resilientes e alinhadas à Agenda 2030. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) orientam ações dos governos para que ninguém seja deixado para trás, e a Fundação compreende que proteger o planeta exige planejamento eficiente e esforços integrados.

    “A Fundação foi convidada por um instituto importante da América Latina, o ICLEI, a estar presente na COP30. Só que nós não fomos apenas participar, fomos ser uma voz ativa. Para isso, a Fundação Republicana encomendou um caderno para apresentar projetos de mitigação e boas práticas locais dos municípios. O Caderno estará à disposição de vocês para que falem sobre clima com propriedade, onde quer que estejam. Ou vocês acham que o clima não vai nos atingir? 87 % da população brasileira vive em cidades, e sabemos que 7 a cada 10 municípios já foram atingidos, de alguma forma, por eventos climáticos: fortes chuvas, secas e até terremotos, acredite, há cidades de Minas Gerais que já registraram. Tudo isso traz consequências graves. A Fundação, com seu papel responsivo, trouxe soluções inteligentes alinhadas a boas práticas, demonstrando viabilidade legal, financeira e experiências reais”, declarou a presidente Renata Sene.

    Durante o maior evento climático do mundo, o Caderno de Boas Práticas também chegou à Blue Zone, espaço das negociações entre governos, lideranças e organizações internacionais. A deputada estadual Tia Jú apresentou o material à ONU, ampliando o alcance e a relevância das ações da Fundação.

    A presença da FRB na COP30 também permitiu destacar as contribuições da Subseção da Fundação no Pará aos moradores do estado. De acordo com a coordenadora da subseção no estado, Renata Hage, as iniciativas regionais têm ganhado protagonismo ao defenderem uma sustentabilidade participativa e consistente, algo reforçado pela atuação da Subseção em um evento global como a COP30.

    Na ocasião, houve ainda um encontro com o secretário de Estado de Justiça do Pará e presidente do Republicanos no estado, Evandro Garla, que destacou o impacto positivo da atuação da Fundação junto aos paraenses nesses dois anos de presença no território:

    “ É uma oportunidade de ensinar, de estar perto do povo, das políticas públicas, de ver, de fato, a política chegando ali na ponta. Quando uma equipe se desloca de Brasília até o Pará, estamos mostrando que é possível que aquela comunidade mude por meio da educação, do ensino, do aprendizado. E uma coisa que o povo paraense gosta muito é de aprender”, declarou Garla.

     

    O que propõe o Caderno de Boas Práticas:

    • Apresenta soluções para cidades mais sustentáveis, resilientes e inclusivas.
    • Enfatiza o papel central dos municípios na implementação de medidas de mitigação e adaptação climática.
    • Recomenda como prioridade a mobilidade de baixo carbono, com transporte público de qualidade e tarifa zero, demonstrando que tais políticas reduzem emissões, geram empregos, ampliam a arrecadação municipal e fomentam justiça social.
    • Defende que parte dos US$ 1,3 trilhão anuais destinados ao financiamento climático global seja aplicada em ações locais.
    • Reforça a sintonia com os ODS 11 e 13 (Cidades Sustentáveis e Ação Climática).
    • Reafirma o compromisso da FRB com o desenvolvimento sustentável e com a construção de cidades que cuidam das pessoas e do meio ambiente.

    Estar em solo paraense trouxe uma nova perspectiva à Fundação, marcada pela empatia com a comunidade e pela compreensão da realidade amazônica. Foram dias de aprendizado e troca de experiências que evidenciaram o compromisso do Pará com a proteção do planeta. Uma certeza ficou clara: não há futuro climático possível sem ouvir a Amazônia e aqueles que a defendem diariamente. A FRB retorna fortalecida e ainda mais comprometida com a construção de um futuro resiliente e sustentável para todos.

     

    Por: Mazé Rodrigues – Ascom FRB
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB

     

  • Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Caminhos para a saúde de todos: como o ODS 3 revela avanços e desafios no mundo e no Brasil

    Da mortalidade materna e infantil à crescente carga de doenças crônicas, um novo relatório mostra por que a ONU transformou a saúde em uma prioridade global e avalia o que ainda falta para que o Brasil cumpra as metas estabelecidas para 2030 

    A saúde e o bem-estar foram incluídos entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) porque representam direitos essenciais de todas as pessoas e constituem um requisito básico para o progresso social. A Organização das Nações Unidas (ONU) destacou que milhões de indivíduos deixam de estudar, trabalhar ou superar a pobreza devido a doenças evitáveis e a barreiras no acesso aos serviços de saúde.
    A Comissão Europeia reforça essa perspectiva ao afirmar que altos índices de doenças acarretam enormes custos sociais e econômicos, além de influenciar outros ODS, como erradicação da pobreza, educação, igualdade de gênero e acesso à água. Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que quase 100 milhões de pessoas são empurradas para a pobreza anualmente por gastos catastróficos em saúde e que metade da população mundial não dispõe de serviços essenciais, evidenciando a urgência da cobertura universal de saúde (CUS). 

    Além disso, aproximadamente 23% das mortes globais estão associadas a fatores ambientais, como poluição, saneamento inadequado e práticas comerciais prejudiciais. Esses dados reforçam a necessidade de políticas integradas que articulem saúde, meio ambiente e economia. Ao lançarem a Agenda 2030, os países comprometeram-se a reduzir desigualdades, ampliar o acesso a serviços e enfrentar determinantes sociais e ambientais para que ninguém seja deixado para trás.  

    Os números que acenderam o alerta global 

    Em meados da década de 2020, o cenário internacional apresentou avanços importantes, mas também lacunas significativas que justificaram a criação do ODS 3: Saúde e Bem-Estar. Segundo o relatório do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA), a taxa de mortalidade materna diminuiu, mas ainda está longe da meta. Em 2015, morriam 228 mulheres a cada 100 mil bebês nascidos vivos por causas relacionadas à gestação, ao parto ou ao pós-parto. Em 2023, esse número caiu para 197 mulheres a cada 100 mil nascidos vivos. Apesar da melhoria, o ritmo de queda é lento: para alcançar a meta da ONU, 70 mortes por 100 mil até 2030, o mundo precisará evitar cerca de 700 mil mortes maternas nos próximos anos.
    A mortalidade de crianças menores de cinco anos passou de 10,1 milhões em 2000 para 4,8 milhões em 2023. A taxa global de mortalidade infantil caiu para 37 por mil nascidos vivos, embora a velocidade de redução esteja diminuindo. A pandemia de COVID-19 também interrompeu campanhas de imunização, e muitas regiões ainda não recuperaram a cobertura vacinal, tornando difícil o alcance da meta de 90% até 2030.
    As doenças infecciosas continuam a representar um grande desafio. Em 2023, 39,9 milhões de pessoas viviam com HIV, sendo 9,3 milhões sem tratamento; as mortes relacionadas à AIDS, entretanto, caíram pela metade desde 2010. As notificações de tuberculose chegaram a 8,2 milhões, o maior número já registrado. Quanto à malária, embora 44 países tenham sido certificados como livres da doença até 2024, a incidência global voltou a crescer após a suspensão de programas durante a pandemia. 

    Como os países estão enfrentando o desafio  

    Cumprir o ODS 3 envolve muito mais do que reduzir taxas de mortalidade: exige sistemas de saúde resilientes e políticas que enfrentem determinantes sociais e ambientais. A ONU enfatiza que a cobertura universal, o fortalecimento da atenção primária e a integração com outras agendas, como educação, saneamento e redução das desigualdades, são fundamentais. O Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU (DESA) aponta que a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados aumentou de 80% em 2015 para 87% em 2024; ainda assim, 17 milhões de nascimentos continuam ocorrendo sem assistência, especialmente na África.
    Outra preocupação é a escassez global de profissionais de saúde, que pode chegar a 11,1 milhões até 2030, sobretudo em países de baixa renda. Os países que investem no setor colhem benefícios como redução da pobreza e aumento da produtividade, já que populações saudáveis impulsionam o desenvolvimento sustentável. 

    Diversas iniciativas ilustram os avanços obtidos: 133 países já alcançaram a meta de mortalidade infantil, e 125 atingiram a meta de mortalidade neonatal. Organizações como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Programa Conjunto da ONU sobre HIV/AIDS apoiam ações de testagem, tratamento e educação sexual. Ao mesmo tempo, a OMS alerta que a recuperação pós-COVID exige retomar campanhas de vacinação, combater a desinformação e ampliar o financiamento público em saúde. Embora o investimento internacional em pesquisa e assistência tenha crescido, ele ainda está aquém das necessidades globais. 

    O retrato brasileiro  

    O Brasil é signatário da Agenda 2030 e, com o seu sistema de saúde universal, o Sistema Único de Saúde (SUS), criado em 1988, oferece atenção primária, vacinação e tratamentos gratuitos a mais de 200 milhões de pessoas. Assim, o SUS contribuiu significativamente para a redução da mortalidade materna e infantil: a proporção de partos assistidos por profissionais qualificados é elevada, e os índices de mortalidade neonatal e na infância aproximam-se das metas dos ODS. Projetos de telemedicina e unidades móveis também ampliam o acesso em áreas rurais e territórios indígenas.
    Apesar desses avanços, o país ainda enfrenta desafios expressivos. Um estudo de 2025, que analisou 40 indicadores do ODS 3 no Brasil, concluiu que apenas 5 (12,5%) têm chance de ser atingidos até 2030. Entre os indicadores com resultados mais promissores estão a proporção de partos assistidos por profissionais, a mortalidade de crianças menores de cinco anos, a mortalidade neonatal, a taxa de mortes no trânsito e a incidência de hepatite B. Já os indicadores referentes a mortes por doenças cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias crônicas mostram redução, mas permanecem distantes das metas.  

    O mesmo estudo destaca a queda preocupante da cobertura vacinal para difteria, tétano, coqueluche e segunda dose de sarampo, que atingiu apenas 64%. Um grupo da sociedade civil que acompanha a Agenda 2030 classificou 12 das 13 metas de saúde como estagnadas, em risco ou em retrocesso, recomendando ampliar o financiamento do SUS, fortalecer políticas de enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis, expandir a atenção em saúde mental e intensificar campanhas contra a desinformação.
    A boa saúde sustenta todos os demais objetivos de desenvolvimento. A ONU instituiu o ODS 3 porque reconheceu que doenças evitáveis e sistemas frágeis perpetuam a pobreza, a desigualdade e a exclusão social. Embora os dados globais mostrem avanços expressivos, eles também revelam que mulheres continuam morrendo no parto, crianças ainda sucumbem a doenças preveníveis e milhões convivem com HIV, tuberculose e outras enfermidades graves.  

    No Brasil, apesar de um sistema universal robusto e de políticas bem-sucedidas, apenas uma parcela reduzida dos indicadores apresenta trajetória compatível com as metas de 2030. Superar esses desafios exigirá compromisso político, maior financiamento público, fortalecimento da atenção primária e políticas intersetoriais que promovam ambientes saudáveis e equidade. 

     

    Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
    Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB  

    Crédito da imagem: Freepik