Política, empreendedorismo e jovens: se misturam?

Política, empreendedorismo e jovens: se misturam?

Por muito tempo a relação entre mercado e política foi muito mal interpretada ao redor do mundo e também no Brasil. Para alguns, essa junção, além de bastante improvável, já foi entendida como desastrosa ou que acabaria estimulando casos de corrupção e de favorecimentos. No entanto, entendemos que essa mistura é altamente positiva e pode contribuir muito para o processo de formação de políticas públicas que beneficiam o setor, e assim, favorecendo o próprio crescimento do país.

Se regressarmos ao nascedouro da democracia, lá na Grécia antiga, veremos que de lá para os dias atuais, a função da Ágora, o espaço onde as decisões políticas eram tomadas, não mudou muito, apenas se expandiu. De fato, seria impossível reunir cidadãos em uma praça pública para tomarem decisões como acontecia antes. Todavia, o que presenciamos foi a ampliação desse ambiente para a internet. E em momentos em que precisamos preservar o isolamento social, esse espaço só se intensificou. Vale recordar que política é algo que se faz com o outro. E a prova disso são as inúmeras lives e webinários que hoje preenchem a nossa agenda. Portanto, sem sobram de dúvidas, o espaço de influência na tomada de decisão está cada vez mais amplo e virtual.

Foi pensando nisso que a Fundação Republicana Brasileira – FRB, cuja proposta é promover o necessário debate sobre temas que afetam o desenvolvimento da sociedade, apostou na realização do evento virtual Empreendedorismo e Políticas Públicas no último dia 16. De fato, não apenas cremos, mas também fomentamos atitudes empreendedoras por meio da política. Em resumo, deve-se saber que empreendedorismo e política não são atividades opostas, pelo contrário, elas se complementam.

É importante destacar que a perspectiva liberal de mercado que orienta o Republicanos e também a FRB, passa pela defesa da livre iniciativa e da propriedade privada. Apoiamos a inovação tecnológica, a criação de produtos e serviços que facilitam a vida das pessoas e principalmente, a construção de condições para uma economia cada vez menos dependente do Estado em assuntos não essenciais. E para atingirmos esse patamar, um empenho inicial é urgente. Tal esforço surge por meio do suporte e apoio às atitudes da Associação dos Jovens Empresários do Distrito Federal – AJE/DF, que carrega em sua missão o objetivo de facilitar o sonho de empreendedor dos jovens cidadãos.

Acreditamos na necessidade de auxiliar não apenas o empreendedor, mas principalmente, o juvenil que trabalha em busca de tornar o seu sonho realidade. Particularmente, não compactuo com as ideias daqueles que afirmam que o investimento na juventude significa apostar em um futuro promissor. Na minha visão, jovens não são apenas um potencial para um momento posterior, eles são também o presente do empreendedorismo e da política. E é na juventude que dispomos de maior energia e garra para vencer os obstáculos que a vida nos impõe.

Diferentemente do que mostram as estatísticas do público jovem, muitas vezes pessimistas, existem pessoas que estão fazendo a diferença, colaborando para um cenário político e econômico cada vez mais promissor. Em razão disso, é gratificante observar os dados do perfil do jovem empreendedor, divulgado em 2018 pela CONAJE (Confederação Nacional do Jovens Empresários), que entrevistou 5.792 pessoas. O estudo aponta que jovens proprietários de microempresas são a maioria do país, faturam até 360 mil por ano e empregam até nove funcionários. Melhor ainda é saber que a maioria desses jovens não estão ligados a empresas familiares, ou seja, negócios iniciados pelos pais. Pelo contrário, tratam-se de atitudes inovadoras de pessoas que verdadeiramente pensam fora da caixinha.

Ainda com base na pesquisa da CONAJE, os resultados revelam que os principais desafios quem impedem a expansão e continuidade do empreendedor juvenil são: vencer a burocracia e alta carga tributária. E são desafios como esses que cada vez mais tornam possível o estabelecimento da parceria entre a FRB e a AJE-DF. Acreditamos que a política é o único meio pacífico de resolver problemas, por isso, encaramos essa oportunidade como uma possibilidade de melhoramento das políticas públicas que impactam o setor.

Estamos certos de que política, empreendedorismo e jovens são elementos que resultam em uma boa e necessária combinação.

Renato Junqueira

Presidente da Fundação Republicana Brasileira (FRB)

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