O último dos ODS, o n.º 17, defende a cooperação entre governos, empresas, universidades e sociedade civil como condição essencial para enfrentar os desafios globais
Em 2015, ao lançar a agenda 2030, a Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu uma proposta ambiciosa: criar um plano global capaz de enfrentar, simultaneamente, problemas econômicos, sociais e ambientais. Porém, ao estruturar os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), a entidade reconheceu que nenhum país conseguiria alcançar essas metas sozinho. Foi justamente dessa percepção que nasceu o ODS 17, “Parcerias e Meios de Implementação”, considerado por muitos especialistas como o objetivo que conecta e sustenta todos os demais.
O princípio central do ODS 17 é relativamente direto: grandes desafios globais exigem cooperação internacional, articulação institucional e compartilhamento de recursos, conhecimento e tecnologia. A ONU passou a defender que problemas como as mudanças climáticas, a pobreza extrema, a insegurança alimentar, a desigualdade e as crises sanitárias ultrapassam fronteiras nacionais e, portanto, não podem ser resolvidos apenas por iniciativas isoladas.
A ideia de cooperação internacional já fazia parte da própria origem das Nações Unidas após a Segunda Guerra Mundial, mas ganhou nova dimensão com a globalização, o avanço tecnológico e o aumento da interdependência entre os países. Crises globais recentes mostraram como decisões tomadas em uma parte do planeta podem produzir impactos imediatos em outras regiões.
Foi diante desse cenário que o ODS 17 foi estruturado. Diferentemente de outros objetivos mais específicos, ele funciona como uma espécie de eixo operacional da Agenda 2030. Na prática, o objetivo parte da ideia de que o desenvolvimento sustentável depende da capacidade de unir diferentes atores em torno de metas comuns. A entidade reconhece que os governos, sozinhos, muitas vezes não possuem recursos financeiros ou capacidade técnica suficientes para enfrentar desafios complexos. Dessa maneira, empresas, centros de pesquisa, bancos e organizações não governamentais passaram a ser incorporadas de forma mais explícita às estratégias globais de desenvolvimento.
Em diversas partes do mundo, o ODS 17 já aparece aplicado em projetos concretos. Na África, programas internacionais de cooperação têm financiado ações de infraestrutura e ampliando o acesso à energia limpa. Em países asiáticos, parcerias tecnológicas buscam acelerar a inovação em áreas ligadas à mobilidade urbana e às energias renováveis. Na Europa, alianças multilaterais voltadas para a economia verde e a redução das emissões de gases de efeito estufa tornaram-se parte importante das políticas públicas regionais.
Durante a pandemia de Covid-19, o conceito do ODS 17 ganhou ainda mais visibilidade. A cooperação científica internacional permitiu acelerar pesquisas, ampliar a produção de vacinas e promover o compartilhamento de informações médicas em escala global. Ao mesmo tempo, a crise também revelou desigualdades entre países ricos e pobres no acesso a tecnologias e insumos, reforçando debates sobre justiça internacional e financiamento global.
O setor privado também passou a incorporar, com mais frequência, o discurso ligado aos ODS. Empresas nacionais e internacionais têm desenvolvido projetos alinhados à Agenda 2030, seja em ações ambientais, programas sociais ou investimentos em inovação sustentável. Especialistas observam, entretanto, que ainda existe uma diferença significativa entre iniciativas pontuais de imagem institucional e compromissos efetivamente estruturais e de longo prazo.
Outro aspecto importante do ODS 17 envolve a democratização do acesso à tecnologia. A ONU defende que os países em desenvolvimento precisam ter acesso à inovação científica para reduzir desigualdades globais. Em um mundo cada vez mais dependente de dados, o acesso desigual à tecnologia passou a ser visto também como um fator de exclusão econômica e social.
Apesar da relevância do objetivo, especialistas apontam que sua implementação enfrenta obstáculos importantes. Tensões geopolíticas e conflitos internacionais frequentemente dificultam a cooperação global. Além disso, muitos países ainda enfrentam limitações financeiras para investir de forma consistente nas metas da Agenda 2030.
A própria ONU reconhece que o avanço do ODS 17 depende de confiança institucional e estabilidade política internacional. Em momentos de polarização e competição geopolítica intensa, construir consensos multilaterais torna-se mais complexo. Ainda assim, a entidade continua defendendo que a cooperação permanece como o único caminho viável para enfrentar desafios planetários compartilhados.
O ODS 17 encerra simbolicamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável justamente porque reforça uma ideia central da Agenda 2030: nenhuma transformação estrutural ocorre de maneira isolada. Combater a pobreza, preservar o meio ambiente, ampliar o acesso à educação ou fortalecer os sistemas de saúde exige articulação entre diferentes setores da sociedade e diferentes regiões do mundo.
Mais do que um objetivo técnico, o ODS 17 representa uma tentativa de transformar a cooperação em uma estratégia permanente de desenvolvimento. Em um planeta marcado por crises climáticas, desigualdades e mudanças aceleradas, a ONU aposta que o futuro dependerá menos da capacidade individual de cada país e mais da construção de redes globais capazes de compartilhar responsabilidades e soluções.
Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
Crédito da imagem: ONU
Fontes:
Criado na Rio+20, Fórum de Alto Nível da ONU se reúne em Nova Iorque para acompanhar progresso nos ODS – https://brasil.un.org/pt-br/298176-criado-na-rio20-f%C3%B3rum-de-alto-n%C3%ADvel-da-onu-se-re%C3%BAne-em-nova-iorque-para-acompanhar-progresso
Sobre o nosso trabalho para alcançar os ODS no Brasil – https://brasil.un.org/pt-br/sdgs
Objetivos de Desenvolvimento Sustentável – https://www.unicef.org/brazil/objetivos-de-desenvolvimento-sustentavel