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O mapa dos palanques estaduais: a geografia do voto para 2026 | Conjuntura Republicana Ed. 276

As eleições para os governos estaduais em 2026 colocam em disputa uma dimensão de poder que extrapola a polarização presidencial. Muito embora o cenário nacional influencie alianças e palanques, as disputas nos estados seguem um ritmo próprio, pautado pela avaliação dos governos em exercício, pelos problemas mais urgentes enfrentados pela população e pela influência de lideranças regionais.  

Levantamentos recentes, divulgados em setembro pela AtlasIntel, mostram como essas forças produzem cenários bastante distintos pelo país.  

Em estados onde a gestão é bem avaliada, a eleição gira em torno da continuidade administrativa. Em Goiás, por exemplo, o governo de Ronaldo Caiado (União Brasil) registra 75,3% de aprovação, enquanto 73% dos entrevistos consideram que o estado caminha no rumo certo. Além disso, a diferença entre a preocupação com a criminalidade, mencionada por 9,8% dos participantes, e as referências à saúde (48,8%) e à educação (21,4%), mostra como a entrega em segurança pública blindou politicamente o Palácio das Esmeraldas, oferecendo ao grupo governista um patrimônio sólido de transferência de votos.  

Em São Paulo, o padrão se repete, mostrando que no cenário de primeiro turno em votos válidos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) registra 54% contra 42,2% de Fernando Haddad (PT), sustentando ampla vantagem na percepção do eleitor sobre infraestrutura, controle de gastos públicos e combate ao crime. 

Em outras regiões, contudo, são as demandas emergenciais da população que ditam a dinâmica eleitoral. No Rio de Janeiro, a criminalidade é apontada por 88,8% dos entrevistados e a corrupção por 60,7%, transformando a restauração da ordem e a gestão de crises no filtro quase exclusivo para legitimar qualquer candidatura.  

No Amazonas, onde criminalidade (62,3%) e acesso à saúde (57,6%) concentram as principais preocupações apresentadas na pesquisa. A corrida pelo governo estadual revela a fragilidade de estruturas tradicionais, onde Omar Aziz (PSD) lidera o primeiro turno com 33,2%, contra 29,2% de Professora Maria do Carmo (PL). No segundo turno, porém, o cenário se inverte, com a candidata de oposição registrando 46,6%, contra 40,8% do senador, sinalizando que a redução de opções tende a canalizar o desejo de renovação. 

Mas Minas Gerais expõe o paradoxo da demanda por mudança. O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera a disputa com 42,1% dos votos válidos, contra 30,8% de Patrus Ananias (PT). Ao mesmo tempo, quase 80% do eleitorado afirma preferir um candidato que faça uma gestão diferente da atual.  

O descompasso entre a dianteira eleitoral e a alta rejeição à continuidade do governo de Romeu Zema (NOVO) demonstra que o eleitor mineiro busca uma alternativa combativa e de perfil popular, mas não necessariamente o retorno à oposição tradicional da esquerda. 

No Nordeste, o levantamento evidencia que o alinhamento com o governo federal não se traduz automaticamente em hegemonia eleitoral nos estados. O Ceará ilustra uma fratura direta dentro da própria política cearense, com Ciro Gomes (PSDB) marcando 50,6% dos votos válidos, contra 45,7% do governador Elmano de Freitas (PT). Os números indicam o desgaste da máquina petista estadual diante de uma liderança histórica com forte capilaridade regional.  

Paralelamente, em estados como Alagoas e Sergipe, a saúde pública desponta como a principal preocupação popular, citada por 54% e 47,7% dos entrevistados, respectivamente. Os dados revelam que a precariedade dos serviços básicos abre flancos competitivos mesmo em redutos eleitorais consolidados da esfera federal. 

Essa dispersão de prioridades e forças locais é determinante para a montagem dos palanques de 2026. A disputa pelos governos estaduais não se esgota no Poder Executivo, pois também influencia a formação das chapas para a Câmara dos Deputados e, de forma decisiva, a renovação de dois terços do Senado Federal. Assim, governadores com forte capital político e gestões bem avaliadas podem ter maior capacidade de articulação na formação dessas alianças.  

Dessa forma, observar as eleições estaduais, portanto, significa acompanhar também a construção das forças políticas que influenciarão a governabilidade e a distribuição de poder em Brasília a partir de 2027. 

 

Por Núcleo de Estudos e Pesquisas (NEP) da Fundação Republicana Brasileira (FRB).

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