A aprovação do PL da Dosimetria em 9 de dezembro evidencia a complexidade das articulações políticas sobre as consequências jurídicas dos atos de 8 de janeiro de 2023 e a tensão entre governabilidade e pressão eleitoral
Diferentemente do PL da Anistia, que enfrentou forte rejeição pública e judicial, a dosimetria atua como instrumento de moderação ao permitir a redução de penas já estabelecidas, inclusive a do ex-presidente Jair Bolsonaro, sem romper totalmente a lógica de responsabilização.
A proposta revela um cálculo estratégico: atender parcialmente às demandas da base bolsonarista enquanto se busca preservar a legitimidade institucional perante a sociedade e o Judiciário.
A condução da pauta pelo deputado Hugo Motta (Republicanos/PB) demonstrou capacidade de mediar pressões conflitantes. Ao mesmo tempo em que avançou em um tema sensível, a tramitação expôs tensões dentro da base governista, que recebeu a aprovação com críticas, reforçando o caráter delicado da negociação. No Senado, a medida segue sob forte pressão política, fator decisivo para definir seu alcance final e estabelecer precedentes sobre a condução de pautas polarizadas em ano eleitoral.
O PL da Dosimetria terá impactos políticos e eleitorais evidentes. Ele gera ganhos concretos à base bolsonarista, evidencia fragilidades na governabilidade e influencia a percepção de capital político dos atores envolvidos.
A medida também tende a orientar futuras negociações legislativas, reorganizar alianças partidárias e influenciar estratégias para 2026, funcionando como referência para a gestão de temas sensíveis em cenários de alta polarização.
O avanço do PL da Dosimetria ainda expõe riscos políticos e institucionais. A aprovação sob tensões internas pode gerar desgaste ao Executivo, testar os limites das alianças partidárias e estimular críticas de setores da sociedade e da mídia.









