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ODS 13: o clima e suas mudanças, no centro da Agenda 2030 da ONU

Com recordes sucessivos de aquecimento e eventos extremos cada vez mais destrutivos, a ação climática virou um objetivo específico e pressiona países a combinar mitigação, adaptação e financiamento. Neste contexto, o Brasil tentando reorganizar sua estratégia até 2035

O ODS 13, “Combate as alterações climáticas”, foi incluído na Agenda 2030 por uma razão prática: sem conter o aquecimento global e sem preparar as sociedades para impactos já em curso, os demais objetivos ficam mais caros, difíceis e, em alguns casos, inalcançáveis. A ONU transformou o clima em um objetivo específico porque, ao longo das décadas anteriores, acumularam-se evidências de que mudanças no sistema climático afetam simultaneamente a pobreza, a saúde, a produção de alimentos, a disponibilidade de água, as cidades, a biodiversidade e a economia.

O desenho do ODS 13 reflete essa urgência em duas frentes. A primeira é a mitigação, reduzir emissões e conter o desmatamento para limitar o aumento da temperatura. A segunda é a adaptação, ou seja, fortalecer a resiliência, reduzir riscos de desastres e integrar o clima ao planejamento público, inclusive pelas vias da educação e da capacitação. Por isso, o objetivo fala de políticas nacionais, sistemas de alerta e preparação institucional, e não apenas de energia ou indústria.

Os números globais que levaram a ONU para esse caminho são cada vez mais contundentes. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) confirmou 2024 como o ano mais quente já registrado desde o início das medições, com temperaturas em torno de 1,55°C acima dos níveis pré-industriais, além de indicar uma sequência recente entre os mais quentes da série histórica. Ao mesmo tempo, relatórios técnicos associados ao IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) mostram que cada fração adicional de aquecimento global aumenta a frequência e a intensidade de eventos extremos, reforçando a necessidade de cortes rápidos de emissões ainda nesta década para manter as metas de temperatura ao alcance.

A dimensão atmosférica do problema também aparece nos registros de gases de efeito estufa. Em 2025, reportagens baseadas em dados da OMM destacaram que as concentrações de CO2 atingiram o maior nível já observado e que o ritmo recente de aumento anual foi excepcionalmente alto, em parte associado à queima de combustíveis fósseis e a incêndios. Esses indicadores ajudam a entender por que a ONU insiste em medidas urgentes: não se trata apenas de um cenário futuro, mas de tendências mensuráveis no presente.

No cenário internacional, o enfrentamento do tema ocorre, em linhas gerais, por meio de três movimentos: O primeiro é acelerar a transição energética e a eficiência, reduzindo emissões de eletricidade, de transporte e da indústria. O segundo é adaptar cidades, infraestruturas e sistemas de saúde, com planos para ondas de calor, cheias, secas e deslizamentos. O terceiro é discutir financiamentos e justiça climática, porque os impactos tendem a ser mais severos onde há maior vulnerabilidade social e menor capacidade fiscal. Mesmo quando há avanços em energias renováveis e planejamento, relatórios e análises apontam lacunas significativas na proteção e na cobertura de sistemas de alerta e adaptação.

No Brasil, o ODS 13 ganhou contornos ainda mais concretos nos últimos anos, por causa da combinação entre risco climático e desigualdade territorial. As enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul tornaram-se a maior referência recente de desastres de grande escala, e estudos e balanços institucionais apontaram a necessidade de se repensar a prevenção, a drenagem urbana, a ocupação do solo e a resposta a eventos extremos mais frequentes. Na Amazônia, secas severas e recordes de baixos níveis dos rios, com impactos sobre transporte, abastecimento e ecossistemas, reforçaram como o clima e o ambiente se conectam diretamente à vida cotidiana e à economia regional.

Do ponto de vista das políticas públicas, o país vem tentando reorganizar suas estratégias climáticas. O Plano Clima, coordenado pelo governo federal, passou por consultas e etapas participativas, com foco em componentes de adaptação e mitigação até 2035. Em paralelo, a NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) brasileira, no âmbito do Acordo de Paris, foi atualizada para incorporar uma meta para 2035, com uma faixa de redução de emissões líquidas em relação a 2005, sinalizando o esforço de alinhamento entre planejamento nacional e compromissos internacionais.

A relevância do ODS 13, portanto, não se limita ao reconhecimento da crise climática, mas em transformar esse reconhecimento em governança e ação. Ao criar metas para resiliência, integração do clima em políticas públicas e fortalecimento institucional, a ONU tenta evitar que o tema fique restrito a conferências e discursos e o direciona para áreas como orçamento, planejamento urbano, defesa civil, agricultura, energia e educação. No Brasil, essa agenda se articula com o combate ao desmatamento, a transição energética, a adaptação a eventos  extremos e a redução de vulnerabilidades sociais, um conjunto que define, em grande medida, a capacidade do país de proteger vidas e manter seu desenvolvimento sustentável nas próximas décadas.

Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP

Crédito da imagem: Freepik

 

Fontes:

Ipea, metas do ODS 13 e adaptação no contexto brasileiro – https://www.ipea.gov.br/ods/ods13.html

Organização Meteorológica Mundial, 2024 como ano mais quente registrado –  https://wmo.int/news/media-centre/wmo-confirms-2024-warmest-year-record-about-155degc-above-pre-industrial-level

ONU no Brasil, resumo sobre 2024 como o ano mais quente e indicadores oceânicos – https://brasil.un.org/pt-br/287173-onu-confirma-2024-como-o-ano-mais-quente-j%C3%A1-registrado-com-cerca-de-155%C2%B0c-acima-dos-n%C3%ADveis

Governo Federal, Plano Clima e consulta pública da estratégia de mitigação – https://www.gov.br/secom/pt-br/acompanhe-a-secom/noticias/2025/04/plano-clima-governo-lanca-consulta-publica-da-estrategia-nacional-de-mitigacao

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