A recente condenação de Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal, na sexta-feira (12), provocou efeito imediato no tabuleiro eleitoral. Com a decisão, iniciou-se uma corrida de pré-candidatos em busca do apoio do eleitorado bolsonarista
A inelegibilidade do ex-presidente, em vez de unificar a direita em torno de um sucessor, aprofundou sua fragmentação. No campo ideológico, a divisão se expressa em ao menos duas correntes predominantes.
A primeira, liderada por Eduardo Bolsonaro (PL/SP), representa a ala mais fiel. Seus integrantes defendem que o ex-presidente ainda é um candidato legítimo e apostam na aprovação de um projeto de anistia para viabilizar sua participação nas eleições.
A segunda corrente, por outro lado, adota uma postura pragmática. Com menor carga ideológica, busca formar uma aliança competitiva para derrotar o petismo nas urnas, enxergando no governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos/SP), um dos nomes mais cotados para liderar essa frente ampla.
Enquanto o grupo pragmático pressiona Bolsonaro a indicar um sucessor, a ala mais fiel insiste na anistia.
Para viabilizar o perdão legislativo, o partido Republicanos tem sido protagonista na construção de um consenso que permita superar os atuais impasses políticos. O deputado Marcelo Crivella (Republicanos/RJ) é autor do projeto que será discutido com o objetivo de propor algum tipo de anistia que seja benéfica para a pacificação do país.
Já o segmento pragmático da centro-direita cobra de Bolsonaro a escolha de um sucessor o quanto antes. O temor é que uma eventual prisão o impeça de transferir seu capital político, repetindo o cenário de 2018, quando Lula, preso, não conseguiu eleger seu herdeiro político.
No entorno de Tarcísio, porém, há resistência à sua candidatura presidencial, já que ele tem a reeleição praticamente assegurada como governador em São Paulo.
A influência de Bolsonaro e a possibilidade de seu retorno ainda pairam sobre o futuro das eleições, mas o nome preferido por partidos de centro-direita e pelo mercado segue sendo Tarcísio de Freitas, visto como um híbrido entre técnico e político, previsível e com baixa rejeição, ao contrário do ex-presidente.