Para enfrentar os desafios da segunda metade do mandato presidencial, o Governo tem buscado reorganizar suas forças internas e reacomodar os integrantes fundamentais para o sucesso da agenda governista.
No Palácio do Planalto, o presidente já realizou mudanças importantes: nomeou a deputada Gleisi Hoffmann para o Ministério das Relações Institucionais e, com a saída de Alexandre Padilha dessa pasta, reacomodou-o no Ministério da Saúde.
Para Padilha, comandar o Ministério da Saúde não representa um desafio maior do que sua antiga função nas Relações Institucionais. A Saúde controla parte significativa do orçamento e ele já possui um histórico de atuação nesse setor.
O peso de articular as estratégias do Planalto junto ao Legislativo agora é responsabilidade de Hoffmann, que além de enfrentar os desafios em relação à governabilidade, também poderá herdar a fama das eventuais derrotas governistas.
Embora Padilha tenha sofrido bastante desgaste como articulador, ele não acumula os defeitos que eram atribuídos à Nisia Trindade, sua antecessora na Saúde. Diferentemente de Nisia, Padilha tem consideráveis habilidades políticas e capacidade de comunicação com o parlamento.
Já Hoffmann, mesmo em uma posição delicada, possui uma influência significativa com as bases petistas, o que pode garantir um potencial superior ao de Padilha nos possíveis processos de pressão, comuns da pasta de articulação.
Cabe mencionar também que, com a saída de Hoffmann da presidência do PT, o cargo agora está sob o controle interino do senador Humberto Costa (PT/PE), o qual afirma organizar eleições internas para definir a nova presidência definitiva do partido.
Apesar do verniz democrático indicado pelas eleições internas, é improvável que o novo presidente do PT tenha plenos poderes na condução da estratégia partidária. Contudo, ele ainda será um importante ator na construção das chapas petistas para as eleições de 2026.
Ressalta-se ainda que o Governo precisa fazer outros ajustes para angariar o apoio, e nesse momento, enfrenta o dilema de ceder espaço para acomodar aliados sem inviabilizar sua agenda política. Esse é o caso do Ministério do Desenvolvimento Social, que tem sido cortejado, mas continua protegido por acumular os principais projetos do Governo Federal.