Com a ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos, diversas mudanças foram observadas nas tensões globais. A nova postura do chefe do Executivo norte-americano tem incentivado a reorganização das cadeias produtivas internacionais e despertado temores em relação aos desafios climáticos.
Desde o início do seu mandato, Trump tem conduzido uma intensa guerra tarifária contra os parceiros comerciais dos EUA, atingindo até mesmo países vizinhos, como Canadá e México.
Em entrevista publicada pelo jornal O Globo, Gustavo Pimenta, CEO da Vale – principal mineradora do país –, afirma que conflitos tarifários prejudicam o desenvolvimento econômico global, podendo desacelerar o PIB mundial e, consequentemente, reduzir a demanda por commodities.
Além disso, essas tarifas reconfiguram o comércio global, pois o aumento tarifário pode inviabilizar a entrada de produtos estrangeiros e tornar outros parceiros comerciais mais atraentes.
A pauta ambiental é outro ponto crítico da gestão Trump. Em 20 de janeiro deste ano, ele assinou um decreto retirando os Estados Unidos do Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.
Apesar dessa decisão, o presidente da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP 30), embaixador André Corrêa, acredita que dois terços dos empresários norte-americanos permanecerão comprometidos com as metas estabelecidas no acordo.
O compromisso da indústria norte-americana pode sinalizar que a postura trumpista sobre o meio ambiente não é um consenso na sociedade americana.
Enquanto isso, a China segue na direção oposta. Segundo Gustavo Pimenta, o país não apenas mantém sua agenda de transição energética e descarbonização, como também está acelerando esses esforços.
Com a proximidade da COP 30 em Belém, o Brasil passa a protagonizar a defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável. Além disso, a ausência do governo norte-americano nesse debate pode abrir espaço para que o país lidere essa agenda em nível global.