Do sufrágio feminino nos Estados Unidos às primeiras eleitas no Brasil, a presença das mulheres na política reflete avanços democráticos e reforça a importância da participação feminina nos partidos políticos
É impossível imaginarmos hoje um cenário em que as mulheres não atuem nos mais diversos segmentos da sociedade. Porém nem sempre foi assim. A participação das mulheres na política, por exemplo, é fruto de uma longa trajetória de lutas e reivindicações por direitos. Desde o movimento sufragista nos Estados Unidos até a eleição das primeiras mulheres no Brasil, a conquista de espaço na política representa um avanço crucial para a equidade de gênero e o fortalecimento da democracia. Ainda assim, o caminho a percorrer é longo.
No final do século XIX e início do século XX, o movimento sufragista norte-americano mobilizou milhares de mulheres que exigiam o direito ao voto. A luta, marcada por protestos, prisões e greves de fome, contou com figuras emblemáticas como Susan B. Anthony e Elizabeth Cady Stanton, que dedicaram suas vidas à causa. A pressão resultou na aprovação da 19ª Emenda à Constituição dos EUA em 1920, garantindo o sufrágio feminino em âmbito nacional. Esse marco representou uma transformação social, permitindo que as mulheres passassem a influenciar diretamente as decisões políticas do país. Porém, a conquista do voto não significou, de imediato, ampla representatividade feminina nos cargos públicos. Foi necessária uma contínua mobilização para garantir maior inclusão política.
8 de março – Conhecido como Dia Internacional da Mulher, a data tem suas raízes nas mobilizações femininas por melhores condições de trabalho e direitos políticos, remetendo a eventos importantes como a greve de operárias têxteis em Nova York, em 1908, e a luta das sufragistas no início do século XX. Com o passar dos anos, o dia 8 de março se consolidou como um momento de reflexão sobre as desigualdades de gênero e um incentivo à participação feminina em todas as esferas da sociedade, incluindo a política. Na atualidade, a data continua a ser um símbolo da importância da presença feminina no poder e do fortalecimento das políticas públicas voltadas à igualdade de gênero.
As primeiras no Brasil – Por aqui, as mulheres conquistaram o direito ao voto somente em 1932, durante o governo de Getúlio Vargas. Em 1933, Carlota Pereira de Queirós tornou-se a primeira mulher eleita deputada federal no país, pelo Partido Constitucionalista de São Paulo. Já nas eleições de 1945, foram eleitas Antonieta de Barros (Santa Catarina), pelo Partido Social Democrático (PSD), e Ivete Vargas (Rio Grande do Sul), também pelo PSD.
O Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) também desempenharam papel fundamental na inclusão de mulheres em cargos eletivos, promovendo candidaturas femininas já nas décadas de 1940 e 1950. Com o passar dos anos, os partidos passaram a ser pressionados a cumprir cotas de gênero e a ampliar a representatividade feminina em seus quadros.
A presença feminina na política é essencial para o fortalecimento da democracia. A inclusão de mulheres em cargos eletivos amplia a diversidade de perspectivas na formulação de políticas públicas, garantindo que temas como igualdade salarial, combate à violência de gênero e licença-maternidade sejam debatidos com maior profundidade. Apesar dos avanços, a sub-representação feminina nos parlamentos e governos ainda é uma realidade global. Barreiras culturais, desigualdade de oportunidades e resistência dentro dos próprios partidos dificultam o acesso das mulheres a espaços de poder. Por isso, é fundamental continuar incentivando candidaturas femininas e promovendo reformas que garantam equidade na disputa política.
A luta das mulheres por espaço na política não é apenas uma questão de representatividade, mas um compromisso com a democracia e com uma sociedade mais justa e igualitária. A história mostra que a participação feminina transforma governos e fortalece a cidadania, tornando essencial a continuidade dessa luta ainda nos dias atuais.
Texto: Arnaldo F. Vieira – Ascom Subseção/SP
Revisão: Tamires Lopes – Ascom FRB
Imagem: Internet