Conjuntura Republicana

Sucessivas crises prejudicam o sistema financeiro – Conjuntura Republicana Ed. nº 227

No fim de semana de 6 e 7 de setembro, o Banco Central (BC) emitiu alertas sobre dois novos ataques hackers contra o sistema financeiro, que atingiram a instituição de pagamento E2 Pay e o Banco Triângulo S.A

O episódio soma-se a uma série de crises que têm marcado o setor em 2025, entre elas o avanço das investigações que revelaram um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado e a crise do Banco Master durante o processo de sua venda ao Banco Regional de Brasília (BRB).

Entre janeiro e setembro, foram registrados ao menos quatro ataques cibernéticos, todos com prejuízos milionários.

No caso da C&M Software, em junho, a perda estimada ultrapassou R$ 1 bilhão. Já na empresa Sinqia, em agosto, o prejuízo chegou a R$ 710 milhões.

Embora de origens distintas, os incidentes revelam vulnerabilidades comuns ao sistema financeiro do país. Exemplo disso é a Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, que relaciona empresas da Faria Lima, maior centro financeiro do país, ao crime organizado.

A operação também teve reflexos no mercado de capitais, como na venda do Banco Master ao BRB.

Considerada um “golpe final” para a decisão do BC, a megaoperação Carbono Oculto pressionou-o a intervir após surgirem indícios de ligação do Master com as instituições Reag Investimentos e Trustee, investigadas por esquemas de lavagem de dinheiro.

As sucessivas crises geraram impactos significativos. No caso da venda do Banco Master, estima-se que fundos de pensão, como Rioprevidência e Amapá Previdência, e o Banco da Amazônia possam acumular perdas de até R$ 3 bilhões em letras financeiras sem garantia do FGC.

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